Apenas 32% do público-alvo se vacinou contra gripe em Salvador; veja lista de postos

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06.07.2021, 06:30:00
Atualizado: 06.07.2021, 06:48:03
Vacina contra a gripe está sendo aplicada em 107 pontos de 12 distritos sanitários (Nara Gentil/CORREIO)

Apenas 32% do público-alvo se vacinou contra gripe em Salvador; veja lista de postos

Vacinação para combater Influenza é aberta para pessoas acima de 6 meses de idade

A vacinação contra a gripe foi estendida para toda a população de Salvador acima de 6 meses de idade nesta segunda-feira, 05. A informação foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A ampliação do público alvo aconteceu após orientação do Ministério da Saúde (MS), devido a baixa adesão à campanha no país.

Na capital baiana, foram imunizados contra a influenza, até agora, pouco mais de 316 mil pessoas, cerca de 32% de quem era elegível até então.

Para quem deseja garantir a proteção, é possível se vacinar em qualquer um dos 107 pontos em um dos 12 distritos sanitários da capital: Barra/Rio Vermelho (5 postos), Boca do Rio (5), Brotas (4), Cabula/Beirú (12), Cajazeiras (6), Centro Histórico (6), Itapagipe (3), Itapuã (12), Liberdade (5), Pau da Lima (12), São Caetano/Valéria (17) e Subúrbio Ferroviário (19); além do drive thru situado no Shopping Barra, de segunda a sexta, das 8h às 16h, exceto feriados. É preciso levar documento de identidade com foto.

Veja aqui os postos de vacinação

De acordo com a SMS, a vacinação contra a gripe acontece em paralelo à imunização para evitar as formas graves da covid-19. A equipe técnica do órgão enfatiza que é fundamental ficar protegido contra a gripe para reduzir a procura pelos serviços públicos de saúde por sintomas gripais que não sejam referentes a covid-19, reduzindo a possibilidade de sobrecarga.

“Apesar do imunobiológico utilizado contra a gripe não ter relação com o novo coronavírus, ambas as patologias apresentam sintomas semelhantes e as complicações causadas em decorrência das doenças inspiram praticamente os mesmos cuidados. O objetivo da estratégia é reduzir complicações, internações e mortalidade decorrentes das infecções pelo vírus da gripe. A vacinação também é de suma importância nesse momento para reduzir os impactos dos serviços de saúde em tempos de pandemia”, explicou a subcoordenadora de Doenças Imunopreveníveis da SMS, Doiane Lemos.

Diagnóstico

A imunização contra a Influenza pode também facilitar o diagnóstico da covid-19. De acordo com o médico infectologista Adriano Oliveira, a sintomatologia pode agir a favor dos vacinados. Isso porque, tanto a variante Delta da covid-19 quanto a gripe podem apresentar os mesmos sintomas de vias aéreas superiores: dor de cabeça, dor de garganta, espirros e coriza. 

“Assim que a covid chegou, pensávamos que ela fosse muito semelhante à Influenza, mas, com o tempo, percebemos que não. A cepa original da covid tem sintomas nas vias aéreas inferiores. Mas, de acordo com o monitoramento do governo britânico sobre variante Delta, os novos sintomas são de ambas as vias”, explica o especialista.

Por isso, quando o indivíduo está vacinado contra a Influenza, é mais fácil ter certeza sobre o seu diagnóstico caso ele apresente sintomas parecidos com os da infecção por coronavírus. “Na medida em que o indivíduo está vacinado contra a Influenza, a chance de ele adquirir a Influenza é menor e isso diminui a chance de fazer confusão com a covid, seja ela qual variante for”, explica Adriano Oliveira.

Ordem das vacinas

Com as campanhas de imunização contra a covid-19 e a gripe acontecendo em paralelo, as pessoas ficam em dúvida sobre qual vacina tomar primeiro. Os especialistas dizem que não existe uma ordem, mas Doiane Lemos explica que é preciso obedecer um intervalo de 14 dias. 

“A recomendação é que os indivíduos possam observar o intervalo de 14 dias entre a administração das vacinas da gripe e do coronavírus”. Ou seja, se tomou a da covid, após 14 dias pode tomar a da influenza e vice-versa.

O infectologista Mateus Todt, da S.O.S Vida, por sua vez, recomenda que é "melhor priorizar a da covid-19". Isso porque o coronavírus tem se mostrado mais fatal que a influenza, além da incerteza sobre a disponibilidade de doses, que chegam aos poucos.

Sistema imune precisa de tempo de resposta

O sistema imunológico precisa de tempo para maturar a resposta a cada vacina, por isso é preciso esperar intervalo entre a dose contra a covid-19 e a dose contra o vírus influenza, explica o infectologista Adriano Oliveira.

Ele ressalta que, quando não se respeita esse prazo e se recebe antes o imunizante da gripe, pode haver camuflagem dos sintomas de alguém que está infectado pelo coronavírus.

"Não há questão técnica para definir a ordem. O que acontece é que o risco de óbito por covid-19 é maior do que por influenza. Não é para descuidar da vacina contra a gripe, mas vale priorizar o imunizante contra a covid, é o ideal", defende o também infectologista Matheus Todt. 

Sobre tomar as duas vacinas em intervalo menor, não existe risco de morte para a pessoa, mas os efeitos colaterais das vacinas também podem confundir o diagnóstico em caso de suspeita de infecção por covid-19.

"É que, se você toma a vacina da influenza e tem tosse e febre, pode confundir isso com os sintomas colaterais da vacina da gripe, sendo que pode estar com covid-19 e com a necessidade urgente de isolar. Não percebendo isso, a pessoa se expõe mais e pode transmitir o vírus, esse é o risco", alerta Adriano Oliveira.

*Com a orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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