Bahia já foi treinado por sete técnicos estrangeiros; veja quem são

e.c. bahia
19.06.2021, 07:08:00
Fleitas Solich e Dante Bianchi foram dois dos técnicos estrangeiros - e campeões - pelo Bahia (Domínio Público/Wikipédia e Reprodução)

Bahia já foi treinado por sete técnicos estrangeiros; veja quem são

Português Bruno Lopes, do sub-23, é o primeiro do país ibérico a trabalhar no Esquadrão

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Parece ter virado moda, mas a presença de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro não começou em 2019 com Jorge Jesus. Ao longo da história do esporte nacional, diversos nomes já desembarcaram por aqui e fizeram boa parte de sua história em nosso território. No Bahia, não é diferente. Ainda que não seja tradicional na história do clube, o Esquadrão já foi treinado por sete estrangeiros. Anunciado durante a semana como novo técnico do time de aspirantes, Bruno Lopes será o primeiro português da lista.

Se considerarmos os "professores" da equipe principal, apenas um deles veio da Europa: o húngaro Janus Tatray. Muitos deles chegaram ao Brasil para não mais sair e tiveram resultados importantes e conquistas no Bahia e em outros clubes no país.

Vale lembrar, por exemplo, que o primeiro técnico campeão brasileiro, com o próprio Bahia, foi o argentino Carlos Volante, na Taça Brasil de 1959. A lista ainda tem outros dois nomes do país hermano, além de um chileno, um paraguaio e um uruguaio.

Confira a lista completa de treinadores estrangeiros do Bahia, em ordem cronológica:

Dante Bianchi
O argentino fez parte do Esquadrão como jogador antes de assumir o comando à beira do campo. Foram mais de 100 jogos com a camisa azul, vermelha e branca. Dante Bianchi formou uma linha de meio-campo histórica com Héctor Papetti e Mario Giuseppe Avalle, no time campeão baiano invicto em 1940. Como treinador, Bianchi também marcou época em duas passagens pelo clube, sendo a primeira entre 1947 e 1950 e a segunda entre os anos de 1955 e 1956. Entre os treinadores gringos do Esquadrão, é o que tem números mais expressivos. Foram 190 jogos, com 111 vitórias, o estrangeiro líder nos dois quesitos pelo Bahia. 

Além disso, é o treinador dessa lista com o maior número de títulos. Foram cinco de Campeonato Baiano, além do Torneio dos Campeões do Nordeste de 1948, um dos precursores do modelo que hoje fez sucesso como Copa do Nordeste. Como técnico, Bianchi também foi técnico de outros times da região, como Vitória, Sport, Náutico, Fortaleza, Treze-PB, América-RN e ABC.

Ricardo Díez
Uruguaio, Ricardo Díez fez a sua carreira como técnico no Brasil durante cerca de 30 anos. Ele foi treinador de alguns dos principais times do país, como Internacional, Cruzeiro, Sport, Náutico, Atlético-MG e América-MG. Em 23 jogos no comando do Esquadrão, Díez conseguiu dez vitórias, oito empates e cinco derrotas. Fez parte da campanha do título baiano de 1954, mas saiu antes do término da competição. Além do Baianão, foi campeão do gaúcho e mineiro duas vezes de cada, além de conquistar um título pernambucano com o Sport. 

Carlos Volante
O argentino Carlos Volante precisou de só uma partida para entrar para a história do Bahia. Ele assumiu o tricolor na terceira e decisiva partida da final da Taça Brasil de 1959, contra o Santos. O resultado foi 3x1 no Maracanã e faixa no peito do Esquadrão, primeiro campeão brasileiro. O argentino treinou o time durante o ano de 1960 e, até o título do Flamengo no Brasileirão 2019, era o único técnico estrangeiro a conquistar o Campeonato Brasileiro - o português Jorge Jesus igualou o feito.

Uma curiosidade sobre o argentino é que a posição de volante no futebol brasileiro foi assim batizada em homenagem a ele. Já no fim da carreira como atleta, passou alguns anos no Flamengo, onde fez sucesso e se destacava pela forte marcação e capacidade de chegar à frente. Com isso, os jogadores que passaram a atuar no mesmo setor eram chamados de "volantes". A história de Volante no Brasil começou no Rio de Janeiro e se estendeu a outros clubes quando virou treinador. Comandou o Internacional e o Vitória antes de chegar ao Bahia. Ao todo, foram 94 partidas no comando do tricolor baiano, com 53 triunfos, 14 empates e 27 derrotas. Além do Brasileiro de 1959, foi bicampeão baiano em 1960 e 1961.

Janus Tatray
Único europeu da lista, o húngaro Janus Tatray teve uma passagem rápida pelo tricolor no ano de 1967. Foram 15 jogos durante o Campeonato Baiano, que foi vencido pelo Bahia. Tatray é mais um dos treinadores citados a fazer grande parte da carreira no Brasil. Seus maiores momentos foram no futebol paraibano, onde treinou os arquirrivais Treze e Campinense nas décadas de 1950 e 1960. Uma das conquistas marcantes foi o estadual de 1966 pelo Campinense, conquistado de maneira invicta. Também foi bicampeão cearense com o Ceará.  

Juan Herrera
Foram somente três jogos, o suficiente para aparecer nesta lista. O chileno Juan Herrera assumiu o comando do Bahia rapidamente no ano de 1969 até a chegada de Fleitas Solich, o que o faz ser o profissional de passagem mais curta entre os citados. Antes de chegar a Salvador, Herrera trabalhou alguns meses com Zezé Moreira, que também treinou o Bahia e foi campeão baiano em 1978 e 1979, nos últimos anos do heptacampeonato. Teve diversos outros trabalhos como auxiliar técnico por equipes brasileiras e também na seleção chilena.

Fleitas Solich
Manuel Agustín Fleitas Solich nasceu em Assunção, capital do Paraguai, e treinou o Esquadrão entre 1969 e 1972. Já era o fim da sua vitoriosa carreira, e em solo baiano não foi diferente: levantou os troféus de Campeonato Baiano em 1970 e 1971, na década mais dominante da história do Bahia em nível estadual - o hiato do título do Vitória em 1972 foi sucedido pelo heptacampeonato entre 1973 e 1979. É o segundo treinador estrangeiro com mais jogos à frente do Esquadrão: 114 partidas, com 62 triunfos, 29 empates e 23 derrotas.

Fleitas Solich tem um currículo extenso como treinador, pois iniciou sua carreira à beira do gramado enquanto também atuava como jogador logo aos 21 anos, pela seleção paraguaia. Após pendurar as chuteiras, comandaria sua seleção no título da Copa América (chamada de Campeonato Sul-Americano à época) de 1953. Ele treinou times na Argentina e no Paraguai antes de desembarcar no Brasil. Apesar da passagem pelo tricolor baiano, o paraguaio realmente marcou época no Flamengo, onde chegou em 1953 e foi responsável pelo tricampeonato carioca de 1953 a 1955. O sucesso na Gávea fez Solich ser contratado para treinar o Real Madrid de Di Stéfano e Puskás. Até hoje, "El Brujo" é o segundo treinador com mais jogos na história do rubro-negro carioca. Além do Bahia e do Fla, treinou Corinthians, Fluminense, Palmeiras e Atlético-MG em território brasileiro.

Armando Renganeschi
O último treinador gringo a passar pelo Esquadrão foi o argentino Armando Renganeschi, no ano de 1979. Ele comandou o time durante a campanha do Campeonato Brasileiro de 1979, mas não deixou saudades por aqui. Foram 11 partidas, com três triunfos, um empate e sete derrotas, além de uma eliminação precoce no torneio que terminaria com o título do Internacional.

Renganeschi é mais um a ter vivido a maior parte de sua carreira no Brasil. Ainda jogador, chegou ao país para jogar no carioca Bonsucesso depois de atuar por clubes argentinos como Independiente e Estudiantes. Como treinador, fez a maior parte da trajetória no interior de São Paulo, mas também treinou o Palmeiras. Na equipe palestrina, foi vice-campeão da Copa Libertadores da América de 1961 (então chamada Copa dos Campeões da América), vencida pelo Peñarol, do Uruguai. Seus principais títulos foram o Campeonato Carioca de 1965 pelo Flamengo e o Paranaense de 1974 com o Coritiba.

*sob orientação do editor Herbem Gramacho

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