Antes parceiras, BDM e Caveira acirram disputa por ‘bocas‘ de tráfico

bahia
22.03.2016, 06:43:00

Antes parceiras, BDM e Caveira acirram disputa por ‘bocas‘ de tráfico

Nas cidades de Catu, Madre de Deus, Pojuca, o domínio é da BDM, que tenta se expandir no Subúrbio, Cajazeiras e Brotas

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Em algumas pichações, a sigla BDM vem acompanhada de ‘Tudo 3’ – um código que surgiu no sistema prisional que faz referência à facção Caveira. No entanto, há cerca de uma semana, a BDM segue sem Perna, líder da Caveira. Agora, a briga pelo controle do tráfico na Bahia ficará mais acirrada.

Nas cidades de Catu, Madre de Deus, Pojuca, o domínio é da BDM, que tenta se expandir em Salvador, nas regiões do Subúrbio, Cajazeiras e Brotas. Já a facção Caveira controla, por exemplo, Paripe, Engenho Velho de Brotas, Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas, Chapada do Rio Vermelho,  Ogunjá, Tancredo Neves e Engomadeira. O Comando da Paz (CP) ou Escorpião tem expressão maior na Cidade Nova, IAPI, Pero Vaz e  Calabar. Seu líder, Claudio Campanha, encontra-se preso em Catanduva (PR). 

Já a Katiara, apesar do enfraquecimento devido às ações da polícia e mais de 20 prisões, ainda detém o controle do tráfico em Valéria, Águas Claras e Recôncavo. O comando é de Adilson Souza Lima, o Roceirinho, que está na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). 

Para secretário, membros de facção buscam proteção
Para o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, se afirmar enquanto parte de uma facção é uma forma de buscar proteção e acolhimento.

“Temos visto determinados traficantes se dizerem pertencentes a uma delas (facções), como forma de buscar proteção no mundo do crime. É uma coisa que a gente vê que está passando além da questão criminal para uma questão social, de acolhimento de adolescentes pelos demais”.

Ainda segundo o secretário, o apelo que estes grupos exercem sobre os jovens é o mesmo das antigas gangues de bairro – mas com modernas ferramentas, como as redes sociais. Perguntado sobre a atuação da Bonde do Maluco durante evento de formatura de soldados da PM, Barbosa declarou que não divulga nomes de facções, mas admitiu que o surgimento de novos grupos faz parte da “dinâmica do crime”.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas