Dia Mundial do Diabetes: especialistas explicam importância da alimentação no controle da doença

Especialistas alertam que doces e industrializados não são únicos violões

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  • Emilly Oliveira

Publicado em 14 de novembro de 2023 às 11:00

Nutróloga explica importância da alimentação no controle da doença
Nutróloga explica importância da alimentação no controle da doença Crédito: REPRODUÇÃ

Quem convive com a diabetes descontrolada, pode enfrentar desde desconfortos físicos até condições que podem levar à morte. Neste Dia Mundial e Nacional do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, especialistas alertam para o papel fundamental da alimentação no controle da doença e listam os alimentos que ajudam nessa missão.

Segundo explica a pós-graduada em endocrinologia, Jacqueline Kalil, o descontrole da diabetes é provocado pelo excesso de glicose no organismo. Condição que pode ocasionar dormência nas mãos, perda de sensibilidade, sensação de queimação, dor, má circulação e piora da cicatrização. Entre os sintomas mais graves estão a cegueira, doenças renais, cardíacas e o risco de amputação.

Por isso, a nutricionista Carolina Dias, sócia da clínica Carolina Dias e criadora do programa de emagrecimento Mereço+, alerta que os produtos industrializados e o açúcar, como estamos acostumados a misturar no café ou em sucos, não são os únicos alimentos que se transformam em açúcar no sangue.

A lista de vilões ainda inclui alimentos açucarados como doces, bolos, sorvetes e refrigerantes e os ricos em carboidratos simples como pães, massas e arroz branco. Além disso, algumas frutas com alta carga glicêmica ingeridas em grandes quantidades (bananas, melancia, melão).

“Os pacientes acham que a fruta é saudável, mas eles comem, por exemplo, uma caixa de uva. A uva, apesar de ser uma fruta, tem frutose, que é o açúcar da própria fruta, mas com uma carga glicêmica altíssima. Daí o perigo das pessoas com diabetes consumirem qualquer fruta e em quantidades exageradas”, explica Carolina.

Em contrapartida, a lista positiva inclui: frutas de baixa carga glicêmica (maçã, pêra, tangerina, kwiu e ameixa) e farinhas integrais (de oleaginosas - castanhas -, sem glúten).

Ainda segundo Carolina, esses alimentos liberam os seus açúcares com menos velocidade, dando tempo do organismo digeri-lo e maior quantidade de gorduras boas que reduzem os problemas cardiovasculares. Os problemas cardíacos são condições que os diabéticos têm mais tendência de adquirir.

Estratégias inteligentes

A nutricionista Lara Cavalcante, formada pela UNEB, pós graduanda em saúde da mulher e estética com área de atuação e atendimento para mulheres com obesidade, endometriose, SOP, tentantes e aquelas que se encontram na menopausa, alerta que mesmo com alimentos mais saudáveis é preciso ter equilíbrio e adotar algumas estratégias para manter a doença controlada. São elas: não passar muitas horas sem se alimentar e dar prioridade preparar o alimento cozido, grelhado ou consumi-los cru.

“Também precisamos evitar frituras, para promover o controle da diabetes e viver bem com a doença. Além de buscar sempre um acompanhamento médico para a prática de exercícios físicos”, destaca Lara.

Carolina Dias ainda adiciona: deve-se evitar comer mais de três frutas por dia, e duas frutas diferentes de uma vez. O ideal é consumir as frutas com alto teor glicêmico em quantidades pequenas e associadas com fibras (aveia etc).

Acompanhamento nutricional

Quem cumpre muitas funções, sabe que a correria do dia a dia pode atrapalhar a atenção dada a alimentação, mesmo quando se convive com a diabetes. Por isso, a médica nutróloga Hilloa Rodrigues, destaca que o acompanhamento nutricional facilita o controle do consumo de carboidratos na alimentação. Estratégia indispensável para o controle da doença.

"A gente vai priorizar alimentos que sejam mais naturais como os carboidratos complexos das raízes, aipim, inhame, batata doce, em um planejamento de cardápio que respeite a quantidade de carboidratos durante o dia, vamos utilizar frutas, verduras, legumes, de uma forma também equilibrada, priorizando as frutas que têm o índice glicêmico mais baixo", explica Hilloa.

Ainda segundo ela, as proteínas também podem entrar no cardápio de maneira equilibrada. "Podemos incluir as carnes, frangos e peixes variados, sempre preferindo as carnes magras. Vamos dar ênfase as gorduras boas como do abacate e azeite de oliva. Faremos uma alimentação que seja rica em coisas mais naturais evitando sempre os industrializados e processados", acrescenta Hilloa.