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Gilberto Gil reúne multidão na reitoria da Ufba em lançamento de Cátedra com seu nome

Cerimônia aconteceu no salão nobre e contou com aula-show de José Miguel Wisnik

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  • Raquel Brito

Publicado em 10 de maio de 2024 às 21:55

Iniciativa promoverá atividades e estudos no campo da cultura
Iniciativa promoverá atividades e estudos no campo da cultura Crédito: Ana Lucia Albuquerque

Intelectuais, artistas e autoridades se juntaram no salão nobre da reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba) na tarde desta sexta-feira para saudar um dos maiores nomes da música brasileira. Foi a cerimônia de lançamento da Cátedra Gilberto Gil de Estudos da Cultura, que contou com a participação do homenageado.

A Cátedra Gilberto Gil é uma iniciativa vinculada ao Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Cult), em parceria com o Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura), ambos vinculados ao Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC) da UFBA.

Além do próprio artista, que será patrono da Cátedra, compuseram a mesa da solenidade o reitor da Ufba, Paulo Miguez; o diretor do IHAC, Luis Augusto Vasconcelos; a coordenadora do Cult, Sophia Rocha; e o vice-reitor, Penildon Silva Filho.

Para o cantor, aplaudido de pé ao entrar na reitoria, a homenagem é um reconhecimento dos laços que o aproximam da Ufba. A partir da cátedra, ele diz esperar que esse vínculo afetivo seja estendido a um patamar de relação, associação e comprometimento ainda mais elevado.

“Pertenço aos quadros dessa escola há muito tempo, e há muito tempo essa universidade faz parte da minha vida. Aqui, por loucas décadas, temos compartilhado nosso mútuo apreço através de tantos momentos de colaboração e intercâmbio de interesses. Aqui, temos aprendido a aprender juntos e agora a vida nos convoca a tarefa de ensinar juntos”, disse.

A cerimônia teve início com uma apresentação musical de Manuela Rodrigues, egressa da Escola de Música da Ufba (EMUS) e professora substituta, e o cantor Ruan de Souza, doutorando da EMUS, que interpretaram Queremos Saber, Super-Homem (a Canção) e Pela Internet 2, composições de Gil.

O reitor Paulo Miguez afirmou que todas as universidades deveriam fazer homenagens a Gilberto Gil e qualquer uma poderia fazê-lo, mas nem todas podem se orgulhar de ter com ele a intimidade que a Ufba tem. Além de ser formado em Administração pela universidade, o intérprete de Andar com Fé é doutor honoris causa pela Ufba.

Miguez ressaltou que implantar uma cátedra acadêmica com estudos sobre cultura é muito mais que uma iniciativa simplesmente acadêmica. “É, especialmente, uma resposta política a todo e qualquer elemento autoritário e obscurantista que ouse querer calar a universidade”, disse.

Segundo Sophia Rocha, ter o cantor como patrono da cátedra é motivo de orgulho para o Cult. Ela explicou que, a partir da iniciativa, serão estimuladas atividades e estudos no campo da cultura, em especial nas áreas da gestão, produção, curadoria, organização e políticas culturais. Terá abrangência nacional e internacional, com atuação focada no espaço ibero-americano.

A solenidade contou ainda com uma aula-show do pianista, compositor e professor aposentado da Universidade de São Paulo (Usp) José Miguel Wisnik, que apresentou poemas e canções autorais e de outros cantores.

Solenidade teve apresentação de José Miguel Wisnik
Solenidade teve apresentação de José Miguel Wisnik Crédito: Ana Lucia Albuquerque

Ao som de Drão, canção composta por Gil em 1981, o piano e a voz de Wisnik se juntaram ao coro popular e ao canto do artista baiano. Depois, novamente se encontraram enquanto o pianista recitava, em forma de poema, a música Metáfora.

Representação

O músico Theo Charles, de 29 anos, foi com a companheira, a mãe e amigos do coletivo Outras Vozes ver de perto a homenagem. Segundo ele, não havia como perder esse evento, que descreveu como histórico.

“Eu fiquei muito feliz que a Ufba, com essa importância, um lugar por onde eu passei, tenha a iniciativa de uma cátedra Gilberto Gil, com ele como patrono. Isso é muito emocionante, é muito importante para universidade e para todos os jovens que passam pela Ufba. E celebrar isso com a presença de Gil é impagável, toca no coração da gente. Ele é um ser iluminado”, disse.

O lançamento da cátedra lotou o salão. Na terceira fileira estava Pablo Gabriel, estudante de Direito de 22 anos, que chegou cedo para garantir seu lugar. Para o jovem, ver um artista negro e baiano como Gil receber esse reconhecimento da academia é motivo de emoção.

“É incrível ver que um homem negro, que tem um lugar desses, volta à universidade para ser homenageado nessa cátedra. Mostra que a gente pode beber ainda mais da cultura, conectar ainda mais a cultura e a universidade. É uma honra estar aqui”.

*Com orientação da subeditora Fernanda Varela.