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Embalada por Bienal, Salvador amplia em 28% empresas que vendem livros

Marco da capital baiana acompanha crescimento de 7,4% do varejo de livros no Brasil

  • Foto do(a) author(a) Alan Pinheiro
  • Alan Pinheiro

Publicado em 16 de abril de 2026 às 05:00

Bienal do Livro Bahia 2026 é a aberta nesta quarta (15) com presença de autoridades e escritores
Bienal do Livro Bahia 2026 é a aberta nesta quarta (15) com presença de autoridades e escritores Crédito: Sora Maia/CORREIO

“Eu gosto de olhar, de relembrar e de sentir aquele cheiro gostoso de livro”. Com a mesma empolgação de quem escreve uma carta de amor, a baiana Amanda Martins marcou presença no primeiro dia de Bienal do Livro 2026 em Salvador. Além da presença forte do público no evento, a economia também tem outro motivo para comemorar, já que o varejo de livros no Brasil iniciou o ano com um crescimento de 7,4% no último mês de janeiro.

O principal destaque deste início de ano é o expressivo crescimento no volume de vendas, que saltou de 4.974.947 exemplares no primeiro mês de 2025, para 5.344.178 no mesmo período de 2026. Esse aumento nas unidades vendidas refletiu diretamente no faturamento do setor, que cresceu 4,4%. A arrecadação total no mesmo período passou de R$ 290.535.300,96 para R$ 303.450.351,93, de acordo com dados do recém-divulgado Painel do Varejo de Livros no Brasil, da NielsenIQ BookData em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

Bienal do Livro Bahia 2026 é a aberta nesta quarta (15) com presença de autoridades e escritores por Sora Maia/CORREIO

O crescimento de receita ocorreu mesmo com uma redução no preço cobrado do leitor. O preço médio do livro caiu de R$ 58,40 em 2025 para R$ 56,78 neste ano. Essa dinâmica é explicada pela política promocional mais agressiva adotada pelo varejo, já que o desconto médio oferecido ao consumidor saltou 4,4 pontos percentuais, passando de 16,83% para 21,26% no período analisado.

A alta no mercado está sendo acompanhada de perto por Salvador. O número de comércios varejistas de livros registrados na capital baiana cresceu 28% nos últimos três anos, saltando de 1347 empresas em 2023 para 1726 no fim do ano passado, segundo dados da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz). O número inclui não só livrarias, mas editoras e outras empresas que vendem livros.

Oportunidade de comprar

Com o início da Bienal do Livro, a diretora do evento, Tatiana Zaccaro, acredita que ainda é possível melhorar o índice. “Os dados de Salvador reforçam um cenário bastante positivo para o incentivo da leitura. Mais do que observar esse movimento, portanto, a Bienal entende que tem um papel ativo de não apenas refletir o mercado, mas também impulsioná-lo. Nosso propósito é ampliar o acesso ao livro, formar novos leitores e fortalecer toda a cadeia produtiva”, comenta.

Tatiana acrescenta que a Bienal é uma oportunidade de despertar o hábito e criar novos leitores. O evento foi exatamente o que Raquelle Cristina precisava para começar a se aprofundar no universo da leitura. A estudante de Itaparica saiu com quatro livros nas mãos, dois para ela e o restante para a irmã.

“Está sendo muito legal, porque eu sou uma pessoa que não costumo ler. Com essa oportunidade de participar desse evento, eu vou experimentar isso e ver se eu consigo ficar mais imersa nesse mundo da leitura”, diz.

Colega de Tatiana, Maylana Vitória estava animada para comprar livros físicos. Ela argumenta que, embora o formato digital tenha suas qualidades, não tem comparação com os benefícios de ter as obras na estante. “É muito melhor. Tanto para a nossa visão, ortografia, quanto a praticidade no cotidiano”, avalia.

Em defesa dos livros físicos, a gerente comercial da Editora Fósforo, Luciana Maia, acrescenta que o formato auxilia no processo de “detox digital”. “O importante é justamente você ter esse tempo dedicado fora da tela, a sensação física mesmo de abrir o livro, de poder deitar numa rede e sair um pouco desse mundo digital que está consumindo a gente”, complementa.

Gênero mais comprado

O Painel do Varejo de Livros no Brasil também revela que a distribuição das vendas entre os diferentes gêneros literários sofreu alterações notáveis de um ano para o outro. A categoria de ficção foi a grande estrela, ganhando 5,2 pontos percentuais em importância no faturamento. Sua participação de mercado subiu de 21,4% em 2025 para 26,6% em 2026.

Mesmo com uma queda, a categoria de não ficção manteve a liderança do mercado. Entre livros para o público geral, produções acadêmicas e obras de especialistas, o grupo representa 41,1% do faturamento em 2026, contra 46,7% no ano passado. Já os livros infantis, juvenis e educacionais passaram a representar 32,2% do faturamento, contra 31,9% em 2025.

Ao analisar o desempenho do setor, o painel revela que os livros de colorir tiveram grande peso nos resultados do mercado. Quando essa categoria é excluída da conta, a performance do mercado em 2026 continua positiva, porém em patamares um pouco mais contidos.

Títulos disponíveis no MEC Livros por divulgação

Sem contabilizar os livros de colorir, o crescimento no volume seria de 5,2% e o faturamento seria de 3,7%. Essas obras impulsionaram a média geral do mercado para os já citados 7,4% e 4,4%, respectivamente.

Os dados do relatório foram coletados diretamente do “caixa” de livrarias, e-commerces e varejistas colaboradores. Isso significa que o sistema captura todas as vendas realizadas efetivamente dentro de lojas físicas e virtuais.

A metodologia não cobre vendas feitas pelas editoras para outros canais de distribuição, como vendas diretas ao consumidor pelas editoras, distribuições atacadistas, vendas para governos ou compras institucionais para bibliotecas.