‘Quando eu chego, sempre é festa’: Gal do Beco e o samba do dia-a-dia

Cantora se apresentou no Seminário Nacional do Samba, na Barroquinha, nesta sexta-feira (10).

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  • Raquel Brito

Publicado em 10 de novembro de 2023 às 21:26

Gal do Beco levou seu talento para o Seminário Nacional do Samba nesta sexta-feira (10) Crédito: Ana Lucia Albuquerque/CORREIO

Princesa, rainha, Dama do Samba. Quando a senhora de cabelos vermelhos e vestido branco saiu do carro, os cumprimentos surgiram automaticamente e os abraços e beijos se estenderam como um tapete por onde ela passou. Maria das Graças da Silva, ou Gal do Beco, sabe que carrega a alegria consigo.

“Eu sempre fui de prestigiar, chegar junto. Hoje sou sempre convidada pelos grandes blocos para cantar. Quando eu chego, sempre é festa”, ela diz, enquanto se prepara para cantar sucessos do samba no Seminário Nacional do Samba, realizado no Espaço Cultural da Barroquinha nesta sexta-feira (10).

Nascida no Rio de Janeiro, Gal está em Salvador desde 1979, quando veio com os dois filhos ainda pequenos. Se apaixonou pela cidade. Segundo ela, a carioca é Maria das Graças da Silva – Gal do Beco é baiana.

"Vindo do Rio de Janeiro, eu nasci no samba. Mas, me tornei sambista aqui em Salvador”, afirma. Em 2000, ela recebeu o título de cidadã soteropolitana. Por coincidência ou obra do destino, a cantora quase compartilha as origens do ritmo: foi na Bahia que o samba nasceu, e no Rio de Janeiro ganhou outras variações e sotaques.

Ao chegar em Salvador, Gal montou uma barraca em Itapuã, onde fazia luaus. Foi apenas no fim da década de 80 que surgiu o Beco da Gal, que rendeu a ela o nome artístico, na Avenida Vasco da Gama. Na época, ela não tinha a pretensão de ter uma casa de samba, mas as coisas aconteceram naturalmente, com artistas marcando presença a cada semana e carimbando o local como um ponto de encontro para os sambistas.

Foi também na década de 80, entre 1983 e 1984, que ela assumiu profissionalmente a carreira de cantora. Desde então, dividiu palco com nomes como Nelson Rufino, Juliana Ribeiro e Waldir Lima.

Para ela, cada show era marcante de seu próprio modo. Porém, há um carinho especial quando fala sobre a participação nos blocos que hoje fazem samba na avenida. "Todos têm o meu dedinho lá. Foram 27 anos de Alvorada, uns 15 de Alerta Geral, Pagode Total, e daí em diante", recorda.

Hoje, Gal é madrinha de muitos sambistas. Perguntada como se sente em ser vista como exemplo por sambistas mais novos, um sorriso orgulhoso toma conta de seu rosto. “Eu me sinto lisonjeada”, diz. “Alguns ainda me chamam de rainha, e eu digo: ‘esquece esse negócio de rainha. Rainha já é passado’”, acrescenta, aos risos.

A cantora, que completa 72 anos na próxima semana, já antecipa como serão as comemorações. “Na data do meu aniversário eu estou sempre em casa, não faço mais festa. Mas, a galera vai chegando lá e faz o samba e, a partir das três da tarde, o samba come no centro. Tem que comemorar cada ano que passa!”, diz. Afinal, uma coisa é certa: onde Gal estiver, estarão também o samba e o festejo.

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo.