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Maysa Polcri
Publicado em 10 de maio de 2026 às 15:45
A morte do jovem Lucas Mendes de Jesus, de 19 anos, durante uma ação policial no bairro de Valéria, em Salvador, motivou uma manifestação pública do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) neste domingo (10). Em nota, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) cobrou “apuração rigorosa, responsável, independente e transparente” sobre o caso e lamentou a morte do rapaz, que participava de um projeto social ligado à instituição desde os 16 anos. >
Lucas foi morto na noite de sexta-feira (8), dentro da casa da família, na localidade da Bolachinha, durante uma troca de tiros envolvendo policiais militares e um homem armado que havia invadido o imóvel. Segundo familiares, o jovem tentou proteger a mãe no momento em que o suspeito fez a família refém.>
Lucas foi morto em casa
Na manifestação divulgada neste domingo, o Unicef destacou que Lucas integrava o projeto “Valéria Tá Valendo”, desenvolvido pelo Instituto Aliança dentro da iniciativa Agenda Cidade Unicef em Salvador. Segundo a entidade, o jovem era “estudante, jovem preto, cheio de sonhos, afetos e projetos de vida”.>
“O assassinato de Lucas exige apuração rigorosa, responsável, independente e transparente”, afirmou o Unicef. O órgão também defendeu a criação de uma política nacional de prevenção à violência contra adolescentes, com ações articuladas entre governos estaduais e municipais e foco antirracista.>
O órgão também relacionou a morte de Lucas ao cenário da violência contra jovens negros no Brasil. Conforme o Unicef, cerca de 5 mil adolescentes são assassinados todos os anos no país. A entidade citou ainda um estudo realizado em Salvador, que analisou 1.103 homicídios registrados em 2023 envolvendo pessoas de até 24 anos e apontou que nove em cada dez vítimas eram negras.>
De acordo com o relato da mãe de Lucas à TV Aratu, o homem armado colocou uma arma na cabeça dela e obrigou a família a permanecer dentro da residência. “Meu filho estava no fundo, eu na frente e o bandido no meio. Nós ficamos encurralados”, contou.>
Ainda segundo a mãe, Lucas tentou intervir para defendê-la e acabou baleado durante a ação policial. O suspeito também morreu. “O quarto está todo crivado de bala. Meu filho foi morto primeiro que o bandido”, afirmou.>
Na manhã de sábado (9), familiares e amigos de Lucas realizaram um protesto em Valéria. O grupo queimou pneus e interditou parte das vias do bairro em protesto contra a morte do jovem.>
Em nota, a Polícia Militar informou que equipes da 31ª CIPM realizavam patrulhamento na Rua Tânia Duran quando foram recebidas a tiros por homens armados. Conforme a corporação, os suspeitos fugiram e invadiram a residência, onde continuaram atirando contra os policiais. Após o confronto, dois homens feridos foram encontrados dentro da casa e levados para uma unidade de saúde, mas não resistiram.>
Durante a ocorrência, o policial militar Ramon Santos Nascimento foi baleado na mão e no abdômen. Ele foi socorrido para o Hospital do Subúrbio. O estado de saúde dele não foi divulgado. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).>