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Bienal do Livro 2026: por que a Bahia entrou no radar das grandes editoras do Brasil?

Evento começa nesta quarta-feira (15) e cresce em público, estrutura e relevância

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 15 de abril de 2026 às 05:00

Bienal começa nesta quarta (15)
Bienal começa nesta quarta (15) Crédito: João Moura

A Bienal do Livro Bahia cresce a cada edição. Em todos os sentidos possíveis: o número de visitantes nesta edição, que começou nesta quarta-feira (15) e segue até 21 de abril no Centro de Convenções de Salvador, deve superar em 20% os 100 mil de 2024. A área de exposição aumentou em mais de 25%. E a quantidade de expositores segue a mesma linha, saindo de 108 em 2024 para 122 este ano – um crescimento de praticamente 13%. As informações são da organização do evento.

A expansão chama atenção das grandes editoras, que vêm adotando estandes próprios na Bienal na Bahia, além da participação indireta, através de distribuidoras. Entre os expositores deste ano, estão Companhia das Letras, HarperCollins Brasil, Ciranda Cultural, Aleph, Malê e Planeta.

Aline Bei por Divulgação

“As grandes marcas do mercado editorial vêm para a Bienal Bahia e entendem que esse contato direto com o público aqui faz toda diferença para a estratégia deles de marca e de negócio. Isso ‘corre’ no mercado. E o público da Bahia é muito receptivo, tem curiosidade, valoriza essa presença”, afirma Tatiana Zaccaro, diretora-geral da Bienal do Livro Bahia.

Nas conversas com marcas de fora do Nordeste, Zaccaro afirma que alguns desafios costumam ser mencionados, uma matemática que nem sempre é simples. Entram na equação custos como passagens, hospedagem e frete, que são mais baixos em eventos em São Paulo e Rio de Janeiro.

“Acreditamos que com essa ‘continuidade’ do evento, a matemática vá ficando cada vez melhor. Mas, é importante desenvolvermos o olhar de que nem tudo é custo. A Bienal é também investimento. O contato direto com o público vale muito para o negócio, para os autores, para a marca e traz dividendos em médio e longo prazo”, afirma.

Reconhecida como o principal evento de literatura, cultura e entretenimento do Nordeste, a Bienal do Livro Bahia terá mais de 100 horas de conteúdo em sua programação. Parte dela virá das iniciativas da Editora Planeta, que traz um estande próprio pela primeira vez nesta edição. Entre as atividades, estão sessões com autores, kits exclusivos, promoções e brindes.

Gerson Ramos, diretor comercial da Editora Planeta do Brasil, afirma que um dos aspectos que tornam a Bahia atraente para a marca é o comportamento do público, que está alinhado ao crescimento da região como um todo no consumo de livros. De acordo com o Panorama do Consumo de Livros de 2025, elaborado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Nielsen BookData, o Nordeste é a segunda região com mais consumidores.

“A maneira que uma editora tende trazer o seu catálogo de maneira mais abrangente ou podendo fazer uma oferta maior é estando presente. E não só presente com a sua placa lá, mas com um treinamento voltado especificamente para divulgar os autores que a gente tem, principalmente os da região. Nós temos autores que vieram da Bahia que têm performado muito bem no Brasil inteiro. A nossa ideia é demonstrar para os leitores baianos a nossa vontade de ampliar essa interlocução que já temos”, diz.

A distância, ele reforça, tem seu impacto. Mas nada que planejamento e organização não contornem – além de conhecimento do público. Segundo o diretor comercial, as grandes redes de livrarias costumavam seguir um modelo de concepção de catálogo elaborado a partir das centrais em São Paulo, o que fazia com que só o leitor estabelecido em São Paulo fosse levado em consideração. Agora, as lojas têm maior gestão e decisão de compra nas cidades, o que amplia a capacidade de entender o perfil dos leitores e quais autores são mais ansiados, por exemplo.

“A gente não só está participando da feira em Salvador como constituiu uma pessoa, uma profissional de vendas dentro da cidade. E com isso a gente não só estreita a relação como amplia o nosso entendimento do que o público baiano deseja ler e como ele deseja receber. Então, acho que a dificuldade está muito mais na capacidade de cada editora saber interpretar e se adequar às necessidades do público”, afirma.

União de sucesso

Se a Planeta tem expectativas altas para a estreia do estande, marcas como a HarperCollins repetem uma receita de sucesso. A editora, que trouxe seu catálogo por conta própria pela primeira vez em 2024, retorna este ano com um espaço de 80m², lançamentos de livros e encontros com autores.

Para Daniela Kfuri, diretora de Marketing e Vendas da HarperCollins Brasil, a Bienal do Livro Bahia atua como um ponto-chave na aproximação entre a editora e o público baiano. “Ter um estande é uma oportunidade muito rica de estar junto das pessoas, ouvir, entender o que elas pensam sobre livros, sobre a editora e sobre os nossos produtos. No fim das contas, a decisão foi bem natural: se é uma das regiões que mais cresce e um dos principais eventos do mercado acontece ali, não fazia sentido ficar de fora”, diz.

Socorro Acioli por Divulgação

Não ter um ponto próprio nos eventos não significa que as editoras não estão presentes: os distribuidores e parceiros ajudam muito nisso, levando livros de diversas casas para leitores de todo o Brasil. Quando esse ponto existe, porém, isso exige outro nível de investimentos, custos de montagem, equipe e operação, tudo assumido diretamente pela editora.

“Por isso, é uma decisão mais estratégica. O que orienta essa escolha é o potencial do evento e da região. Quando percebemos maior engajamento do público, relevância cultural e crescimento em faturamento, passa a fazer sentido investir em uma presença mais direta”.

Engajamento que vem sendo visto no público da Bienal da Bahia, segundo ela. “Existe um interesse forte em encontrar boas promoções, novos autores, condições especiais e brindes, algo comum em outras feiras, mas que na Bahia parece ainda mais marcante”.

Editoras independentes marcam presença

A Bienal do Livro Bahia terá também um espaço reservado para as editoras independentes. Dezesseis editoras de pequeno porte de diferentes regiões do Brasil se uniram em uma iniciativa inédita: o coletivo Compiladas, por onde passarão autores e autoras nacionalmente conhecidos, como Leda Maria Martins, Diane Lima, Bianca Santana, Jorge Augusto e Luciany Aparecida.

O coletivo Compiladas, que estreou na Bienal do Livro do Rio em 2025, se destaca por integrar editoras com catálogos de excelência gráfica e editorial, pela relevância literária e pela influência cultural. São elas: Arquipélago Editorial, Dublinense (Rio Grande do Sul); Bazar do Tempo, Editora Cobogó, Ímã Editorial, Mórula, Editora Oficina Raquel, Seiva, Tabla (Rio de Janeiro); Editora Ercolano, Editora Fósforo, Lote 42, Nós, Ubu (São Paulo); Relicário (Minas Gerais); e Solisluna (Bahia).

Todas as editoras são 100% brasileiras e independentes, isto é, não integram nenhum grupo editorial ou econômico. Quase todas as Compiladas foram fundadas no século 21 – a exceção é a baiana Solisluna, com mais de 30 anos de existência. A Solisluna, aliás, é a única representante do Norte/Nordeste na Compiladas.

Embora torcesse por mais participantes do eixo no coletivo, Valéria Pergentino, sócia-editora da Solisluna, comemora. “A iniciativa é extremamente relevante por reunir editoras independentes de várias regiões do Brasil, com perfis diferentes, mas conectadas pela qualidade de seus catálogos. Em um mercado tão concentrado, essa articulação mostra a força do trabalho coletivo. Para nós, da Solisluna, única editora do Norte e Nordeste no grupo, é especialmente significativo realizar esta edição do Compiladas na Bahia”, destaca ela.

Comemorando 10 anos de existência, a Ubu estará na Bienal da Bahia pela primeira vez. “O público baiano da Ubu é muito presente e participativo, e esta é uma oportunidade da editora estar mais perto e mostrar as linhas e interconexões do catálogo. O coletivo Compiladas é o que permite que editoras de pequeno porte como a nossa possam estar em eventos fora de São Paulo”, ressalta Florencia Ferrari, diretora editorial da Ubu.

Pelo alto investimento e planejamento, a presença em Bienais é desafiadora. Esse segundo momento é muito precioso para as 16 editoras. “Após a nossa primeira experiência com as Compiladas no Rio de Janeiro, fico muito satisfeita de que a rota tenha sido direcionada para fora do caminho previsível do sudeste, e espero que esta seja a primeira de muitas incursões pela Bahia e pelo Nordeste”, destaca Maíra Nassif, editora da Relicário.