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Amy Winehouse: brilho e talento da cantora foram apagados pelo vício das drogas

Perturbada pelas drogas e bebidas, uma das maiores vozes da geração de cantoras dos anos 2000, a inglesa deixou um pequeno, mas consistente legado musical, e tornou-se uma inesquecível figura para a cultura pop

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  • Da Redação

Publicado em 24 de julho de 2011 às 09:25

 - Atualizado há 2 anos

Nilma Gonçalves e agênciasQuando lançou, em outubro de 2006, o álbum Back to Black, Amy Winehouse se tornou mundialmente famosa. Segundo a própria cantora, na época, ela vivia um luto simbólico pela perda de um grande amor. Aquela era a forma de exorcizar a dor de cotovelo, depois de ter sido trocada por outra mulher. Ontem, seus fãs começaram a viver um outro tipo de luto. Esse, sim, muito real. Aos 27 anos, a cantora inglesa, uma das maiores popstars dos anos 2000, foi encontrada morta, em sua casa, no bairro de Camdem Town, em Londres. A causa da morte ainda não foi oficialmente divulgada e uma autópsia será realizada hoje. Com uma voz vigorosa, um estilo típico das divas negras americanas da Motown e um comportamento pra lá de genuíno, Amy Winehouse foi uma das revelações musicais mais interessantes dos últimos anos. Porém, antes de ser cantora, ela queria ser atriz, mas acabou expulsa de uma escola de atores. O gosto musical foi incentivado pelos pais, o taxista  Mitchell Winehouse e a farmacêutica Janis, que ouviam jazz em casa. Já aos 10 anos, Amy montou sua primeira banda. O primeiro álbum, Frank, lançado em 2003, foi bem recebido pela crítica e chamou a atenção do público. Mas o sucesso mundial veio mesmo com o agora clássico Back to Black. A música Rehab - aquela do refrão ‘No no no’ - virou hit instantâneo. Numa tradução muito livre, o refrão da música diz: “Tentam me obrigar a ir para uma clínica de reabilitação/ E eu digo, não vou, não vou, não vou”.  Em 2007, o disco foi o mais vendido no Reino Unido: quase 2 milhões de cópias. O trabalho também rendeu à moça  cinco prêmios Grammy, em 2008. Depois, seu sucesso foi responsável por um revival do gênero e pelo aparecimento de outras muitas cantoras com estilo parecido, como Duffy e Adele. Com piercings e tatuagens pelo corpo, Amy também lançou um estilo, com perucas que montavam um penteado alto e peculiar. Sua maquiagem, com os olhos pintados de preto ao estilo Cleópatra, também virou uma marca.

Dependência   As atenções da imprensa se voltaram para ela. Cada passo da cantora começou a ser (per)seguido pelos impiedosos paparazzi britânicos. E o talento acabou sendo sufocado pelo publicamente assumido envolvimento com drogas e álcool. “A maior parte das pessoas da minha idade gasta tempo pensando no que vai fazer nos próximos cinco ou dez anos. O tempo que eles gastam pensando sobre a vida, eu gasto bebendo”, declarou. O relacionamento conturbado com o também dependente químico Blake Fielder-Civil virou um prato cheio para os jornais sensacionalistas. Todos os dias eram publicadas fotos dos dois saindo de pubs, embriagados ou brigando nas ruas. Em 2009, numa entrevista ao jornal News of the World, o então marido da artista disse que se sentia culpado pelo vício da mulher em crack e cocaína. Ele também descreveu a sensação que teve quando a viu ter o seu primeiro ataque, depois de um dia inteiro regado a crack e heroína. “Foi horrível, ver alguém que você ama mais do que a si mesmo, alguém por quem era capaz de morrer, por quem mataria, ali, tremendo no chão”. Em 2009, os dois se divorciaram. A partir daí, Amy tentou se livrar do vício, com a ajuda do pai, e foi internada em uma clínica de reabilitação. Foi quando recebeu dos médicos um ultimato: morreria se não parasse de beber. Ela chegou a ir para a Jamaica, para se afastar do vício. Lá, também pretendia terminar seu terceirodisco. Na volta a Londres, a gravadora Island Records recusou o material, alegando que estava longe do soul dos seus dois primeiros discos e carregado de reggae.Última aparição  A última aparição de Amy Winehouse foi na quarta-feira. Ela esteve no show de sua protegida, a cantora de 15 anos Dionne Bromfield, em Londres. Segundo a imprensa britânica, a cantora subiu no palco aparentemente bêbada, dançou e pediu que o público comprasse o disco de Bromfield. Abençoada por Amy, a jovem cantora será responsável por propagar seu legado. Espera-se, no entanto, que ela tenha um fim melhor do que a mestra.

Adeus, rainha do neosoul (Por Hagamenon Brito) Flertar demais com a morte é perigoso. Antes do sucesso e do prestígio estratosférico entre 2006 e 2008 com o álbum Back to Black, Amy Winehouse já se drogava muito. A megaexposição e os prêmios no showbiz, com todas as vantagens e os parasitas que isso atrai, potencializaram a dependência química da excelente íntérprete de neousoul, uma branquela magra nascida numa família trabalhadora inglesa e cuja voz e afinidade musical tinham mais a ver com os negros americanos.

Na temporada 2011, o artista de maior sucesso mundial é uma cantora inglesa: Adele. Ela não existiria mercadologicamente se Amy Winehouse não tivesse feito sucesso: a garota junkie de voz especial e imagem fashion retrô que virou uma piada de si mesma, com várias internações e vexames públicos, abriu as portas para toda uma geração de intérpretes como Duffy, Adele e até a “veterana” Sharon Jones”.

Pesquisando no santo Google meus textos sobre Amy, achei um, de novembro de 2008, que dizia que ela entregaria o terceiro disco para a  sua gravadora, em 2009, caso não morresse – provavelmente, de overdose. Bem, ela não conseguiu fazer o terceiro disco e partiu. Simplesmente, perdeu o jogo da vida para o álcool e as drogas pesadas. Por outro lado, virou o primeiro ‘mito’ da era 2000.