Alemão atraía crianças com doces para gravar pornografia infantil no Rio

brasil
19.08.2020, 09:44:57
Atualizado: 19.08.2020, 10:29:35
Fisher foi preso na última quinta-feira (Foto: Reprodução / Divulgação)

Alemão atraía crianças com doces para gravar pornografia infantil no Rio

Mais de 100 meninas foram vítimas, estima delegado

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Preso no Rio de Janeiro por produzir pornografia infantil, o alemão Klaus Berno Fischer, de 73 anos, chegava a fantasiar crianças e adolescentes para gravações temáticas. Vítimas detalharam em depoimento que Fischer obrigou duas meninas a se fantasiarem como indígenas e as gravou fazendo sexo numa área de mata. 

Segundo o jornal Extra, as cenas eram vendidas na deep web, parte da internet que não aparece nos mecanismos de busca e pode ser utilizada para comércio de drogas e pornografia infantil, para consumidores europeus.

Fisher gravava as cenas em vários locais diferentes. Além de casa na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que ele transformou em estúdio, Fischer também filmava cenas de sexo entre crianças em outros imóveis e até ao ar livre.

No estúdio, a polícia achou arquivos criptografados. Agora, os agentes trabalham para localizar os outros endereços usados por Fischer. O delegado Luís Mauricio Armond, titular da 35ª DP, estima que Fischer produzia pornografia infantil há pelo menos dez anos.

"Ele vivia disso, esse era o ganha-pão dele. Já sabemos que algumas vítimas dele já foram aliciadas há cinco anos. Ele começou a usar essa casa, em Santíssimo, há seis anos. Mas temos provas de que antes ele já fazia filmagens em outros lugares", contou Armond, que estima em centenas o número de crianças abusadas por Fischer.

Ainda segundo o Extra, o alemão está no Brasil desde a década de 1980, com visto de trabalho. Ele é dono de uma agência de turismo, que estava fechada. A polícia suspeita que a empresa era usada como fachada para trazer alemães para fazer turismo sexual. 

De acordo com a investigações, o alemão oferecia valores entre R$ 30 e R$ 50 e até comidas, como sorvetes e lasanhas, para as crianças e adolescentes participarem das filmagens. A maioria das vítimas identificadas pela polícia até agora têm entre 10 e 14 anos, todas meninas. Apesar da predominância da faixa etária, há relatos de que uma menina de cinco anos também está entre as vítimas, todas oriundas de uma comunidade na Zona Oeste do Rio.

Os depoimentos dados à polícia também revelam que para algumas filmagens as crianças ficavam suspensas por cordas, enquanto eram chicoteadas pelo alemão. Diversos itens de sadomasoquismo foram encontrados na casa onde funcionava o estúdio de Fischer.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas