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Muito além do Flamengo: novo documentário expõe dores, família e os bastidores da vida de Zico

Documentário Zico, o Samurai de Quintino estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros

  • Foto do(a) author(a) Alan Pinheiro
  • Alan Pinheiro

Publicado em 28 de abril de 2026 às 20:13

 “Zico, o Samurai de Quintino” estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros
“Zico, o Samurai de Quintino” estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros Crédito: Divulgação

Zico é Flamengo e Flamengo é Zico. Disso, todo mundo sabe. É impossível dissociar a figura de Arthur Antunes Coimbra como jogador do clube rubro-negro, mas há muito mais na história do ex-atleta para se explorar. É exatamente com essa ideia que o documentário Zico, o Samurai de Quintino estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros.

Não é o primeiro e nem será o último documentário sobre a vida de Zico. Na produção de 2026, a novidade fica por conta do acesso ao arquivo pessoal do ex-jogador, que até então não tinha sido mostrado ao público. O filme se utiliza desse espaço de memórias, construído e catalogado especialmente para o projeto, para revisitar desde a infância de Arthur até os momentos de sua carreira como técnico do Japão.

“Zico, o Samurai de Quintino” estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros por Divulgação

Essa costura de histórias que surge no mergulho de seu “museu pessoal”, também é utilizada para falar sobre o entorno de Zico. A esposa Sandra com seus desafios como mãe de três crianças em uma família que precisou viver em três países, os filhos com seus dilemas pessoais em relação a relação com o pai e até mesmo os amigos que ajudaram ao longo da carreira, como o tradutor Kunihiro Suzuki, ganham seus momentos de destaque.

A câmera do diretor João Wainer é usada no documentário não como uma simples ferramenta de reprodução da realidade. A partir das imagens de arquivo, das novas gravações e dos depoimentos coletados, o filme monta uma narrativa que valoriza não só a figura do Galinho, mas provoca debates em torno da carreira de um jogador de futebol e de como é viver ao lado de um atleta de alto rendimento.

Parte desse debate surge pelos próprios personagens do filme, como o filho Thiago Coimbra, que revelou ter sentido falta de conexão com o pai em alguns momentos da carreira de Zico. Além disso, a própria carreira do camisa 10 coleciona momentos “polêmicos”. O pênalti perdido na Copa do Mundo de 1986, a saída do Flamengo e a decisão de ir ao Mundial lesionado adicionam camadas a história de Zico.

Imagens de se impressionar

Além da história do jogador conseguir sustentar a narrativa, outro aspecto que se destaca na produção são as imagens em Super 8 e as reconstituições dos jogos. As imagens aproximam o espectador de um Zico mais cotidiano, ao mesmo tempo que voltam às partidas para relembrar os momentos de glória.

As filmagens tiveram início em 2023, ano em que Zico completou 70 anos, e passaram por locais emblemáticos como a casa do jogador em Quintino, ruas do Rio de Janeiro e um set especialmente montado para receber convidados. O projeto também percorreu o Japão, país onde ele se tornou um pioneiro e desenvolvedor do futebol, do time operário do Sumitomo à seleção japonesa.

Além do acervo, o documentário reúne depoimentos de personagens fundamentais da trajetória do camisa 10, como Júnior, Carpegiani, Carlos Alberto Parreira, Ronaldo Fenômeno e muitos outros.

A passagem pela Udinese, no entanto, ganha pouco peso. As dificuldades de adaptação à Ásia e a jornada de como se estabeleceu como um dos profissionais mais importantes para a história do futebol do Japão abrem o documentário e engolem na narrativa o período em que Zico esteve na Itália.

Início no Rio de Janeiro, na Europa, na Ásia e após a aposentadoria. O filme passa por todas essas fases, mas o principal continua sendo o clube rubro-negro. Zico é Flamengo e Flamengo é Zico. Para quem tem o Galinho como ídolo, há um potencial enorme de se emocionar com a passagem do jogador pela equipe carioca, que encontra seu ápice no título mundial de 1981.

“O samurai é um guerreiro, um cara que acredita em tudo. É otimista, quer superar todas as dificuldades que possam vir pela frente”, afirma Zico.