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Peça 'Ensinando a Transgredir' mostra que educação e transgressão podem andar juntos

Montagem reúne trechos de livro da ativista americana Bell Hooks

  • Foto do(a) author(a) Roberto  Midlej
  • Roberto Midlej

Publicado em 30 de agosto de 2025 às 06:53

Peça está em cartaz no Teatro Molière
Peça está em cartaz no Teatro Molière Crédito: Victor Sampaio/divulgação

Para alguns, educar se resume a dar ordens e cobrar disciplina de quem é educado. Para outros, a educação vai além disso e exige uma certa dose de indisciplina, mas, claro, sempre com respeito ao outro. E esse segundo pensamento é, provavelmente, o recado da peça Ensinando a Transgredir, que estreou nesta sexta-feira (29) e segue até 26 de setembro, no Teatro Molière, na Aliança Francesa.

No palco, os alunos de uma escola - supostamente pública - chegam em sala de aula e são surpreendidos com a provocação de um professor de filosofia, que pede aos estudantes que o xinguem. Diante do choque ao pedido do professor, há uma mobilização de diversos setores, incluindo a direção da escola, além dos pais de alunos, que se reúnem e exigem uma reação ao educador.

A direção é de Maroni Arap, que é também professor e palhaço, além de fundador do TOCA Teatro, que produz a montagem. O espetáculo é uma adaptação de diversos textos, com destaque para O Coro dos Maus Alunos, do português Tiago Rodrigues, e Ensinando a Transgredir, da americana Bell Hooks. Há ainda referências a Ato Parental (Tuna Serzedello), Coselho de Classe (Jô Bilac); Essa Criança (Joël Pomerat); Deus da Carnificina (Iasmina Reza); La Sala Roja (Victoria Hladilo) e Sala de Professores (Leonardo Cortez).

Segundo Marconi, o pedido do professor aos alunos tem um propósito: “Aquilo está associado a uma estrutura de pensamento que o professor viabiliza através de seu conteúdo. Aqueles alunos leem Platão, Aristóteles, Nietzsche… autores que falam sobre livre arbítrio, então aqueles estudantes podem falar sobre aquilo com o professor porque têm uma relação com ele no dia a dia”.

Marconi prefere dizer que o texto da peça não é original. “Mas a dramaturgia, sim”, observa. “Não nos sentimos autores do texto. Mantemos alguns trechos literais de algumas obras, sendo a obra mais significativa a de Bell Hooks. É um livro de 1994, mas impressiona como é atual”, afirma o diretor. Marconi destaca a influência que o educador brasileiro Paulo Freire exerceu sobre a americana: “Ela tributa Paulo Freire explicitamente e diz que foi aluna dela nos anos 1980, nos EUA”.

A responsabilidade de interpretar os trechos do livro de Bell Hooks ficou com a atriz e educadora Mariana Freire, que, como Marconi, é bacharel em teatro pela Ufba. Além de atuar no teatro, Mariana tem outra profissão: orienta as pessoas a falarem em público.“Fui convidada quando a montagem já estava sendo finalizada e fiquei extremamente encantada. Sou pesquisadora e trabalho muito com os textos de Bell Hooks. Nos trechos em que participo, faço uma reflexão crítica sobre o que está acontecendo com os alunos”, revela a atriz.

Mariana pensa como Bell Hooks: para ambas, a educação passa por uma grave crise. “Educação virou um assunto de capitalista. As empresas criaram uma educação que objetifica e retira da educação o poder que ela tem de transformar a realidade dos jovens. Em vez de criarem cidadãos com senso crítico, as escolas preparam os alunos para ‘vencer na vida’ e ganhar dinheiro”, lamenta a atriz.

SERVIÇO. Espetáculo Ensinando a Transgredir. Às sextas-feiras e no sábado 06/09, às 20h. Teatro Molière na Aliança Francesa (Ladeira da Barra, 401). Ingresso: R$ 50 | R$ 25

Muncab sedia lançamentos da literatura negra

A literatura negra terá uma série de lançamentos neste sábado (30), das 14h às 17h, no Muncab (Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira), promovida pela Editora Ogum’s Toques Negros. A festa terá ainda uma apresentação artística musical e recital de poemas, com apresentação de Ominirê Adún, Tau Zalika e Zamani Araújo e apresentação do samba reggae da banda Yayá Muxima. Durante a festa, serão lançados três livros da editora. O poeta Guellwaar Adún, radicado em Nova Iorque, retorna ao Brasil para apresentar seu livro Aubibéqui, que mistura formatos poéticos tradicionais e experimentais. Segundo o escritor e professor doutor Sílvio Oliveira, “Aubibéqui nos convoca a um passeio por subjetividades audaciosas, reencontrando arte, sabedorias negras e africanidades em diálogos com outras nascentes”. A escritora Mel Adún apresenta Banzo e Outras Saudades, que explora a experiência de viver fora do Brasil e a saudade sentida por famílias negras não cristãs. A obra apresenta poemas em formas de caligramas e reflete a “amefricanidade” da autora, marcada por diálogos literários com Guellwaar Adún e Ronald Augusto. Em Gamacopeia, Sílvio Roberto dos Santos Oliveira parte de sua pesquisa de doutorado para revisitar a obra de Luiz Gama. Dividido em seis partes, o livro mergulha nas narrativas e memórias do poeta.

SERVIÇO: Festa Literária Ogum’s Toques Negros. Sábado (30), 14h. Muncab. (R. das Vassouras, 25 - Centro Histórico)