A preço de banana? Preço da fruta dispara em Salvador e eleva a inflação

bahia
27.01.2022, 05:30:00
(Divulgação/Adab)

A preço de banana? Preço da fruta dispara em Salvador e eleva a inflação

A região ficou com a maior prévia de inflação para o mês dos últimos 14 anos

A prévia da inflação (IPCA-15) de janeiro em Salvador e Região Metropolitana é a mais alta do país, alcançando 1,08%. O número é o maior na região para o mês de janeiro desde 2008, quando chegou a 1,19%. Dos grupos pesquisados, o de alimentos foi o que mais contribuiu com a inflação, puxado pelo aumento da alimentação em domicílio e, principalmente, do consumo de frutas, com destaque para a banana. Os dados foram divulgados nesta quarta (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Apesar de apresentar desaceleração pelo segundo mês consecutivo (havia sido de 1,47% em novembro e 1,13% em dezembro), o índice da RM Salvador em janeiro foi o mais alto do país entre as 11 áreas pesquisadas pelo IBGE (veja lista no final da reportagem), ficando bem acima do registrado no país como um todo (0,58%).

“Esse período de dezembro e janeiro é uma época em que cidades turísticas geralmente experimentam subidas em alguns preços e o índice de inflação pode estar captando isso. É uma época em que a cidade recebe mais pessoas e há um aumento na demanda por produtos e serviços”, destaca Rafael Sales, consultor econômico da Arazul Capital. 

A pesquisa do IBGE leva por água abaixo a famosa expressão “a preço de banana” porque esse foi o item do grupo de alimentação que mais pressionou o IPCA-15 na RM Salvador:  banana-prata registrou alta de 24,36%. O mamão teve o maior aumento absoluto dentre todos os itens investigados (29,74%), mas essa fruta tem peso menor no cálculo do indicador. 

Todos os nove grupos de produtos e serviços que formam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) tiveram alta em janeiro, mas a alimentação (1,63%) teve a principal pressão inflacionária, puxada pelo aumento na alimentação no domicílio (1,79%) e, em especial, das frutas (9,90%). 

A dona de casa Lúcia Pedreira, de 53 anos, conta que percebeu o aumento de preços das frutas entre dezembro e janeiro e reduziu o espaço que elas ocupam no carrinho. “Fruta subiu muito e olha que eu só vou em dia de promoção de hortifruti, mas mesmo assim está complicado. A banana eu comprava por R$ 3,90 o kg no mês passado. Quando fui este mês, estava por R$ 5,90. O abacaxi vinha até com preço baixo, em torno de R$ 3, aí agora está de R$ 5. Da última vez que fui no mercadinho, levei só maçã porque o preço não tinha subido”, diz.

Alessandro Oliveira, coordenador estadual do programa fitossanitário da banana da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), explica que o aumento do preço da fruta é comum neste período. “A alta de preço no início do ano para a banana é o normal por causa da entressafra, que ocorre de dezembro até início de março, e aí tem como consequência a escassez de banana no mercado. Além disso, tem outro fator: as chuvas nas regiões produtoras. A banana-prata, que tem destaque em Bom Jesus da Lapa, teve uma baixa porque lá choveu muito, então gerou problemas nas propriedades e também em relação ao transporte por causa das estradas danificadas. A banana-da-terra também vai nessa leva, em Presidente Tancredo Neves, Valença e Wenceslau Guimarães”, explica. 

Foto: Divulgação/Adab

Presidente da Associação das Donas de Casa da Bahia (ADCB), Jaqueline Macedo lamenta que a inflação acabe afetando os mais vulneráveis e ainda se mostra como um empecilho para uma alimentação saudável. “Com a pandemia, as pessoas evitaram sair, ir para restaurantes, e passaram a se alimentar mais em casa. Também teve uma onda de buscar uma vida mais saudável, muita gente começou a se exercitar, por exemplo, e outras buscaram mudar hábitos alimentares. Mas aí a gente esbarra no preço, não é todo mundo que consegue se alimentar melhor porque esses alimentos, no geral, são mais caros”, observa. 

O segundo grupo que mais impactou no aumento da prévia da inflação na RM Salvador foi o de habitação (1,19%), puxado pelas altas da taxa de água e esgoto (4,45%) e do condomínio (3,15%). Para o consultor econômico da Arazul Capital Rafael Sales, a pandemia ajuda a explicar esse aumento. “Com a pandemia, muitos locadores e condomínios adiaram reajustes de preços de alugueis e condomínios. Essa época de fim de ano é um período em que as negociações contratuais ocorrem e, provavelmente, locadores e condomínios estão corrigindo os preços agora que as atividades econômicas estão retomando e as pessoas voltando à trabalhar mais normalmente”, ressalta.

Gasolina mais barata?
Por outro lado, apesar do grupo transportes ter apresentado uma leve alta (0,12%), a queda no preço dos combustíveis ( de 2,40%), sobretudo da gasolina (2,50%), foi o que mais ajudou a segurar a prévia da inflação na RMS em janeiro. A gasolina foi o item que exerceu a maior pressão inflacionária na região em 2021 e inicia 2022 com o efeito inverso.

Foto: Agência Brasil

Mas Rafael Sales alerta que isso não é motivo para empolgação porque não há indicativo de tendência de redução de preço. “Estruturalmente, não houve nenhuma mudança relevante no mercado brasileiro que fundamente que essa redução seja uma tendência para os próximos meses”, diz. 

O economista Edval Landulfo acrescenta que o resultado final da inflação já deve mostrar o movimento contrário da gasolina. “Esse número da prévia não leva em conta o reajuste do barril dessa semana, então, o que a gente precisa esperar é o IPCA divulgado em fevereiro, quando fecha o mês de janeiro. Provavelmente, vamos ver um aumento do grupo transporte, incluindo a gasolina. O aumento deve ser menor do que o de dezembro por conta do período de férias”, alerta. 

O que é inflação e quais são as suas consequências?

A inflação representa, de maneira geral, a alta de preços. A chamada taxa de inflação é uma média, que considera o crescimento dos preços de bens e serviços em uma determinada época. A inflação ocorre quando tem mais gente querendo comprar do que a capacidade das empresas de vender. Isso mostra que existe algum tipo de problema (como alta dos custos) na hora de produzir e faz os preços dos produtos subirem. (Veja o vídeo do IBGE e saiba mais sobre o tema).

O economista e assessor de investimentos na ACT Investimentos João Felipe Monteiro ressalta que a consequência da inflação é a perda de poder de compra do consumidor, trazendo dificuldades para suprir as necessidades básicas. “A inflação, resumidamente, é a moeda perdendo valor, então o que você comprava com R$100, agora, com a inflação subindo, você não vai mais conseguir comprar, vai precisar de mais dinheiro”, explica.

O consultor econômico Rafael Sales acrescenta que o momento é de inflação alta combinada com uma economia que não cresce. “Essa situação é ruim e desigual, uma vez que os consumidores mais pobres são os mais vulneráveis à inflação alta, pois dedicam a maior parte de suas rendas para consumo. Os consumidores mais ricos, que possuem uma taxa de poupança maior, conseguem, de alguma forma, proteger parte da renda por meio de aplicações financeiras”, finaliza. 

Prévia da inflação de janeiro para as 11 regiões pesquisadas: (IBGE)

  • Salvador - 1,08%
  • Belém - 0,82%
  • Recife - 0,72%
  • Belo Horizonte - 0,72%
  • Fortaleza - 0,63%
  • Rio de Janeiro - 0,61%
  • São Paulo - 0,58%
  • Goiânia - 0,51%
  • Curitiba - 0,32%
  • Porto Alegre - 0,21%
  • Brasília - 0,19%
  • *Brasil - 0,58%

Onde encontrar banana-prata mais barata? (Aplicativo Preço da Hora, valor por unidade)

  1. Mercadinho Barato (Cajazeiras IV) - R$0,35
  2. Lever Comercial de Frutas (Ceasa) - R$0,38
  3. Nobilis (Valéria) - R$0,39
  4. O Caipira (Ipitanga) - R$0,40
  5. Fruvele Plus (Simões Filho) - R$0,40
  6. Mercadinho L M (Campinas de Pirajá) - R$0,41
  7. Frutcom Express (Simões Filho) - R$0,60
  8. Polifrut (São Cristóvão) - R$0,65
  9. Juarez (Rio Vermelho) - R$0,79
  10. Maxxi Bonocô (Cosme de Farias) - R$0,98

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