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Papa Leão XIV reage e diz que 'não tem medo' de Trump: 'Vou seguir firme contra a guerra'

Presidente dos EUA chamou o pontífice de "fraco e liberal"

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 13 de abril de 2026 às 08:48

Papa Leão XIV
Papa Leão XIV Crédito: Reprodução

O Papa Leão XIV respondeu nesta segunda-feira (13) às críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que não teme o governo americano. Segundo ele, sua atuação continuará centrada na defesa da paz e na divulgação da mensagem do Evangelho.

A declaração foi dada durante o voo entre Roma e a Argélia, quando o pontífice conversou com jornalistas sobre as falas do presidente norte-americano publicadas horas antes nas redes sociais. “Não tenho medo do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, que acredito ser o que estou aqui para fazer, o que a Igreja está aqui para fazer”, afirmou.

Leão XIV destacou ainda que a Igreja não atua sob a lógica da política internacional tradicional e reforçou que sua missão é promover a paz. “Nós não somos políticos, não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz”.

Papa Leão XIV no Peru por Reprodução

Ao comentar diretamente as declarações do presidente americano, o pontífice disse à Reuters que não pretende ampliar o confronto. “Não quero entrar em um debate com ele”, afirmou. “Não acredito que a mensagem do Evangelho deva ser usada de forma indevida como algumas pessoas estão fazendo”.

Segundo ele, continuará se posicionando contra conflitos armados e incentivando soluções diplomáticas entre países. “Vou continuar me posicionando de forma firme contra a guerra, buscando promover a paz, incentivando o diálogo e relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”, declarou.

O pontífice também mencionou o impacto humanitário das guerras em diferentes regiões do mundo. “Muitas pessoas estão sofrendo no mundo hoje. Muitas pessoas inocentes estão sendo mortas. E acredito que alguém precisa se levantar e dizer que há um caminho melhor”, disse.

Ele concluiu reforçando que sua atuação não tem caráter político-partidário. “A mensagem da Igreja, a minha mensagem, a mensagem do Evangelho: bem-aventurados os pacificadores. Não vejo meu papel como político, como um homem político”.

Críticas de Trump

As declarações foram dadas após críticas feitas por Trump durante a madrugada desta segunda-feira em uma longa publicação na rede social Truth. O presidente questionou a escolha do pontífice e sugeriu motivações políticas na eleição.

“Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante”, escreveu. “Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”.

No domingo (12), horas antes da publicação, Trump também já havia demonstrado insatisfação com o pontífice ao falar com jornalistas na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland.

“Não sou um grande fã do Papa Leão. Ele é uma pessoa muito liberal e não acredita em acabar com o crime”, afirmou, acrescentando que o papa estaria “brincando com um país que quer uma arma nuclear”.