TECNOLOGIA

Qual a distância entre a ficção e a realidade?

Pesquisa mostra que (muitas vezes) pode ser nenhuma!

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Publicado em 13 de maio de 2024 às 06:00

Ficção e realidade. Crédito: Foto de Paulo Silva por Unsplash

Você já se perguntou como filmes, séries e livros são capazes de prever eventos futuros? Mais ainda, como conseguem apresentar tecnologias criadas somente décadas depois? Esse texto trabalha o tema.

A ficção científica é um dos gêneros mais antigos nas artes, nascendo quando obras eram feitas e consumidas somente de forma analógica, com livros, peças de teatro, músicas ao vivo, dança e uma série de outras expressões artísticas. Desde os primórdios, também, ela apresenta previsões certeiras.

Não há sorte ou coincidência aqui: obras de ficção são feitas por seres humanos, os quais vivem em épocas com ansiedades e desejos sociais eminentes, os quais buscamos tornar realidade através de tecnologias. Quando ocorre o acerto, há uma observação interessante da jornada até aquele ponto.

Um artigo desenvolvido pela ExpressVPN cita como exemplo o livro “Twenty Twenty”, publicado em 1995, cuja temática central é uma devastadora pandemia. Nesse caso, precisamos lembrar que Covid-19 não foi a primeira epidemia enfrentada pela humanidade e, querendo ou não, não será a última.

O que a pesquisa da ExpressVPN nos diz

Como mencionado durante a introdução, parte da pesquisa publicada pela ExpressVPN foca no fato de que por trás de cada previsão existe um anseio social e cultural. Se a vigilância em massa aparece em uma obra, por exemplo, isso é um sinal de que há temores relacionados a um regime controlador.

Isso nos leva diretamente a outro ponto mencionado: a ficção científica como advertência a perigos do futuro. Elementos como a desigualdade, aprimoramento humano, uso de tecnologias para fins de guerra e militares e isolamento de pessoas na sociedade, estiveram presentes e já são uma realidade.

Tudo isso sem mencionarmos o fato de que, embora as obras de ficção científica sejam protagonistas aqui, elas não são as únicas capazes de quebrar a barreira entre a arte e o nosso mundo. Até mesmo obras com elementos de fantasia, como é o caso da franquia Star Trek, trazem mensagens valiosas.

4 exemplos de ficção que se tornaram realidade

Retomando a menção ao artigo da ExpressVPN citado durante a introdução, vamos utilizá-lo como base para explorar 4 tecnologias surgidas na ficção que se tornaram realidade muito tempo depois. Naturalmente, o que não falta são exemplos, de modo que escolhemos alguns dos mais emblemáticos.

1 – Drones: Duna, 1965

A (até agora) duologia “Duna”, dirigida pelo cineasta Denis Villeneuve, é uma das mais bem-sucedidas da década, mas nem todos sabem que a história é bem mais antiga. O livro original, do qual o longa-metragem é uma adaptação, foi lançado em 1965, no ápice das obras de arte sobre a ficção científica.

O artigo da ExpressVPN relaciona o livro com a aparição dos drones, os quais, no contexto da obra, são chamados de “ornitópteros”. Nos dois casos, trata-se de dispositivos voadores não tripulados que servem a propósitos diversos, entre a exploração de espaços distantes e a vigilância das populações.

2 – Videoconferências: Os Jetsons, 1962

Quando pensamos em um mundo futurista, é muito provável que a imagem em nossa cabeça seja exatamente aquela representada pelo desenho Os Jetsons, mais de meio século atrás. Isso é curioso, considerando que a obra é bastante antiga, mas ajuda a demonstrar a sua importância na cultura pop.

Dentre as dezenas de previsões tecnológicas apresentadas no desenho, aquela que merece um maior destaque são as videoconferências. A ideia era o principal meio de comunicação entre os personagens, mas só se tornou algo comum em nosso dia a dia a partir dos anos 2010, com o Zoom, Skype e outros.

3 – Traduções em tempo real: O Guia do Mochileiro das Galáxias, 1979

A comunicação entre seres humanos de diferentes culturas é um tema recorrente na literatura, com o principal exemplo sendo a Torre de Babel, mito-fundador citado no livro de Gênesis, na Bíblia. Como tal, a busca por uma comunicação entre todos os povos do mundo sempre esteve presente nas ficções.

Em “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, a tradução de idiomas em tempo real faz parte da narrativa, algo que só foi desenvolvido várias décadas depois. Atualmente, existem múltiplas ferramentas que possibilitam a comunicação entre indivíduos que não falam a mesma língua, utilizando apps e gadgets.

Avanços tecnológicos. Crédito: Imagem de Possessed Photography por Unsplash

4 – Inteligências artificiais: Metrópolis, 1927

“Metrópolis” é a obra mais antiga dessa lista, sendo um longa-metragem lançado em 1927. E o mais impressionante? O filme traz uma das tecnologias mais avançadas, aquela das inteligências artificiais. Não somente as IA mais rudimentares, as quais existem desde a década de 50, mas aquelas refinadas.

No filme, as inteligências artificiais são usadas para desenvolver robôs, os quais têm como objetivo substituir seres humanos em tarefas difíceis ou perigosas. Quase um século após o lançamento do filme, esse tipo de conceito já é uma realidade, e as discussões a respeito do assunto seguem firmes.

É certo dizer que as previsões acertadas não acabaram. Livros de ficção publicados hoje com toda a certeza serão redescobertos décadas no futuro e usados como exemplos de obras de arte que previram certas tecnologias. Esse é, inevitavelmente, o ciclo do desenvolvimento tecnológico humano.

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