Após confinamento, cresce procura por atividades ao ar livre na Bahia

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30.10.2021, 05:53:00
(Bárbara Affonso não se readaptou às academias e decidiu praticar Yoga e canoagem no Porto da Barra (foto: acervo pessoal) )

Após confinamento, cresce procura por atividades ao ar livre na Bahia

Agenda Bahia tempo 21: Trilha Viver - É hora de retomar os exercícios físicos; movimento é bom mas exige cuidados

Desde setembro deste ano, a prática de yoga passou a ter vista e complemento para a instrutora Bárbara Affonso e um pequeno grupo de alunos. Num movimento ousado, ela resolveu levar a atividade para o Porto da Barra, onde ministra aula ao ar livre no deck ao lado do Forte Santa Maria, e depois segue para um passeio de canoa havaiana com direito a mergulho. Dois tipos de exercício que, a priori, não têm relação, mas se completam graças ao ambiente.

Antes da pandemia, Bárbara dava aulas numa academia e, assim como tantos profissionais, precisou migrar para o digital. E viu  que o espaço anterior não atendia mais às necessidades dela e dos alunos.

“Quando as academias abriram pela primeira vez eu não me adaptei ao ambiente fechado, de máscara, no ar-condicionado.  Após o segundo lockdown escolhi não voltar para academia. Busquei exercícios que eu pudesse fazer ao ar livre, comecei a fazer remadas, nadava e tive o contato com a canoa havaiana", lembrou Bárbara. "Percebi que era importante ter um alongamento antes, já que é um esporte que mexe com o corpo todo. E pensei que seria legal fazer uma aula de yoga. Levei amigas, testamos e funcionou muito bem”. 

Essa mistura partiu da vontade que Bárbara sentia de se reconectar com a natureza fazendo seu exercício preferido. Algo que o psiquiatra Antônio Nery Filho, professor da Ufba e médico da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), aponta como um movimento próprio do ser humano. “Quando alguém é privado de liberdade de circular, existe a repercussão sobre o físico, o psíquico e o social. As pessoas emagrecem, engordam, ficam diferentes em função da ausência da possibilidade de circular e se movimentar. Quando os humanos não podem se movimentar, ver o que é belo, o que é bom, isso acaba produzindo angústia, ansiedade, medo exacerbado. E traz impacto na relação com o outro, pois temos uma construção social complexa e extraordinária”, explicou.

Foi isso que Bárbara conseguiu fazer na yoga e na canoa: reuniu pessoas com a quais só tinha contato por meios digitais, encontrou um local onde pudesse se movimentar com segurança e manteve os cuidados com o corpo. “A aula em casa é legal porque você pode fazer na hora que quiser, mas dar aula nesse local aberto, sentindo a brisa do mar, a sombra da amendoeira, traz outra conexão. Queremos manter um modelo híbrido, aula on-line para quem quer evoluir na prática do exercício e aulas abertas para quem quer ter contato com a natureza”, falou.

Déficit de natureza
No Brasil, 9,3% das pessoas têm algum transtorno de ansiedade, segundo dados de 2019 da Organização Mundial da Saúde. E, durante essa pandemia, 43,7% das pessoas que trabalham em home office relataram aumentos nos problemas psicológicos como depressão, ansiedade e de concentração, segundo pesquisa da startup Workana.

Além disso, outro conceito pode ter prejudicado a saúde física e mental das pessoas. O “transtorno de déficit de natureza” é apresentado assim pelo norte-americano Richard Low: quando a falta de contato com a natureza causa problemas físicos, como a obesidade, e mentais, como depressão, hiperatividade e deficit de atenção – sintomas que se tornaram corriqueiros durante a crise sanitária. 

 Nery diz que os efeitos nocivos do isolamento podem regredir com a normalização das atividades cotidianas graças ao avanço da vacinação. “Não é possível retornar no tempo. Estamos ganhando de volta algumas coisas da vida que tivemos e teremos, a partir de agora, de modo diferente. Isso diminui o medo, nos devolve a autonomia e a liberdade de circular. Podemos recompor e reconstruir”.

O programa do Agenda Bahia 21 pode ser assistido aqui 

Cuidados com o retorno às atividades físicas


Antes de procurar  o aulão de canoa e yoga – ou qualquer outra atividade física – é  importante tomar cuidados para garantir que a prática de exercícios físicos, seja ao ar livre ou na academia, não traga danos ao corpo.

A fisioterapeuta  Jamile Malheiros, que atua no Hospital  Roberto Santos, diz que o sedentarismo pode causar diversas patologias, inclusive nos sistemas muscular, respiratório e cardiovascular. 

“O sedentarismo  aumenta a frequência cardíaca de repouso, diminui a capacidade vital, funcional, além de aumentar a chance de trombose.  Além do aval do médico, é importante ter acompanhamento de um fisioterapeuta quando já existe algum tipo de lesão. E, quando o exercício está liberado, a 
instrução do educador físico é essencial para avaliar postura, a carga e o ritmo do movimento”, afirma a fisioterapeuta.

O mesmo serve   para quem não parou de treinar em casa, mas resolveu voltar à academia ou intensificar os treinos com os relaxamentos das restrições. “A pessoa precisa entender que ela está recomeçando, recondicionando.  A musculatura não está tão forte como antes, os ligamentos também não estão. Então é ir devagar, ganhando ritmo novamente, prestando atenção nos limites do corpo”, completa Jamile.

O Agenda Bahia 2021 é uma realização do CORREIO, com patrocínio da Unipar, parceria da Braskem, apoio da Sotero Ambiental, Tronox, Jotagê Engenharia, CF Refrigeração e AJL Locadora e apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, Sistema FIEB, Sebrae, Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro, Rede Bahia e GFM 90,1.

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