ACIDENTE

Cinco carros são danificados após incêndio de ônibus do Comércio

Proprietários vão exigir ressarcimento

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  • Gil Santos

Publicado em 6 de maio de 2024 às 15:18

Carro do supervisor de vendas Silas Bento ficou danificado Crédito: Arisson Marinho/ CORREIO

Pelo menos cinco carros ficaram danificados após um incêndio em um ônibus no bairro do Comércio, na manhã desta segunda-feira (6). Os veículos estavam estacionados na Avenida da França, próximo de onde o coletivo pegou fogo, e tiveram partes derretidas ou retorcidas por conta do calor. Proprietários já informaram que vão exigir o ressarcimento por parte da empresa responsável pelo coletivo.

O advogado Leonardo Bamberg, 34 anos, contou que estacionou o veículo, um Hyundai Creta, atrás do ponto de ônibus, por volta das 7h, e seguiu para uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho. Quando retornou, às 12h, já encontrou o carro danificado.

"Eu sempre estaciono nessa região. Perdi lanterna, para-choque, para-lama, as partes plásticas foram todas corroídas pelo calor, a faixa lateral caiu e o retrovisor também foi embora. Vou fazer um boletim de ocorrência, entrar em contato com a seguradora, e depois, entrar em contato com a empresa de ônibus", afirmou o advogado.

Ele fez uma avaliação da situação. "Esse é um caso de dano. Ainda que o incêndio não tenha ocorrido de forma proposital, parece ter sido um problema elétrico no veículo, mas isso me gerou um dano, além do tempo que vou perder para resolver tudo", disse.

Silas Beto ainda está avaliando o prejuízo Crédito: Arisson Marinho/ CORREIO

O carro de Leonardo estava estacionado em uma Zona Azul, entre um Pálio Vermelho e um Sandero Prata, que também sofreram avarias. Do outro lado da avenida estava o Etios Branco do supervisor de vendas Silas Bento do Nascimento, 56 anos, que tinha deixado o carro para participar de um curso na região.

"Estacionei, paguei a Zona Azul e fui até a Marinha para fazer um curso. Quando voltei para pegar meu veículo, encontrei essa situação. Estou buscando os trâmites para saber o que fazer. Ainda estou atônito com tudo isso", contou Silas, enquanto observava a situação do carro.

O maior impacto foi na lateral direita do veículo. As lanternas derreteram e a lataria ficou retorcida. O Uno Prata que estava estacionado logo atrás também sofreu avarias, mas o motorista não foi localizado pela reportagem.

Testemunhas contaram que a agilidade do motorista foi crucial Crédito: Arisson Marinho/ CORREIO

Acidente

O ônibus saiu de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, às 9h07, com destino à Barra. O motorista José Santos, 60 anos, percebeu a fumaça quando estacionou no Terminal da Avenida da França para o desembarque dos passageiros e deu o alerta. Era por volta das 10h30 e o coletivo estava lotado, com pessoas em pé, mas todos conseguiram sair ilesos.

"Eu tinha acabado de estacionar e abrir as portas. Os passageiros ainda estavam desembarcando quando vi as chamas. Avisei que o carro estava pegando fogo, corri e peguei o extintor, mas não resolveu, porque o fogo estava muito alto", contou João.

Enquanto o motorista lutava para controlar as chamas, a cobradora Débora Silva, 38 anos, orientava os passageiros a atravessar a rua e aguardar na calçada pela chegada de outro coletivo. Ela desceu apenas com o celular nas mãos e não conseguiu salvar a mochila onde estava o almoço e os documentos.

"Assim que o motorista encostou, subiu a fumaça. Ele pegou o extintor e eu pedi para os passageiros descerem e aguardar, porque eu colocaria eles em outro carro. Paramos um Barra R2 e eles seguiram. Eu agi rápido na hora, mas assim que passou, que a ficha caiu, eu fiquei toda arrepiada e muito nervosa", contou a cobradora.

Ônibus estava lotado e ficou completamente destruído Crédito: Arisson Marinho/ CORREIO

O motorista voltou para pegar o celular, conseguiu recuperar o aparelho, mas perdeu a mochila. João tem 38 anos como rodoviário e Débora tem 15 anos como cobradora. Eles contaram que nunca passaram por nada parecido. O auxiliar administrativo Davi Souza, 27 anos, estava no ponto de ônibus quando o incêndio começou. "Eu estava esperando pelo Barra, então, eu ia pegar esse carro. O ponto tinha muita gente e todo mundo saiu correndo", contou.

O fogo formou uma coluna de fumaça que podia ser vista da Cidade Alta e que atraiu a atenção de curiosos. Os bombeiros chegaram cerca de 15 minutos depois e apagaram as chamas, mas o fogo destruiu totalmente o veículo. Durante o trabalho o trânsito precisou ser bloqueado, o que provocou congestionamento na região.

Grupo saqueia a carcaça logo após o incêndio Crédito: Arisson Marinho/ CORREIO

Logo após as chamas serem debeladas o tráfego foi liberado e cerca de dez pessoas começaram a saquear a carcaça do veículo. O grupo estava em busca de cobre e outros tipos de metais. Houve um breve desentendimento entre eles, e mesmo quando o fogo voltou em uma das rodas traseiras, os saqueadores resistiram em se afastar. Os bombeiros precisaram pedir passagem e apagaram o incêndio.

Apesar do susto, ninguém ficou ferido.

Procurada, a Integra, responsável pelo transporte rodoviário de Salvador, afirmou que o incêndio aconteceu em decorrência de uma pane elétrica.