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Maysa Polcri
Publicado em 12 de dezembro de 2023 às 08:00
Suas mesas e cadeiras recebiam personalidades intelectuais que iam em busca de comida boa e atendimento impecável entre as décadas de 30 e 80. Com o tempo e deslocamento dos principais comércios de Salvador para a região da Av. Tancredo Neves, foram esquecidos e não engajaram as novas gerações o suficiente para se manter de pé. Ao menos três grandes restaurantes do Centro Histórico de Salvador acumularam dívidas e fecharam as portas desde 2020. >
O mais recente deles foi o Porto do Moreira, que anunciou a venda no final do ano passado. A pouca clientela que ainda frequentava o espaço eternizado nas obras de Jorge Amado não foi suficiente para manter o restaurante em funcionamento. A placa de “vende-se” instalada na fachada há quase um ano, ainda não fez brilhar os olhos de bons compradores. >
Cristina Moreira, filha de Chico Moreira, que estava comandava o restaurante desde a morte do irmão, lamenta a situação da família. “Estamos tentando vender o restaurante ainda, é uma tristeza sem fim. O movimento do Centro é fraco, por isso fica difícil”, comenta. Depois que o fechamento foi noticiado, clientes antigos até chegaram a encher o restaurante localizado no Largo do Mocambinho, mas o movimento não teve continuidade. >
O encerramento das atividades do Porto do Moreira representa a decadência de um Centro que quase não existe mais, seja por conta da insegurança ou da falta de investimentos. Em 2020, quem encerrou as atividades foi o Mini Cacique, depois de 46 anos de funcionamento. Artistas como Carybé e Pierre Verger eram frequentadores assíduos do local. >
A pandemia também contribuiu para a crise econômica. Em outubro de 2021, o Restaurante Colon, considerado o mais antigo da cidade, também fechou as portas. Assim como o Porto do Moreira, foi citado por Jorge Amado em seu livro "O Sumiço da Santa".>
Em meio às dificuldades, uma luz no fim do túnel parece surgir. O Juarez Restaurante foi reaberto na segunda-feira (11), na Avenida Jequitaia, depois de um ano fechado para reformas. >
A expectativa é que a clientela nostálgica e saudosa ajude a encher as mesas do estabelecimento, fundado em 1955. “Nossos clientes nos acompanham onde nós fomos. Mantemos aqui por conta da tradição”, diz Agnoel Torres, atual responsável pelo local. >