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Dor na corrida? Ortopedista alerta para os riscos de escolher o calçado errado

Especialista do Sírio-Libanês revela que a escolha incorreta do calçado pode esconder armadilhas perigosas para suas articulações

  • Foto do(a) author(a) Alan Pinheiro
  • Alan Pinheiro

Publicado em 23 de março de 2026 às 18:24

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Saiba como escolher o tênis certo Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

Cada quilômetro percorrido numa corrida impõe ao corpo impactos sucessivos, uma carga que começa nos pés e pode alcançar joelhos, quadris e coluna. Neste contexto, o tênis é a primeira estrutura a absorver essa força e redistribuí-la. Mais do que acessório esportivo, ele funciona como a principal ponte entre o corredor e o solo, e pode influenciar tanto o desempenho quanto o risco de lesões.

“O ser humano é ligado à estética, mas nem sempre o que é bonito é o mais fisiológico, como, por exemplo, o salto alto”, afirma Arnaldo Hernandez, ortopedista do Hospital Sírio-Libanês. Segundo ele, o conforto imediato pode ser um bom sinal, mas não substitui uma avaliação mais criteriosa. “O calçado pode interferir na carga que chega às articulações. Se o corredor já tem algum problema prévio, essa escolha se torna ainda mais importante.”

Nike Pegasus por Reprodução

De acordo com o Ministério da Saúde, a corrida é uma estratégia acessível para a prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade1. Contudo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram quase um em cada três adultos (31%) não atinge os níveis recomendados de atividade física2.

Para o especialista, o tênis, por si só, não é um fator determinante nos benefícios da atividade, mas pode limitar o desempenho quando provoca dor. “O calçado só compromete os ganhos cardiovasculares se causar desconforto ou lesão a ponto de a pessoa correr menos. O problema não é o tênis em si, mas a limitação que ele pode impor”, explica Hernandez.

Corredores com pé plano, também chamado de pronado, por exemplo, tendem a distribuir o peso de forma mais intensa na parte interna do pé. Isso aumenta a sobrecarga no tornozelo e no tendão tibial posterior, estrutura que ajuda a sustentar o arco plantar. Já quem tem pisada supinada apoia mais a borda externa do pé, concentrando o impacto nessa região e elevando o risco de lesões laterais.

Entre os problemas mais comuns estão a fascite plantar, que é a inflamação da faixa de tecido que liga o calcanhar aos dedos; a tendinite do calcâneo, que afeta o tendão de Aquiles; e as inflamações nos ossos sesamoides, que são pequenas estruturas localizadas sob o dedão e responsáveis por auxiliar no impulso do passo. Em muitos desses casos, a escolha de um tênis com características específicas de solado pode ser decisiva para reduzir a dor e prevenir novas lesões.

“No caso de fascite plantar ou sesamoidite, um solado mais rígido pode proteger a estrutura ao limitar movimentos excessivos. Se há queda do arco do pé, um sistema que absorve mais impacto e oferece suporte pode ser importante. Já na tendinite do calcâneo, um modelo com a parte traseira um pouco mais elevada pode ajudar”, detalha o ortopedista.

Embora o mercado ofereça tênis com placas de carbono e sistemas avançados de amortecimento, Hernandez pondera que não existe um modelo universal. Para ele, cerca de 80% das pessoas estão dentro da normalidade biomecânica e costumam se adaptar bem a bons modelos disponíveis. As pessoas que apresentam alterações importantes na pisada ou histórico de lesões devem optar por um tênis mais personalizado, idealmente após avaliação com ortopedista, médico do esporte ou educador físico experiente.

O especialista também chama atenção para sinais de alerta durante os treinos. “A dor muscular de adaptação costuma melhorar em 24 a 48 horas, mas uma dor localizada que dura mais de dois ou três dias, principalmente no osso, na articulação ou no tendão, e que piora mesmo com redução da atividade, merece atenção, pois pode ser o início de uma sobrecarga estrutural.” E complementa: “O tênis é a interface entre o corpo e o chão. Escolher bem é uma forma de preservar as articulações e garantir continuidade na prática esportiva”, conclui.