Grupo alvo de ação da polícia planejava invadir o Arenoso

Duas pessoas foram mortas e dez mandados de prisão foram cumpridos

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  • Gil Santos

Publicado em 9 de agosto de 2023 às 15:50

Operação Murus foi resultado de um ano de investigação
Operação Murus foi resultado de um ano de investigação Crédito: Haeckel Dias / Ascom-PC

As dez pessoas que foram presas durante uma operação conjunta das Polícias Civil e Militar nos bairros do IAPI e Pero Vaz, em Salvador, nesta quarta-feira (9), faziam parte de uma quadrilha que pretendia invadir o bairro do Arenoso. Segundo os investigadores, o líder do grupo morreu em confronto com policiais no município de Salina das Margaridas, na Região Metropolitana, e outro comparsa foi morto no IAPI.

O sol ainda não tinha nascido quando os cerca de 200 policiais civis e militares deflagraram a Operação Murus. O objetivo era prender os integrantes de uma quadrilha de tráfico de drogas com atuação no IPAI e Pero Vaz, além de apreender armas e drogas. Os primeiros agentes começaram a ação às 5h30 e prenderam oito pessoas nessa região. Outros dois procurados já estavam presos no Complexo Penitenciário da Mata Escura.

Enquanto os policiais faziam as prisões e cumpriam os 19 mandados de busca e apreensão em Salvador, outra equipe seguiu para o município de Salina das Margaridas, na Região Metropolitana. O alvo era Cristiano Silva dos Santos, o Cris do Murão, 37 anos, apontado pelos investigadores como o líder da quadrilha. Ele estava em casa quando os policiais chegaram, percebeu a ação e tentou fugir por um manguezal, mas não conseguiu.

Os policiais contaram que ele resistiu, houve troca de tiros e Cristiano morreu. A diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Andrea Ribeiro, contou que Cris do Murão foi preso em abril de 2022, mas que a prisão temporária não foi convertida em prisão preventiva e que ele foi posto em liberdade. Desde então os passos dele estavam sendo monitorados.

“Ele era um indivíduo de alta periculosidade, envolvido com homicídios, tráfico de drogas, roubos e extorsão. Ele era o principal fornecedor de drogas e armas com atuação no IAPI, onde existe um conglomerado de comunidades, como o Murão, Bem Amado, Floresta, Milho e Brongo, locais de onde partiam os bondes para atacar indivíduos de localidades que eles pretendiam dominar”, afirmou.

Uma das regiões alvo do grupo é o Arenoso. Em abril deste ano, os ônibus deixaram de circular no bairro por conta dos tiroteios frequentes entre bandidos. Moradores ficaram quase 72h sem que o transporte público fosse além da via principal. Nesta quarta-feira, os militares encontraram com Cris do Murão uma pistola turca calibre 9 milímetros. Ele estava sendo investigando pelo envolvimento em oito homicídios.

No IAPI também houve resistência. Douglas Aguiar de Santana, 26, tentou escapar da polícia, mas foi morto em confronto. Segundo a delegada, ele era um dos comparsas mais próximos de Cris do Murão. “Ele cumpria as ordens emanadas pela liderança e fazia com que as ordens fossem cumpridas. Ele fazia a intermediação entre as ordens da liderança e os indivíduos que faziam as vendas das drogas ‘na pista’, como é chamado”, disse.

No domingo (6), o gerente do grupo, identificado pela polícia como Benzinho, foi assassinado por bandidos rivais. Das dez pessoas presas, duas são mulheres. Uma delas era investigada por participação em arrastões e assalto a mão armada. Eles estão respondendo por homicídios, tráfico de drogas, roubos e extorsão. Os policiais apreenderam também quatro carros, sendo dois Celtas, um Uno e uma Duster, além de duas motocicletas. A suspeita é de que os veículos estavam sendo usados na prática dos crimes.

O comandante da Rondesp BTS, major Joel Batalha, contou que todas as pessoas presas na operação já são conhecidas da polícia. Ele lembrou que na semana passada uma viatura da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/ Liberdade) foi atingida por um tiro quando fazia ronda no bairro do IAPI. A suspeita é de que o grupo criminoso preso nesta quarta-feira tenha realizado o atentado.

“São muitas ruas e becos em que a viaturas não conseguem entrar e que servem de rota de fuga para esses criminosos, por isso, as guarnições tinham dificuldade de encontrar. Desta vez, em apoio ao DHPP no cumprimento de alguns mandados tivemos sucesso na prisão de alguns desses indivíduos”, afirmou.

Equipes do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), do Departamento de Inteligência Policial (DIP) e da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core) participam das ações, que também apreenderam dois veículos, duas pistolas, um simulacro, balança de precisão e embalagens para o acondicionamento de entorpecentes.

A operação tem o apoio de guarnições do Comando de Policiamento Especializado (CPE), do Comando de Operações Policiais Militares (COPPM), do Comando de Policiamento Regional da Capital - Baía de Todos os Santos (CPRC/BTS), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), da Batalhão de Patrulhamento Tático Móvel (Patamo), da Rondesp BTS, do Comando de Operações de Inteligência (COInt) e do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer), além de equipes do Departamento de Polícia Técnica (DPT) e da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap).