Baianos vão a rua pela saída de Bolsonaro

salvador
19.06.2021, 19:47:37
Atualizado: 19.06.2021, 20:44:50
Manifestação em Salvador começou no Campo Grande e seguiu em direção ao Farol da Barra, reunindo centenas de pessoas (Carmen Vasconcelos)

Baianos vão a rua pela saída de Bolsonaro

Os atos também pediram pela vacinação de todos os brasileiros, fim dos cortes na educação e auxílio emergencial de R$600

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Os quase quatro quilômetros que separam o Largo do Campo Grande do Farol da Barra foram tomados por uma presença diferente na tarde deste sábado (19). Manifestantes de idades, cores, tamanhos e etnias diferentes se reuniram com um propósito único: pedir a saída do atual governo federal. A pauta de reinvindicação também contemplava a vacina para todos, o fim dos cortes na educação, a comida nos pratos dos brasileiros, o fim do desmonte na cultura e a elucidação da morte da vereadora carioca Marielle Franco.

O engenheiro Eduardo Borges, por exemplo, não conseguiu reunir os amigos que temiam a contaminação do covid-19, mas fez questão de participar do ato. “As pessoas têm medo, claro, mas não fazer nada contra esse governo genocida é algo ainda mais grave”, disse ele. Borges reconheceu temer pelo futuro do Brasil, caso não haja uma confluência em nome de uma democracia forte. “Vejo a oposição muito fragmentada e, sinceramente, se não houver uma mudança, corre o risco de um outro nome de partidos ultra conservadores vença as eleições de 2022”, refletiu.

Ametista e outros poetas e artistas se vestiram de preto numa alusão ao luto pelo desmonte da cultura (Fotos: Carmen Vasconcelos/CORREIO)

Ametista Nunes, do Coletivo de Cultura Contra o Golpe, também fez questão de percorrer o caminho em favor da educação e da cultura. “Desde o início da gestão de Bolsonaro, houve um desmonte gradual da cultura no país. A falta da cultura equivale a destruição de um povo. Já imaginou o que seria da sanidade das pessoas nessa quarentena se não houvesse a cultura nas suas mais variadas manifestações?”, disse.

Cultura, ciência e educação
A cultura a que se referiu Ametista também esteve presente ao ato para protestar com humor e irreverência. Foi assim que os atores Mabelle Magalhães e Jamil Castro encarnaram os personagens A Morte e o Genocida. Com uma estrutura metálica imitando uma prisão, eles brincaram com a estreita relação entre o Governo Federal e a omissão ao combate da pandemia no Brasil.

Atores Jamil Castro e Mabelle Magalhães encarnaram personagens macabros para protestar contra as mortes por covid-19 (Foto: Carmen Vasconcelos/CORREIO)

“A morte virou uma presença no mundo inteiro e, em particular no nosso país. Se o presidente não combate com políticas públicas a pandemia, ele convida a morte para trabalhar ao seu lado”, explicou Mabelle. Mesmo gracejando e chamando a reportagem de “comunista”, o ator Jamil Castro disse que não faria como o seu personagem e falaria com a imprensa. “Seria cômico, mas a situação que temos no Brasil, hoje, é trágica! Basta disso tudo”, rogou Castro.

As irmãs Gisele e Gilvânia Martins também fizeram questão de participar das manifestações como uma forma de marcar o desagrado diante das políticas do Governo Federal. Gisele, que é professora, disse estar estarrecida com os ataques à educação e à ciência no Brasil. “Especialistas falam sobre o apagão profissional e científico gerado pelo descaso desse governo com o que temos de mais precioso: que é o nosso povo. Precisamos parar esse movimento de destruição”, afirmou.

Gilvânia e Gisele Martins foram juntas ao protesto (Foto: Carmen Vasconcelos/CORREIO)

Gilvânia, que é médica psiquiatra, disse que a forma como a saúde está sendo tratada é motivo de adoecer a qualquer um. “Temos urgência em tirar esse psicopata do governo federal”, completou.

Baianidades
Representes do coletivo Capoeira em Movimento Bahia (CMB), que reúne capoeiristas e amigos da capoeira, lutando por reconhecimento e valorização dessa arte genuinamente brasileira também estiveram presentes no ato.  Para o Coordenador do CMB, Jurandir Santana Júnior, mais conhecido como Jacaré Di Alabama, a presença dos capoeiristas se justifica porque, diante de 500 mil mortes, é necessário um posicionamento, uma luta.

O Coletivo Capoeira em Movimento Bahia esteve presente salientando que a tradição ancestral é à favor da vida (Foto: Glenda Lima/Divulgação) 

“A capoeira é um movimento de resistência, foi vítima de políticas que matam e marginalizam. Trata-se de humanidade, de combater a opressão, de defender, principalmente, a vida. Um povo que viveu a escravidão não pode ser indiferente à morte. É preciso defender a liberdade. E liberdade se faz com comida na mesa e vacina no braço”, defendeu.

Entidades estudantis  também se fizeram representar ao longo da manifestação e pediram mais investimentos para a educação (Foto: Carmen Vasconcelos/CORREIO) 

Até mesmo quem aproveitou o movimento para fazer um trocado extra quis ajudar. Foi o caso do ambulante Edson Nunes, que estava comercializando faixas, máscaras e bandeiras. “Cada faixa custa R$3,00, mas estou fazendo duas faixas por R$5,00, que é para ajudar o pessoal a protestar...é minha forma de colaborar”, completou.

Além da presença de populares, coletivos, sindicatos, estudantes e representações profissionais, o ato reuniu lideranças políticas dos partidos de esquerda na capital baiana.

Interior
Os protestos foram realizados em outras 40 cidades de diversas regiões baianas na tarde deste sábado, a exemplo de Lauro de Freitas, Ilhéus, Itamaraju, Jequié, Jacobina, Vitória da Conquista e Camaçari, dentre outras.

Os manifestantes adotaram os protocolos de segurança para evitar contaminação, como uso do álcool em gel e da máscara.  Em Alagoinhas (108 km de Salvador), o protesto aconteceu na Praça Rui Barbosa, pela manhã; em Camaçari (na Região Metropolitana), a manifestação aconteceu também pela manhã, na Praça Montenegro; em Cruz das Almas (146 km de Salvador), no Recôncavo, a manifestação foi realizada na Praça Senador Temístocles; e em Curaçá(587 km de Salvador), no norte, na Praça de Eventos.

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