Bahia se prepara para monitorar coronavírus

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29.01.2020, 05:30:00
Aeroporto de Salvador emite avisos sonoros sobre vírus nos terminais de embarque e desembarque internacional e doméstico (Marina Silva/CORREIO)

Bahia se prepara para monitorar coronavírus

No Brasil, o Ministério da Saúde investiga três casos suspeitos

O Ministério da Saúde confirmou, nesta terça-feira (28), que monitora três casos suspeitos de coronavírus no Brasil, em Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e em Curitiba (PR). De acordo com a pasta, os pacientes se enquadram na classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS) por apresentarem sintomas como febre, tosse e dificuldade de respirar; além de ter histórico de viagem à China nos últimos 14 dias. O MS acrescenta que os pacientes serão monitorados e ficarão isolados até que os resultados dos exames sejam divulgados, o que deve ocorrer  até o final desta semana.

Na Bahia, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que pretende capacitar os profissionais da saúde para entender mais sobre o agente contagioso. A preparação vem após o MS ter identificado o caso suspeito em Minas Gerais, estado que faz fronteira com a Bahia.  Já a Secretaria Municipal de Saúde deve começar um plano de ações visando o Carnaval, época em que aumenta a circulação de pessoas na cidade. 

O aeroporto de Salvador também  já adotou medidas de prevenção, com a oferta de álcool em gel e informes sonoros sobre o novo vírus.

Risco de epidemia

De acordo com o último boletim do governo da China, país onde o vírus foi descoberto e onde o surto começou, o novo coronavírus já infectou mais de 5,5 mil pessoas, das quais 131 morreram até a segunda-feira (27). Além da China, outros 14 países já registraram casos da doença: Austrália, Cingapura, Estados Unidos, Japão, Malásia, Coréia do Sul, França, Vietnã, Camboja, Canadá, Alemanha, Nepal, Tailândia e Sri Lanka. 

Novos casos de infecção no Japão, Alemanha e Vietnã indicam que já existe a transmissão do vírus fora do território chinês, o que aumenta o alerta para o risco de uma epidemia global.

Até agora, os casos reportados fora do território chinês eram relacionados a pessoas que haviam viajado à região de Wuhan, cidade onde o surto começou e provável local de infecção dessas pessoas. Ou seja, na maioria dos casos, a principal hipótese é a de que eles tenham se infectado na China e apenas recebido o diagnóstico em outros países, o que caracteriza o chamado "caso importado".

Desde o domingo (26), porém, começaram a surgir registros de infecções em moradores de outros países que não viajaram ao país asiático. O primeiro caso do tipo foi o de um alemão diagnosticado com o vírus. Ele mora em Starnberg, na região da Baviera, e não esteve na China.

O segundo caso ocorreu no Japão, onde um motorista de ônibus turístico foi diagnostico com a doença. Segundo o ministério da Saúde japonês, ele teve contato com um grupo de visitantes vindos de Wuhan entre os dias 8 e 16 de janeiro. O motorista, de 60 anos, começou a manifestar sintomas da doença no dia 14 de janeiro e foi hospitalizado 11 dias depois.

Quantidade de leitos

De acordo com a Sesab, a Bahia já está revisando a capacidade de leitos de isolamento — salas que previnem contaminações entre um quarto e outro — nos hospitais do estado. Na capital, o Instituto Couto Maia (Icom), em Cajazeiras, é a principal unidade de referência em doenças infectocontagiosas e dispões de 28 leitos de isolamento. No entanto, o instituto só receberá casos considerados graves, já que a infecção pelo coronavírus tem gradações. Até o momento, não há nenhum caso suspeito no estado.

Ainda conforme o órgão, apesar de ser um vírus novo, o tratamento é sintomático e os cuidados são, até o momento, semelhantes aos do vírus  Influenza (H1N1). Ao CORREIO, a Sesab disse também que trabalhadores da saúde, tanto da rede pública quanto privada, estão sendo orientados a redobrar a prevenção de possíveis contaminações diante de um caso suspeito, o que inclui a lavagem frequente das mãos, uso de álcool em gel e a utilização de máscaras cirúrgicas para pessoas que têm sinais e sintomas respiratórios de síndrome gripal.

A autarquia informou ainda que segue monitorando portos e aeroportos na Bahia. Em nota, o terminal aéreo de Salvador comunicou que tem veiculado avisos sonoros nos desembarques internacional  e doméstico sobre o vírus. Em português, inglês e mandarim, os áudios alertam sobre sintomas e formas de transmissão e prevenção. 

A instalação de dispensers de álcool em gel foram colocados em canais de inspeção, áreas de imigração, praça de alimentação e saída dos sanitários do Píer Sul, onde ocorrem os voos internacionais.

O prefeito ACM Neto confirmou que o município está com atenção total ao caso, tratando as estratégias em parceria com o estado.

“Estamos atentos e monitorando as notícias do Brasil e do mundo, a nossa atenção está redobrada”, ressaltou o prefeito.

Já o secretário municipal de Saúde de Salvador, Léo Prates, acrescenta que deslocou uma equipe de vigilância epidemiológica para acompanhar a situação da China.

Aeroporto disponibilizou álcool em gel para funcionários e passageiros (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Vírus novo

A médica infectologista Celsi Nunes, diretora do Instituto Couto Maia, explica que o coronavírus responsável pelas 131 mortes na China e as contaminações em outros 14  países,   é um vírus novo que ainda está sendo estudado pela comunidade da saúde. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), os coronavírus são uma ampla família de vírus, mas esta é uma nova variante dele. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enumera que dos tipos de coronavírus existentes, oito - contando com essa nova variante - contaminam humanos. 

“Muita coisa a gente ainda vai aprender a partir dessa epidemia, mas não é tão novo porque temos uma grande experiência com outros casos, como o do vírus Influenza [H1N1], que tem transmissão parecida”, diz a especialista baiana. 

Ainda segundo Celsi Nunes, o Brasil já  viveu uma situação muito mais ‘desesperadora’ no surto de ebola, em 2014, e que hoje a capital baiana tem maior preparo para atender possíveis casos de coronavírus. 

“Antes, nós tínhamos uma unidade precária, mas agora estamos com um hospital todo novo e 28 leitos de pressão negativa. É uma excelente estrutura para atender às  necessidades e com pessoal com expertise”, garante a diretora do Instituto Couto Maia. 

Ainda conforme a infectologista, o  Carnaval é uma época de alto fluxo de turistas e, por isso,  o nível de atenção para contaminações por  vírus - principalmente agora, com o surto do novo coronavírus - deve aumentar em Salvador, já que que esse tipo de epidemia de doença respiratória se dissemina muito facilmente em meio a multidões. 

Novo subtipo do coronavírus foi descoberto em dezembro do ano passado, na China (Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP)

Saiba mais sobre o coronavírus

Como surgiu: A origem do surto ainda não está clara, mas acredita-se que a fonte primária do vírus seja em um mercado de frutos do mar e animais vivos em Wuhan, na China. O agente foi identificado neste país após notificações de casos de pneumonia de causa desconhecida no final de dezembro do ano passado. 

Sintomas: Febre alta, tosse e dificuldade de respiras, mas também podem existir casos assintomáticos

Transmissão: De pessoa para pessoa pelo ar através de secreções aéreas da pessoa infectada ou pelo contato pessoal com esses fluidos. Atenção para profissionais de saúde, membros da família ou outras pessoas que tenham permanecido no mesmo local que um paciente doente. Ainda não está clara a facilidade com que o vírus é transmitido.

Período de incubação: Até duas semanas. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) alerta que o coronavírus pode ser transmitido de animais para humanos  e de humanos para humanos. No primeiro caso, já foram registrados casos com gatos selvagens, dromedários, morcegos, aves, porcos, macacos, cães e roedores.

Tratamento: Indica-se repouso e ingestão de líquidos, além de medidas para aliviar os sintomas, como analgésicos e antitérmicos. Nos casos de maior gravidade com pneumonia e insuficiência respiratória, podem ser necessários suplemento de oxigênio e ventilação mecânica.

Vacina: Como a doença é nova, não há vacina até o momento.

*Fonte: Sociedade Brasileira de Infectologia e Anvisa

Veja como reduzir o risco de infecção:

1. Evitar contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas;
2. Lavar frequentemente as mãos antes de se alimentar e, especialmente, após contato direto com pessoas doentes;
3. Usar lenço descartável para higiene nasal;
4. Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir;
5. Evitar tocar nas mucosas dos olhos;
6. Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
7. Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
8. Manter os ambientes bem ventilados;
9. Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações

Outras epidemias que alarmaram o mundo

>>SARS (2003) - A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) é uma doença respiratória viral causada por um subtipo de coronavírus. Entre 2003 e 2004, a doença iniciou um surto na China e atingiu 30 países em seis meses. Um caso importado chegou a ser confirnado em uma menina de quatro anos, no Brasil. Em todo o mundo, foram mais de 900 mortes.

>>Gripe Suína (2009) - Pandemia mundial, a gripe A H1N1 ficou conhecida como gripe suína e atingiu todos os seis continentes. Os primeiros casos ocorreram no México e logo a doença chegou também ao Brasil, deixando 627 pessoas contaminadas. Outros 53 países, como Japão, Inglaterra, Chile, Panamá, EUA, Canadá e Costa Rica registraram casos de infecção. Era comum a disponibilização de álcool em gel em diversos estabelecimentos do país. Em todo o mundo, cerca de 18 mil pessoas morreram.
 
>>Ebola (2014) - O vírus ebola já era conhecido desde 1976, mas foi entre 2014 e 2016 que a África Ocidental viveu surto que iniciou no Guiné e se estendeu para países como Serra Leoa e Libéria. De acordo com os Médicos Sem Fronteiras, que atendiam essa região na época, cerca de 28,7 mil pessoas foram infectadas e 11,3 mil homens, mulheres e crianças morreram vítima de febre hemorrágica causada pelo vírus.

*Colaboraram Eduardo Dias e Gabriel Amorim


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