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Wendel de Novais
Publicado em 2 de outubro de 2023 às 18:18
Sarah Sofia Santana de Jesus, 6 anos, é a 13ª criança a ser atingida por disparos de arma de fogo em Salvador e Região Metropolitana (RMS) em 2023, de acordo com dados do Instituto Fogo Cruzado, que monitora a violência armada na região. O instituto aponta também que, entre as 13 baleadas, três morreram até o dia 1º de outubro.>
“Eu não vou aguentar. Cuidei tão bem da minha filha para ver ela morrer dessa forma. Criei ela para morrer por conta dos outros?”, questionou a mãe de Sarah. A menina morreu na madrugada desse domingo (1º) após ser baleada na cabeça no momento em que homens armados invadiram a casa dela atirando na localidade do Inferninho, no bairro de Mata Escura, na capital baiana. >
De todos os meses do ano, só janeiro e maio não registraram crianças baleadas. Nos outros, pelo menos uma criança - até 12 anos - foi vítima de disparos em Salvador ou RMS. O mês de março lidera com cinco vítimas. Sarah foi ferida em uma disputa entre facções, de acordo com um familiar ouvido pela reportagem e que citou que a invasão se deu por conta de uma tentativa de assassinato do filho do padastro da menina que não estava em casa no momento do crime.>
A localidade do Inferninho tem atuação do Bonde do Maluco (BDM), mas a facção vem sofrendo com ataques de grupos de homens armados. Não se sabe, porém, qual grupo fez o ataque. >
A família atesta que Sarah, sua mãe e o padrasto estavam deitados na cama quando os bandidos chegaram ao local. O padrasto também foi atingido e estava internado no Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos e faleceu na tarde desta segunda-feira (2). Guias de perícia foram expedidas para o local do crime e, de acordo com a Polícia Civil, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso, bem como a autoria e a motivação.>
Além de Sarah, há mais dois casos de morte de crianças que estão sendo investigados pela Polícia Civil. Um é o de Bryan Cerqueira Galvão, bebê de um mês de vida que morreu em um ataque na Praia de Tubarão, no dia 20 de agosto.>
Bryan foi atingido no abdômen e morreu a caminho do hospital enquanto era socorrido. Ele estava no colo do pai, Bruno Roberto Galvão Ribeiro, 25 anos, quando o disparo o atingiu. Bruno e outros dois amigos foram mortos na ação. Os três, de acordo com informações, tinham ligação com o tráfico de drogas no bairro do Alto de Coutos. >
A Polícia Civil foi procurada para atualizar as investigações dos casos, que ficaram a cargo da 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS). A reportagem questionou sobre o inquérito, bem como o indiciamento e a prisão de suspeitos de autoria do ataque, mas não teve retorno até a publicação desta matéria.>
Outro caso sobre o qual a polícia não respondeu foi o de Gabriel Silva da Conceição Júnior, 10 anos, que morreu após ser baleado na porta de casa no bairro de Portão, em Lauro de Freitas, no dia 23 de julho. A família de Gabriel apontou a polícia como responsável pela morte do menino, afirmando que agentes teriam passado em viaturas pela rua da casa da vítima atirando e que um desses disparos teria atingido o garoto. >
Os familiares fizeram um protesto na cidade pedindo justiça e responsabilização dos agentes. O Departamento de Polícia Metropolitana (Depom) ficou com o caso, apesar das primeiras diligências terem sido realizadas pelas equipes do DHPP. Após o crime, a família de Gabriel fez um protesto em Lauro cobrando uma resposta rápida da gestão estadual e os três agentes da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) foram afastados das atividades nas ruas. Na época, a informação foi divulgada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA). >
A família afirmou à reportagem que três cápsulas encontradas no chão, próximas à casa de Gabriel, foram entregues para a PC. No entanto, não há informação sobre a cápsula da bala que atingiu o menino. No pedido para a corporação, a reportagem perguntou sobre o inquérito do caso, bem como o indiciamento dos responsáveis pela morte de Gabriel. Mas também não houve um retorno. Em agosto, a Polícia Civil chegou a encaminhar para o Ministério Público (MP-BA) um pedido de ampliação do prazo para a conclusão da investigação.>