Amor e fé

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22.03.2021, 05:00:00

Amor e fé

Este tempo de pandemia pode ser ocasião para percorrer um caminho de amor e fé. A fé torna-se ainda mais importante, podendo contribuir muito para a saúde emocional e espiritual, bem como para a observância das medidas de saúde pública. O amor, iluminado pela fé, anima o caminhar, fazendo superar a angústia e sofrimento. 

As Igrejas têm buscado novas formas de transmitir e vivenciar a fé, em tempos de restrições à presença nos templos, de modo a cumprir as medidas sanitárias e colaborar para a superação da pandemia. O recurso às transmissões online das celebrações tem sido muito importante não somente para alimentar a fé, mas também para preservar o vínculo com a comunidade local

Por isso, além das celebrações transmitidas pelas emissoras de rádio e televisão, têm crescido as iniciativas de transmissão de celebrações e atividades pastorais nas redes sociais, a partir da comunidade local. Certamente, isso não exclui a importância da participação nos templos, mas tem se revelado um importante meio para animar a vivência comunitária da fé, trazer esperança e estimular a caridade. O distanciamento social não pode significar isolamento espiritual ou acomodação, que não condizem com a fé cristã. Por isso, há necessidade de redobrado empenho da parte das lideranças religiosas para conjugar a assistência religiosa com o cumprimento dos protocolos sanitários.  

A fé não se reduz à sua dimensão orante, nem se restringe ao interior dos templos ou à vida privada. Ela se expressa através do amor fraterno. A oração se prolonga por meio da solidariedade e do serviço aos que mais sofrem. É preciso contemplar o rosto sofredor de Cristo nos rostos de tantas pessoas que sofrem nesta pandemia.  Para reconhecer o outro como o próximo a ser amado, é preciso tornar-se próximo através de gestos concretos de fraternidade. Não bastam iniciativas pessoais e espontâneas, que são sempre muito importantes. É necessário traduzir o amor fraterno em ações comunitárias de caridade, solidariedade e partilha. Com a pandemia se prolongando e se agravando, tornam-se ainda mais necessárias as iniciativas espontâneas e comunitárias de ajuda a quem mais sofre.

Inspirados na Parábola do Samaritano, contada por Jesus, é preciso aproximar-se de quem sofre, com compaixão e generosidade, levantando quem está caído e cuidando, ao invés da indiferença diante da dor. O distanciamento necessário para evitar contágios dificulta, mas não impede a proximidade fraterna e a solidariedade com os que se encontram em situação de pobreza e vulnerabilidade social. Há muitas iniciativas de solidariedade e de partilha promovidas por comunidades religiosas e outras instituições. Na pandemia, o pouco que se tem para partilhar pode saciar a muitos, trazendo alegria para quem doa e para quem recebe. Sempre é possível compartilhar amor e fé!

Dom Sergio da Rocha, cardeal arcebispo de Salvador  

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