Após Justiça derrubar interdição, presos fogem do presídio de Feira de Santana

bahia
11.08.2018, 14:39:13
Atualizado: 11.08.2018, 20:42:50

Após Justiça derrubar interdição, presos fogem do presídio de Feira de Santana

Local reúne cerca de 1.800 presos - maior concentração no estado

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O presídio de Feira de Santana registrou duas fugas de presos, dias após o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) derrubar decisão liminar que impedia a unidade de receber suspeitos de crimes por mais de três meses. O presídio é o que tem mais detentos do estado, com cerca de 1.800 presos.

Segundo a direção do presídio, as circunstâncias das fugas de Carlos José Pereira Macedo, 19 anos, e Bernardo Silva dos Santos, 22, ocorridas, respectivamente, na quarta (8) e sexta-feira (10), estão sendo investigadas por meio de sindicâncias internas.

O presídio de Feira de Santana recebe detentos de cerca de 100 cidades, como Carlos, que é do município de Coração de Maria, e Bernardo, de Ruy Barbosa. Eles estavam presos por assalto e até o final da manhã deste sábado (11) não tinham sido localizados.

“Ainda não temos informações concretas como ocorreram as fugas, mas logo teremos uma resposta objetiva para prestar esclarecimentos à sociedade”, declarou ao CORREIO o diretor do Conjunto Penal de Feira de Santana Allan Araújo.

A Companhia Independente de Policiamento de Guardas, unidade da PM responsável pela segurança externa do presídio, abriu um inquérito policial militar para averiguar a situação.

A suspeita é de que um dos presos, Bernardo, tenha conseguido fugir ao pular o muro da unidade prisional, de 4 metros de altura. Câmeras registraram um homem dando fuga ao preso numa moto. Já Carlos, fugiu de madrugada, ainda não se sabe como.

Comandante da Companhia Independente de Policiamento de Guardas, o tenente-coronel Leonir Moraes, informou que equipes da PM, com auxílio da Polícia Civil, fazem buscas aos detentos. “Esperamos que eles possam ser capturados logo”, disse.

Acima da lotação
Na última atualização sobre a unidade prisional de Feira de Santana, realizada dia 7 de agosto, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) contou 1.750 presos, sendo que a capacidade do local é para 1.356. Neste sábado, a direção da unidade declarou que a quantidade já chega perto dos 1.800 presos.

Depois de Feira, a segunda prisão com mais internos na Bahia é a Penitenciária Lemos Brito, de Salvador, onde estão 1.536, num local feito para 771. Com capacidade total para 12.095 presos, o sistema carcerário baiano abriga atualmente 15.080 detentos.  

A unidade prisional de Feira de Santana ficou impossibilitada de receber presos por determinação judicial em 26 de abril, por causa da superlotação – 75% dos presos estão entre 3 e 5 anos aguardando sentença, informa a direção do presídio.

Em nota sobre a decisão do TJ-BA que derrubou a interdição, dada na segunda-feira (6), a Seap declarou que a Justiça acatou o argumento da secretaria de a interdição da unidade prisional agrava o problema de superlotação em outras prisões.

No período de interdição, os presos estavam sendo levados para outros presídios do estado ou ficavam nas delegacias regionais, que não são preparadas para receber presos, seja fisicamente ou no que se refere à custódia por parte de policiais civis e servidores do setor administrativo.

Segundo a Seap, o Conjunto Penal de Feira de Santana “passou por reformas e possui recursos de última geração como 9 portais detectores de metais, circuito fechado de TV (CFTV), controle de abertura e fechamento das celas, da água e da iluminação pelo nível superior, sem necessidade de contato do agente penitenciário com os presos”.

Na semana passada, a secretaria, segundo a nota oficial, remanejou 14 agentes penitenciários para a unidade e colocou em funcionamento mais um módulo, como também, o minipresídio, e espera nos próximos dias entregar outro módulo.

A Seap diz ainda que além de recepcionar em Salvador os presos da Delegacia de Feira de Santana e outras comarcas também recepcionou 30 presos de Alagoinhas.

“Não obstante os grandes desafios, a Seap espera inaugurar o 18º Núcleo da Central de Penas e Medidas Alternativas (CEAPA) no município, logo após o fim do período eleitoral”, diz a nota.

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