Ter piolho é grave? Saiba mais sobre o tratamento contra a doença

Só no Brasil, são 29 remédios autorizados para tratar a infestação por piolhos que se torna mais comum nessa época do ano

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  • Priscila Natividade

Publicado em 2 de março de 2024 às 16:00

Na fase adulta, o piolho tem uma vida média de 30 dias
Na fase adulta, o piolho tem uma vida média de 30 dias Crédito: Shutterstock

A pediculose é uma doença, porém, não oferece risco de morte. A dermatologista membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Fabianne Brenner, alerta, entretanto, que a ferida que se forma com a coceira excessiva causada pelo piolho pode ser uma porta para infecções, principalmente bacterianas. Casos mais graves de infestação podem causar anemia. “A gente precisa manter o tratamento, mas fazer o mesmo em todas as crianças que estão em contato, além de tratar toda a família simultaneamente”.

Segundo informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, o primeiro medicamento registrado foi em 1983. Na década de 80 inteira, foram só dois deles, o Pediletan (Cimed) e Piosan (Belfar). Mais de 40 anos depois, de 2020 para cá, a agência já aprovou 11 novos medicamentos, a base de substâncias como Benzoato de Benzila, Deltametrina, Ivermectina e Permetrina. Atualmente, são 29 remédios autorizados pela agência para o tratamento da pediculose. Veja abaixo mais algumas orientações para acabar com os piolhos, sobretudo, nesse período de retorno à escola.

1.Quanto tempo vive o piolho? Um piolho incomoda muita gente, mas três tipos incomodam muito mais. Existe o piolho da cabeça (Pediculus humanus capitis), o do corpo (Pediculus humanus corporis) e o da região pubiana (Phthirus pubis), que é mais conhecido como ‘chato’. No geral, o inseto passa por três estágios de desenvolvimento. O primeiro são os ovos ou as lêndeas, que se prendem ao fio com uma espécie de ‘cola’ que é produzida pelo próprio parasita. De 7 a 10 dias, os ovos se transformam em ninfas, estágio do piolho assim que ele deixa de ser lêndea. Entre 9 e 12 dias, ele chega a fase adulta, onde costuma viver uma média de 30 dias. Nesse tempo, uma fêmea produz entre 150 a 300 ovos.

2. Quais os tratamentos atualmente disponíveis? O que, de fato, é eficaz? A dermatologista membro da diretoria da SBD, Fabianne Brenner, destaca que existem hoje formas de tratamento: “um, é o tratamento tópico que inibe a proliferação do piolho no couro cabeludo. Normalmente, os tópicos envolvem dois ciclos. O paciente precisa tratar por três dias, esperar sete dias e retratar para que a gente consiga eliminar os piolhos adultos e os ovos”. É importante repetir esse tratamento para sanar a infestação por completo. “O segundo tratamento é a base de ivermectina, que é um produto via oral. A gente também precisa fazer dois ciclos para combater as formas de crescimento desse piolho. Após o processo, é fundamental remover as lêndeas manualmente com o uso do pente-fino”.

3. O vinagre funciona mesmo? O vinagre, na verdade, ajuda na remoção dos ovos, como recomenda Fabianne Brenner. A mistura com condicionador de cabelo não tem perigo. “A gente precisa tratar primeiro para diminuir a infestação dos piolhos adultos, remover os ovos do fio de cabelo com vinagre e um pente fino e, em seguida, repetir o processo em uma semana porque aí eu consigo atingir as lêndeas que se tornaram novos piolhos”.

4. Que cuidados os adultos devem ter enquanto a criança está em tratamento? O tratamento precisa ser repetido sete dias depois, reforça, mais uma vez, a dermatologista membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Fabianne Brenner. “É importante comunicar a escola, não de maneira que cause desconforto, mas como uma forma de evitar surtos e reinfestações. Manter a vigilância, fazer sempre uma inspeção na cabeça da criança e tratar quanto antes”.

5. Por que o piolho é tão difícil de tratar? Ainda que exista inúmeros medicamentos disponíveis para combater o piolho, a questão da dificuldade de acabar com ele de uma vez está na sua alta capacidade de transmissão, conforme aponta Fabianne Brenner. “Quando o piolho sai da cabeça, ele tem uma sobrevida de 24 horas em um ambiente externo ao couro cabeludo. Então, o problema maior não é só tratar, mas a alta transmissibilidade do piolho. Se você trata em uma criança agora, antes ela passou para todas as outras que estão ali no convívio direto com ela. Por isso, esses surtos são tão difíceis de conter, eles têm uma alta transmissividade.