Alunos da Unime acusam empresa de arruinar formatura: 'Foi constrangedor'

bahia
27.08.2021, 05:45:00
Atualizado: 27.08.2021, 14:23:17
Solenidade aconteceu na última quarta-feira (Reprodução/Unnipix)

Alunos da Unime acusam empresa de arruinar formatura: 'Foi constrangedor'

'Faltou palco, telão, coffee break', acusa estudante inconformada ao se sentir lesada

A hora da formatura é, de longe, o momento mais esperado por um estudante de ensino superior. Vestir a beca, receber canudo e capelo dos familiares e ter o seu nome chamado como formando é mesmo um momento de alegria, mas pode virar pesadelo caso as coisas não saiam como o planejado. 

Cerca de 60 formandos dos cursos de enfermagem, direito, pedagogia, serviço social, biomedicina, engenharia civil e de produção e designer de interiores da Unime, em Lauro de Freitas, alegam ter passado por uma situação ruim na última quarta-feira (25), no Centro de Convenções. Na ocasião, segundo os recém-formados, a Unnipix, empresa de eventos e fotografia, teria deixado de cumprir o combinado entre as partes, que não chegaram a firmar contrato.

A empresa nega as acusações e admite apenas que houve um atraso por conta de um imprevisto no local. No entanto, os formandos chamam atenção para outros problemas. Segundo Hilda Sanches, 48 anos, formanda em enfermagem, inúmeros itens foram esquecidos. “O que teve foi o mínimo: beca, capelo, canudo e lugar para formandos e convidados sentarem. Mas outras coisas prometidas não foram disponibilizadas. Faltou palco, telão, coffee break para os componentes da mesa e um cerimonial do jeito que uma colação pede. Foi constrangedor”, lamenta ela.

Formandos afirmam que não havia telão e empresa nega (Foto: Reprodução/Acervo Pessoal)

Francisco Aquery, 26 anos, também formando em enfermagem, endossa o discurso. “Eles queriam chamar os estudantes de enfermagem pra fazer fila e pegar o canudo e não chamar cada um por nome. Mas a gente só levantou da cadeira quando chamou pelo nome, pois é essencial na formatura ter seu nome chamado. Isso chateou demais”, diz Francisco. Segundo ele, o cerimonialista não os chamou pelo nome e outra pessoa da empresa o fez.

Unnipix e Unime respondem

Procurado, o gerente da Unnipix, que se identifica como Alencar, justificou. “Atraso houve sim. Infelizmente, o Centro de convenções agendou evento teste da Prefeitura de Salvador no mesmo dia e só ficamos sabendo no dia anterior a nossa montagem de evento”, alega.

Sobre as demais queixas, Alencar afirmou que se tratavam de “informações imprecisas”. Segundo ele, alguns pedidos não estavam previstos. “Telão de led havia. Coffee era para professores, não para formandos. Na nossa proposta e no informativo [enviado] a eles, não constava palco”, garante. Veja imagens enviadas pela Unnipix abaixo:

(Reproduçãp/Unnipix)
(Reproduçãp/Unnipix)
(Reproduçãp/Unnipix)

A Unime, de acordo com os formandos, indicou a empresa para a realização do evento. A instituição foi procurada e respondeu através de uma nota: 

"A Unime Lauro de Freitas lamenta o ocorrido e informa que a Dorana (Unnipix) é uma empresa terceira contratada para a realização da colação de grau de seus alunos. A instituição esclarece que o atraso na colação do dia 25.08 foi devido à realização de um evento teste agendado pelo Centro de Convenções no mesmo dia – situação que foi informada à Unnipix apenas no dia anterior e que exigiu novas autorizações e vistorias. A Unime está em contato com a Unnipix para esclarecer os pontos levantados e está à disposição em caso de dúvidas adicionais". 

Importância do contrato

A decepção foi uma consequência de um acerto confuso, como conta Francisco. “Não assinamos contrato, só teve um formulário on-line pra preencher. Temos os slides e itens que mostram o que eles ofereceram. Partes do cerimonial não tinha, como o chamamento individual, mas presumimos que teria, assim como em toda formatura”, lembra. 

Situação desaconselhada pelo advogado Ivan Pires, que usa o direito do consumidor para explicar o valor de um contrato. “Se tivesse um contrato por escrito e com todas as cláusulas estabelecendo as obrigações tanto dos formandos como da empresa, evitaria essa dor de cabeça. Isso seria uma virtual comprovação ou não do descumprimento dos acordos”, explica Pires. 

Mesmo sem contrato, dá pra entrar com uma ação judicial? O advogado garante que sim. “Foi um contrato verbal que fizeram com a empresa. Apesar de não ser escrito, pelo código do consumidor, há a possibilidade de entrar com um processo se tiverem em mãos material suficiente para comprovar o que não foi cumprido”, conclui.

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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