Em Pedágio, "cura gay" é criticada com humor e contundência

Filme tem direção e roteiro de Carolina Markowicz, a mesma de Carvão

Publicado em 2 de dezembro de 2023 às 05:00

Kauan Alvarenga e Maeve Jinkings
Kauan Alvarenga e Maeve Jinkings Crédito: divulgação

O humor é, definitivamente, uma das maneiras mais inteligentes de se fazer crítica social e dizer isso já virou até clichê. Ridicularizar aqueles que merecem ser ridicularizados é também uma forma de fazer crítica social. E, quando a ridicularização é feita com inteligência, originalidade e sutileza, a coisa fica ainda melhor. E é isso que o filme brasileiro Pedágio, que estreou nesta quinta-feira (30) nos cinemas, consegue.

Com direção e roteiro de Carolina Markowicz (Carvão/2022), Pedágio é uma ácida crítica à tal "cura gay" e ao charlatanismo daqueles que juram ser capazes de promovê-la. No filme, Maeve Jinkings (a Mila da série Os Outros) vive Suellen, uma cobradora de uma cabine de pedágio que é mãe do adolescente Tiquinho (Kauan Alvarenga), um menino que faz vídeos dublando as velhas divas americanas do jazz.

Constrangida por causa do comportamento homofóbico dos colegas de trabalho e das "piadas" que eles fazem com Tiquinho, Suellen cede à pressão social e resolve levar o menino para um "curso" de cura gay. Nele, o mentor é um homem que vem de Portugal jurando aplicar as técnicas mais modernas em seus métodos.

E aí que, incrivelmente, Carolina Markowicz consegue inserir humor para tratar de um tema tão revoltante. Num dos exercícios propostos no curso, o "professor" entrega aos alunos uma genitália modelada em uma massa: osa homens recebem um pênis e as mulheres, uma vagina.

O exercício - chamado de "ressignificação da genitália" - é remodelar a peça e transformá-la na genitália inversa. O guru acredita - ou finge acreditar - que os "doentes", fazendo isso diariamente, vão se curar, afinal vão se sentir atraídos pela genitália oposta.

Os diálogos são também muito bem escritos e o humor os permeia. Num deles, Suellen vai até a igreja que promove o curso e diz que seu filho está prestes a completar 18 anos. A recepcionista, então, lhe faz um alerta, para que a mãe leve logo o menino: "O Exu arrenda o corpo até os 17. Passou disso, é usucapião. Aí, fica uns 80% mais difícil [a cura]". É daqueles momentos em que, de tão patética a situação, só lhe resta mesmo rir. Mas que fique claro: Pedágio está longe de ser uma comédia.

É, sim, uma contundente crítica social e política, feita com muita inteligência e tem momentos dramáticos que causam tanto incômodo como o humor ácido do filme.

Em cartaz: Saladearte da Ufba, Saladearte Cinema, Cine Glauber Rocha, UCI Shopping da Bahia

Vanessa da Mata no Armazém Convention

Vanessa da Mata
Vanessa da Mata Crédito: divulgação

Vanessa da Mata leva neste sábado (2), ao Armazém Convention (Parque Shopping Bahia, Lauro de Freitas), a turnê Vem Doce. No espetáculo, a cantora apresenta 13 canções do álbum homônimo, o sétimo de sua carreira, lançado no primeiro semestre deste ano. No repertório, estão letras politizadas como Foice e Face e Avesso, para falar sobre injustiça social, precarização na educação, racismo, e outros temas. Mas, além das canções novas, o público vai ouvir os clássicos de Vanessa, como Boa Sorte, Amado, Não me Deixe Só e Ai Ai Ai, em celebração aos 20 anos de carreira dela. Além de Vanessa, se apresentam Jau e Casali, a partir das 20h. Os ingressos custam a partir de R$90 e estão à venda na Bilheteria Digital e na loja oficial do Armazém, no piso L2 do Parque Shopping.

No streaming, uma alternativa ao cinema comercial

Pouco falada, a plataforma de streaming Filmicca vale especialmente pelo acervo, que, se não é dos maiores, é de muita qualidade. Especialmente para os cinéfilos que desejam uma alternativa aos grandes sucessos de bilheteria ou às séries mais badaladas. O catálogo tem principalmente muito filme europeu, das mais diversas nacionalidades, desde britânicos, suecos e até os que chegam com muito pouca frequência por aqui, como os húngaros. Um dos destaques entre as categorias é a de cinema africano, com cerca de 20 filmes, de países como Burkina Faso (Samba Traoré), Quênia (Supa Modo) e Gana (Da Yie). Há ainda seções apenas com filmes dirigidos por mulheres; outra dedicada ao cinema latino e até ao cinema nórdico. E agora, uma ótima notícia: o valor da assinatura real é de R$ 60. Ou seja, R$ 5 por mês. A plataforma, no entanto, alerta que a adesão por esse preço é somente até o fim de dezembro. Faça as contas: se assistir a apenas um filme por mês, cada um sai por R$ 5. Uma boa chance de um acervo diferenciado e bastante diverso.