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Duas turistas gaúchas são baleadas em destino turístico do sul da Bahia

Caso foi registrado na manhã desta terça-feira (24)

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 13:49

Vítimas foram socorridas de helicóptero
Vítimas foram socorridas de helicóptero Crédito: Reprodução

Duas mulheres, de 55 e 57 anos, foram baleadas na manhã desta terça-feira (24) no distrito de Corumbau, na cidade de Prado, no sul da Bahia. As vítimas, que são naturais do Rio Grande do Sul, estavam a bordo de um veículo de passeio. No final do dia, a polícia informou que 12 pessoas foram presas

Elas foram socorridas de helicóptero para o Hospital Regional de Porto Seguro, como mostram vídeos compartilhados nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver que uma das vítimas é carregada até a aeronave.

O carro de passeio onde elas estavam tem marcas de disparos de arma de fogo. As turistas estavam de roupa de banho no momento em que foram atingidas. 

Turistas são baleadas no sul da Bahia por Reprodução

As mulheres estariam a caminho de Barra do Cahy, considerada a primeira praia do Brasil, quando foram vítimas dos disparos de arma de fogo. 

Conflitos por terras 

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) emitiu uma nota, nesta terça-feira (24), denunciando que indígenas Pataxó foram surpreendidos com um cerco as estradas de acesso ao distrito de Corumbau, onde as turistas gaúchas foram atingidas. A Apib afirma que os disparos teriam sido disparados por pistoleiros e diz ainda que uma família indígena foi sequestrada.

"Exigimos imediata proteção dos povos e da população no território, apuração dos fatos e esclarecimento amplo na mídia sobre as notícias difamatórias que circulam nas redes sociais", diz a Apib, em nota. "A Terra Indígena Comexatibá foi declarada de posse permanente do povo Pataxó pelo Ministério da Justiça em novembro de 2025, por meio da Portaria nº 1.073, após décadas de luta pelo reconhecimento de nossos direitos territoriais", completa. 

Queremos afirmar de forma clara e inequívoca que os disparos que atingiram as turistas não foram efetuados por indígenas do movimento pela Terra Indígena Comexatibá. Essa versão amplamente compartilhada em perfis de redes sociais contraria a realidade dos fatos e as informações que nossos próprios membros nos forneceram

Apib 

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil

Investigação

Em nota, a Polícia Civil confirmou que o caso é investigado pela Delegacia Territorial de Prado. "Diligências são realizadas com o objetivo de identificar autoria e motivação para o crime", afirma. A polícia diz ainda que, segundo informações preliminares, um grupo de pessoas armadas efetuou disparos de arma de fogo contra as vítimas.

Procurada, a Polícia Militar solicitou que a reportagem entrasse em contato com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Isso porque a área é palco de conflitos de terras e ocupações indígenas. A secretaria não se pronunciou sobre o caso. A Prefeitura de Prado e a Polícia Federal também foram procuradas. 

A Secretaria da Segurança Pública da Bahia informou que determinou o reforço imediato do patrulhamento da Polícia Militar na cidade de Prado e ressalta que a Polícia Civil investigará o caso, visando identificar e prender os autores dos disparos. 

Há duas semanas, um restaurante localizado na região turística foi invadido por criminosos armados. Em comunicado publicado nas redes sociais, o Manzuko Beach Club, na Barra do Cahy informou que teve prejuízo de R$ 300 mil. "Caseiros foram rendidos, tiros foram disparados durante a madrugada e pessoas que apenas trabalhavam para viver tiveram suas vidas colocadas em risco", disse, em nota. O espaço segue fechado desde então.