Antes de ter alta, menina de 10 anos pede para realizar sonho de comer hambúrguer

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19.08.2020, 13:58:29
Atualizado: 19.08.2020, 14:15:23
(Foto: Day Santos/JC Imagem)

Antes de ter alta, menina de 10 anos pede para realizar sonho de comer hambúrguer

Responsável por atendimento de criança violentada pelo tio, médico conta que vítima voltou a sorrir: 'até agora ela só teve sofrimento na vida'. Mãe morreu e pai está preso

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Se os sonhos voltaram a ser possíveis para uma menina capixaba de apenas 10 anos, após os traumas do estupro e gravidez interrompida, eles começaram a ser realizados já nesta quarta-feira (19). O primeiro foi bem simples, e feito ainda no hospital, antes de receber alta médica em Recife: comer um hambúrguer do McDonald's. Desejo atendido.

Internada desde domingo (16), no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisan), na capital pernambucana, a menina saboreou o lanche um tanto aliviada, sabendo que o tio de 33 anos, por quem era violentada desde os 6 anos de idade na cidade de São Mateus (ES), já encontra-se preso.

"No final, ela disse que tinha um sonho, que foi realizado, que era comer um sanduíche do McDonald's. Não sei dizer ao certo, mas, aparentemente, ela nunca havia comido um hambúrguer", contou ao jornal Correio Braziliense o médico responsável por atender a criança, Olímpio Barbosa de Morais Filho. 

Segundo ele, ao receber alta, a menina estava bem e voltou a sorrir. Ela também foi presenteada com cartas, brinquedos, jogos eletrônicos e tablets. 

"Ela finalmente está segura e sinto que fiz o meu papel como profissional da saúde, que é atenuar o sofrimento das pessoas e não julgar ou maltratar ninguém", comentou Morais.

A criança tem um histórico de vida marcado pela violência: ela está sob a guarda dos avós porque a mãe morreu e o pai está preso. 

"Acredito que é um novo nascimento, até agora ela só teve sofrimento na vida. Vai depender do povo capixaba ajudar que ela tenha uma nova vida, sem sofrimento e passar uma borracha por cima de tudo o que aconteceu", finalizou o médico.

Relembre o caso
Os abusos contra a menina começaram a ser investigados em 8 de agosto, quando a criança deu entrada no hospital com suspeita de gravidez. Após a confirmação da gestação, a Justiça autorizou a realização do aborto, mas a unidade de saúde no Espírito Santo se recusou a fazer o procedimento.

A menina, então, foi encaminhada para o Recife, onde virou alvo de grupos religiosos após a extremista Sara Winter divulgar o nome da criança e o hospital onde ela estava. Apesar dos protestos, a gravidez da criança foi interrompida na segunda (17). 

O tio que cometeu os abusos foi detido nessa terça, em Betim (MG). Ele, que chegou a ser procurado pela polícia no Sul da Bahia, onde morou, estava escondido na casa de parentes e não resistiu à prisão. 

Ele assumiu “informalmente” os abusos e disse que tinha um “relacionamento” com a criança. "Mas isso não se justifica, porque ela é menor e não tem nenhuma capacidade de entender o que estava acontecendo", esclareceu o delegado-chefe da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darcy Arruda.

O homem já tinha passagem criminal por tráfico de drogas e esteve preso entre 2011 e 2018, mas em 2017 ganhou direito ao regime semiaberto. O homem foi indiciado por estupro de vulnerável e ameaça. Com informações do Correio Braziliense.

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