Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Alan Pinheiro
Publicado em 28 de abril de 2026 às 20:13
Zico é Flamengo e Flamengo é Zico. Disso, todo mundo sabe. É impossível dissociar a figura de Arthur Antunes Coimbra como jogador do clube rubro-negro, mas há muito mais na história do ex-atleta para se explorar. É exatamente com essa ideia que o documentário Zico, o Samurai de Quintino estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros. >
Não é o primeiro e nem será o último documentário sobre a vida de Zico. Na produção de 2026, a novidade fica por conta do acesso ao arquivo pessoal do ex-jogador, que até então não tinha sido mostrado ao público. O filme se utiliza desse espaço de memórias, construído e catalogado especialmente para o projeto, para revisitar desde a infância de Arthur até os momentos de sua carreira como técnico do Japão.>
Novo documentário de Zico expõe vida do jogador para além do Flamengo
Essa costura de histórias que surge no mergulho de seu “museu pessoal”, também é utilizada para falar sobre o entorno de Zico. A esposa Sandra com seus desafios como mãe de três crianças em uma família que precisou viver em três países, os filhos com seus dilemas pessoais em relação a relação com o pai e até mesmo os amigos que ajudaram ao longo da carreira, como o tradutor Kunihiro Suzuki, ganham seus momentos de destaque.>
A câmera do diretor João Wainer é usada no documentário não como uma simples ferramenta de reprodução da realidade. A partir das imagens de arquivo, das novas gravações e dos depoimentos coletados, o filme monta uma narrativa que valoriza não só a figura do Galinho, mas provoca debates em torno da carreira de um jogador de futebol e de como é viver ao lado de um atleta de alto rendimento.>
Parte desse debate surge pelos próprios personagens do filme, como o filho Thiago Coimbra, que revelou ter sentido falta de conexão com o pai em alguns momentos da carreira de Zico. Além disso, a própria carreira do camisa 10 coleciona momentos “polêmicos”. O pênalti perdido na Copa do Mundo de 1986, a saída do Flamengo e a decisão de ir ao Mundial lesionado adicionam camadas a história de Zico.>
Além da história do jogador conseguir sustentar a narrativa, outro aspecto que se destaca na produção são as imagens em Super 8 e as reconstituições dos jogos. As imagens aproximam o espectador de um Zico mais cotidiano, ao mesmo tempo que voltam às partidas para relembrar os momentos de glória. >
As filmagens tiveram início em 2023, ano em que Zico completou 70 anos, e passaram por locais emblemáticos como a casa do jogador em Quintino, ruas do Rio de Janeiro e um set especialmente montado para receber convidados. O projeto também percorreu o Japão, país onde ele se tornou um pioneiro e desenvolvedor do futebol, do time operário do Sumitomo à seleção japonesa.>
Além do acervo, o documentário reúne depoimentos de personagens fundamentais da trajetória do camisa 10, como Júnior, Carpegiani, Carlos Alberto Parreira, Ronaldo Fenômeno e muitos outros. >
A passagem pela Udinese, no entanto, ganha pouco peso. As dificuldades de adaptação à Ásia e a jornada de como se estabeleceu como um dos profissionais mais importantes para a história do futebol do Japão abrem o documentário e engolem na narrativa o período em que Zico esteve na Itália.>
Início no Rio de Janeiro, na Europa, na Ásia e após a aposentadoria. O filme passa por todas essas fases, mas o principal continua sendo o clube rubro-negro. Zico é Flamengo e Flamengo é Zico. Para quem tem o Galinho como ídolo, há um potencial enorme de se emocionar com a passagem do jogador pela equipe carioca, que encontra seu ápice no título mundial de 1981. >
“O samurai é um guerreiro, um cara que acredita em tudo. É otimista, quer superar todas as dificuldades que possam vir pela frente”, afirma Zico.>