Após terror em áudios, três homens são presos e um morto na Chapada

minha bahia
08.12.2019, 13:40:00
Atualizado: 08.12.2019, 17:14:59

Após terror em áudios, três homens são presos e um morto na Chapada

Ação policial teve início após circulação de áudios que aterrorizavam a população

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Três homens foram presos neste sábado (7) durante a operação Vetor Aéreo no município de Mulungu do Morro, na Chapada Diamantina. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a ação teve início após a circulação de áudios em grupos de Whatsapp que aterrorizavam a população.

Nos últimos dias, a região tem sentido os reflexos da morte do traficante Zé de Lessa, apontado como líder da facção Bonde do Maluco (BDM), e morto na última quarta-feira (4), em uma área rural do estado do Mato Grosso do Sul, onde vivia em condição de foragido. Zé de Lessa era natural da região da Chapada, e foi velado e enterrado em Mulungu do Morro, onde sua mãe mora.

De acordo com a polícia, foram presos durante a operação Cristiano da Silva Costa, Mateus da Silva Costa e Romário Santos Leite. Na ação, também foi localizado Erivelton Rodrigues de Souza que efetuou disparos de arma de fogo contra as unidades. No confronto, ele foi encaminhado para unidade médica, mas não resistiu aos ferimentos. Erivelton era líder do tráfico de drogas na cidade, além de ser investigado por homicídios. 

Com eles foram encontrados um revólver calibre 38, 294 comprimidos de ecstasy, 26 porções de cocaína, 25 porções de maconha, 88 munições para calibre 9mm, duas para calibre 380, um carregador de pistola calibre 40, três balanças e uma touca estilo balaclava. 

Nos áudios que circularam esses dias, criminosos prometeram represálias a qualquer sinal de “desrespeito” à memória do “Veinho”, como era conhecido Zé de Lessa. De acordo com a polícia, não houve nenhum esquema especial de segurança durante o sepultamento. Por conta do medo, o comércio da cidade ficou fechado e muitos barraquistas sequer apareceram na feira tradicionalmente realizada aos sábados.

"Montamos um esquema policial formado com 11 guarnições para assegurar a paz no município e cidades vizinhas. Os irmãos presos e o comparsa eram responsáveis por guardar armas e drogas em um galpão", contou o comandante da Cipe Semiárido, major Carlos Maltez Filho. 

Segundo o comandante da 7° BPM, tenente-coronel Carlos Augusto Ferreira, a operação segue neste domingo (8). "Estamos com aeronave do Graer sobrevoando a região e os reforços das especializadas que estão em busca de mais criminosos envolvidos em 'fake news' espelhadas pela região nesses últimos dias", informou o comandante.

Participam da operação as Companhias Independentes de Policiamento Especializado (Cipes) Semiárido e Chapada, o Grupamento Aéreo da PM (Graer) e o 7° Batalhão de Polícia Militar (BPM/Irecê).

Antecedentes

Erivelton, o último à esquerda, morreu em ação da polícia (Foto: Divulgação/SSP)

O rapaz morto na operação já havia sido preso em outubro ano passado com outras duas pessoas, um homem e uma mulher. De acordo com a polícia, eles foram pegos em flagrante com uma metralhadora e R$ 60 mil em pasta base de cocaína. O trio foi interceptado a bordo de um ônibus interestadual da empresa Angel.

Eles estavam em uma rodovia estadual de Mulungu do Morro quando foram surpreendidos por guarnições da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe/Semiárido), que chegou até eles através de uma denúncia anônima alertando sobre a chegada da droga.

Nas bagagens dos presos, Erivelton Rodrigues de Souza, 21 anos, Anderson Lumes dos Santos, 31, e Débora Francisca Ferreira, 22, os PMs encontraram uma metralhadora calibre 40, carregador, munições e 3 kg de pasta base de cocaína. O trio foi apresentado na 13ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin/Seabra).

De acordo com o Diário Oficial do Tribunal de Justiça, desde setembro Erivelton estava na condição de liberdade provisória, solicitada pela sua defesa devido à demora das investigações do flagrante. O juiz Pablo Venício Novais, da vara criminal, entendeu que o encarceramento dele era inaceitável já que "a não oitiva das testemunhas arroladas na denúncia impede o final da instrução do feito, causando a delonga da prisão preventiva do réu por prazo além do razoável", conforme consta na decisão.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas