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Certificados falsos de vacina contra a covid são vendidos por até R$ 200 em grupos de mensagens

Pesquisa da Ufba monitorou mais de 86 mil mensagens compartilhadas no país

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 19 de maio de 2026 às 16:12

A linhagem também foi usada em pesquisas que apoiaram o desenvolvimento e os testes de vacinas contra a COVID-19
Pesquisadores monitoram grupos e canais de mensagens Crédito: Maksim Goncharenok / Pexels

A venda de certificados falsos de vacinação em grupos de mensagens no Brasil é tema de um estudo conduzido pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Os pesquisadores identificaram anúncios oferecendo comprovantes fraudulentos por valores entre R$ 150 e R$ 200 na plataforma Telegram. 

O estudo foi realizado pelo Programa Integrado de Economia, Tecnologia e Inovação em Saúde (Pecs), do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba, em parceria com o Laboratório de Humanidades Digitais da universidade.

A análise examinou 86.568 mensagens compartilhadas em 542 canais e 286 grupos do Telegram entre abril de 2025 e março de 2026. O nome da pesquisa é "Ecossistemas multiplataforma e ataques à integridade da informação em saúde: impactos, padrões de disseminação e estratégias de mitigação". 

Segundo a pesquisadora Maria Paula Caldas, doutoranda do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba, a venda de certificados falsos apareceu como um dos principais achados da pesquisa. “Esses atores se monetizam em cima da desinformação sobre vacinas. Eles entram em grupos específicos, em que já circulam conteúdos antivacina, para se aproveitar da fragilidade das informações que circulam ali”, afirmou.

A pesquisadora explicou que os vendedores atuam em “câmaras de eco”, grupos formados por pessoas que já desconfiam da vacinação e das instituições de saúde. “A pessoa não quer se vacinar, não confia na vacina, mas compra um passaporte para fingir que já se vacinou”, explicou. 

As mensagens encontradas pelos pesquisadores prometiam certificados “idênticos” aos oficiais e afirmavam que o pagamento só seria feito após a confirmação das doses no aplicativo. Entre os textos identificados estavam anúncios como: “Comprove que tomou o veneno sem tomar” e “Não intoxique seus filhos”.

De acordo com Maria Paula, a pesquisa, por enquanto, só identificou a venda de certificados relacionados à vacina contra a covid-19. “Essa necessidade do certificado de vacina foi exigida para viagens, oportunidades de emprego e acesso a alguns países. Por enquanto, a gente só identificou sobre a covid”, explicou.

Ela também destaca que a fraude não envolve invasão ou participação de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). “Não existe fraude relacionada ao sistema de controle do SUS. O que eles fazem é replicar e fraudar o formato da comprovação”, afirmou. Nos meios oficiais, a pessoa continua sem o cadastro de vacina, mesmo comprando o documento falso. 

Além da venda dos certificados, o estudo também identificou outras formas de monetização da desinformação, como a venda de supostos “detox vacinais”, produtos vendidos com a promessa de “desintoxicar” pessoas vacinadas.

A pesquisa ainda está em andamento e deve resultar na criação de um painel público de monitoramento da desinformação sobre vacinas no Brasil. A ferramenta pretende mapear regiões, tipos de conteúdos falsos e padrões de disseminação, auxiliando órgãos públicos na formulação de políticas de enfrentamento. Por enquanto, as cidades em que os atestados falsos foram vendidos não foram divulgadas.