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O detalhe chocante sobre o sushi que quase ninguém conhece

Originário do Sudeste Asiático, o método ancestral de preparo utilizava o arroz apenas para fermentar e conservar o peixe, descartando o grão antes do consumo

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 9 de abril de 2026 às 15:00

No passado, o arroz servia apenas como um escudo protetor para a fermentação do peixe e não chegava ao prato
No passado, o arroz servia apenas como um escudo protetor para a fermentação do peixe e não chegava ao prato Crédito: Banco de imagem

Você já ouviu falar de que o sushi nasceu através de uma necessidade puramente prática como conservar os peixes?

O que hoje consumimos fresco em restaurantes sofisticados nasceu, na verdade, como uma técnica rústica em uma era sem qualquer tipo de tecnologia de refrigeração.

Com esta curiosidade apresentada, iremos te mostrar a história do famoso sushi, a comida que atrai e encanta diversos corações em todos os cantos deste mundo.

Sushi e comida japonesa por Shutterstock

O arroz que ia para o lixo

A trajetória desse prato icônico começou no Sudeste Asiático, entre os séculos 3 e 2 antes de Cristo.

Naquela época, as comunidades locais desenvolveram um método para preservar peixes de água doce que consistia em salgar o pescado e envolvê-lo em arroz cozido para iniciar um processo de fermentação lática.

Nesse sistema, o arroz liberava ácido lático (um composto orgânico produzido naturalmente pelo corpo, principalmente durante atividades físicas intensas), criando um ambiente que impedia a proliferação de bactérias e permitia que o alimento fosse armazenado por meses.

O detalhe que surpreende o consumidor moderno é que, originalmente, o arroz era descartado após o processo; apenas o peixe, já conservado e com um forte cheiro ácido, era consumido.

A evolução no Japão: do "narezushi" ao fast-food

A técnica chegou ao arquipélago japonês por volta do século 8 e, com o tempo, a tradição e a criatividade local transformaram o preparo.

A primeira grande mudança foi o surgimento do narezushi, onde o arroz deixou de ser jogado fora para ser degustado junto com o peixe.

No entanto, a grande revolução que moldou o sushi como o conhecemos hoje ocorreu durante o período Edo (1603–1868), na atual Tóquio.

Com a pressa da vida urbana da época, os japoneses buscavam formas mais rápidas de preparo que não exigissem meses de espera pela fermentação.

Foi nesse cenário que surgiu o nigiri sushi: pequenas porções de arroz temperadas com vinagre (para simular o sabor da fermentação de forma imediata) servidas com peixe fresco por cima.

O sushi tornava-se, então, o fast-food tradicional japonês, vendido em barracas de rua para consumo rápido.

O toque final da modernidade

A última peça desse quebra-cabeça histórico foi o chef Hanaya Yohei, no século XIX.

Ele aperfeiçoou o nigirizushi, passando a formatar o arroz com as próprias mãos e a marinar o peixe em molho de soja, eliminando de vez a necessidade de fermentação e garantindo o consumo imediato.

Após a Segunda Guerra Mundial, impulsionado pela imigração e pela globalização, o sushi atravessou oceanos e adaptou-se a novos paladares.

Hoje, embora o controle de qualidade seja rigoroso e o peixe seja servido em seu estado mais fresco, a essência do sushi permanece como um testemunho da evolução humana: uma solução técnica que se transformou em uma das maiores expressões culturais do planeta.