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Alan Pinheiro
Publicado em 16 de maio de 2026 às 06:00
Tão importante quanto os resultados dentro de campo é a sustentabilidade financeira de cada clube de futebol. A preocupação não é diferente com a dupla Ba-Vi. O CORREIO teve acesso ao levantamento financeiro dos dois principais clubes do estado referente ao ano de 2025. >
O balanço, elaborado de forma independente pela EY, destaca os principais valores de receitas, custos e despesas e o endividamento das equipes. As informações foram obtidas a partir das demonstrações financeiras publicadas pelos próprios clubes.>
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Em 2025, a maior receita bruta pertenceu ao Bahia, que apresentou um faturamento total de R$ 571 milhões. O montante é mais que o dobro do faturamento do Vitória, que arrecadou R$ 253 milhões no mesmo período.>
Quando analisamos a receita operacional bruta recorrente (ou seja, os valores arrecadados desconsiderando as transferências de jogadores), o Esquadrão também se manteve à frente com R$ 402 milhões , enquanto o Leão registrou R$ 200 milhões.>
O mercado da bola também rendeu mais aos cofres tricolores. Nas negociações de atletas, o Bahia arrecadou R$ 169 milhões, contra R$ 53 milhões do Vitória. As receitas com direitos de transmissão e premiações continuam sendo uma fatia fundamental para ambos: renderam R$ 186 milhões ao Bahia e R$ 147 milhões ao Vitória.>
No quesito Matchday (que engloba bilheteria, sócio-torcedor e outras receitas geradas em dias de jogos), o Bahia teve um crescimento expressivo de 41% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 117 milhões. Já o rubro-negro arrecadou R$ 9 milhões nesta mesma categoria. O cenário de vantagem tricolor se repete nas receitas comerciais (patrocínios, licenciamentos e lojas), com o Bahia somando R$ 90 milhões frente aos R$ 44 milhões do Vitória.>
De acordo com o estudo, os dois clubes baianos comprometeram proporções muito semelhantes de suas receitas com despesas de pessoal — indicador que inclui salários, encargos, direitos de imagem e demais gastos com funcionários do futebol e do setor administrativo. O Bahia destinou 52% de sua receita total para esse fim , enquanto o Vitória comprometeu 51%.>
Ao analisar a composição interna dos custos de cada equipe, as despesas com pessoal representaram 64% do total das despesas operacionais do Bahia. No Vitória, essa rubrica correspondeu a 59% das despesas operacionais.>
O levantamento aponta um forte contraste no cenário de dívidas da dupla. O Vitória encerrou 2025 com um endividamento líquido de R$ 351 milhões. O Bahia, por sua vez, apresentou um endividamento líquido de R$ 168 milhões. Isso representa uma diminuição drástica de 80% das dívidas do clube tricolor na comparação com os R$ 821 milhões registrados em 2024.>
A diferença de cenários também é visível na relação entre a dívida e o faturamento. O índice de endividamento líquido sobre a receita total do Bahia foi de apenas 0,69x. O Vitória registrou um índice de 1,61x, demonstrando que a dívida atual do clube supera a sua arrecadação anual.>
Detalhando as dívidas, o Leão encerrou 2025 com um endividamento tributário de R$ 140 milhões , além de R$ 10 milhões em dívidas com empréstimos. Já o Esquadrão apresentou um endividamento tributário de R$ 15 milhões e não obteve ou não divulgou dívidas com empréstimos no período.>