Bandidos depredam antiga sede da Oi no Cabula, desativada há um ano

salvador
10.08.2020, 06:00:00
Atualizado: 11.08.2020, 18:16:17
Prédios foram desativados há um ano (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Bandidos depredam antiga sede da Oi no Cabula, desativada há um ano

Moradores de condomínio vizinho temem invasões e disseram já ter chamado a polícia; PM diz que só pode entrar no prédio com autorização da Oi

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O buraco aberto numa grade de proteção e a trilha deixada no mato levam a malandragem à uma mina de ouro no Cabula. Bandidos estão roubando o que restou da sede da empresa de telefonia Oi, no início da Avenida Silveira Martins, a principal do bairro. Desativada há pouco mais de um ano, a área tem o tamanho de quatro campos de futebol e possui 12 prédios. 

Vizinhos à área abandonada, os moradores do condomínio Máximo Club Residence estão apavorados.  “A gente não sabe o que fazer. Já ligamos para a Polícia Militar, que informou que nada pode fazer por se tratar de uma área privada. E nós, como ficamos? Os moradores estão com medo de um deles pularem o muro e abordar algum de nós ou de um deles colocar fogo na vegetação e as chamas atingirem o condomínio. A nossa central de gás fica no fundo que dá para uma mata da empresa”, declarou o subsíndico do condomínio, Gilmar Silva Santos. 

Os furtos são praticados diariamente, a qualquer hora do dia e da noite, para a retirada de metais, como ferro, cobre e alumínio.

“Estou há duas semanas sem dormir porque eles passam madrugada toda fazendo barulho para arrancar o que podem”, disse Gilmar.

O CORREIO teve acesso à central de câmeras do Máximo Club Residence. As imagens são de um domingo do mês de julho deste ano e mostram o momento em que dois homens tinham acabado de passar em frente ao condomínio carregando os objetos furtados.   

Confira vídeo da ação dos criminosos obtido com exclusividade pelo CORREIO:


Os bandidos têm acesso à área de várias formas. Uma delas é passando por um buraco na grande de proteção do terreno, aberto estrategicamente no fundo de um ponto de ônibus. “Assim, quem passa na rua, acha que eles estão esperando o ônibus, mas na verdade, aguardam a melhor oportunidade para entrar e saquear”, disse Gilmar.

No condomínio moram 450 famílias distribuídas em três torres – uma das torres fica bem próxima à área que vem sendo invadida pelos criminosos. “Uma vez, vimos uma picape entrando. Logo depois, aquele barulho intenso de material sendo retorcido à pancada. Ligamos para polícia e nada. Horas depois, o carro saiu levando um monte de coisas. E isso foi durante o dia”, contou o subsíndico do condomínio.  

A área estava em funcionamento até o ano passado. De acordo com o síndico do Máximo, Marcelo Almeida, o local chegou a ter 5 mil trabalhadores num call center, mas eles foram transferidos para um prédio no bairro da Boa Viagem.

“Desde então, ficou tudo abandonado. Além do risco para a nossa segurança, já que a bandidagem é capaz de tudo, o local traz outros riscos por ser foco de doenças como dengue, zika e chikungunya”, declarou Almeida.

O terreno possui 12 prédios que foram construídos no início da Silveira Martins e terminam num matagal que dá acesso à BR-324.  Além da sede ter abrigado um call center, lá funcionavam também depósitos de equipamentos e máquinas. O local ainda foi sede da antiga Telemar. 

Segundo Almeida, os furtos começaram com a pandemia. “A redução do policiamento encorajou esses bandidos. Eles estão audaciosos, agindo a qualquer momento”, declarou o síndico. 

Procurada, a Polícia Militar informou que a responsabilidade pela segurança de empresas privadas é da guarda patrimônial das próprias empresas e que cabe à corporação o policiamento ostensivo geral. "Após registro de queixa, as investigações deverão ser conduzidas pela Polícia Civil. A PM realiza rondas constantes na região, mas até o momento nenhum suspeito foi encontrado", diz a nota.  

A PM disse que não foi acionada pela Oi e que, por ser uma propriedade privada, só pode entrar no prédio com autorização da empresa. A 23ª CIPM acrescentou também que "não houve redução de policiamento e as ações ostensivas seguem normalmente no bairro".

Já a Oi informou que "tomou medidas de segurança adicionais no sentido de reforçar a proteção aos prédios da companhia" e que "intensificou a segurança no local com a mobilização de agentes de segurança e ronda veicular 24 horas, além de realizar a recomposição dos muros que dão acesso aos prédios, assim como o reforço da iluminação em toda a área, que será concluído nos próximos dias".

A companhia acrescenta ainda que "iniciou a remoção do que restou do material remanescente de sua infraestrutura externa, retirando material que possa ser visado por criminosos que praticam furtos. A Oi informa que acionou a Polícia Militar sobre danos a seu patrimônio ocorridos no local pela ação de criminosos e que tomou conhecimento de que 10 prisões foram realizadas nos últimos dias nas imediações. A companhia entende que é vítima de tais ações criminosas e que a segurança no entorno do imóvel é uma questão de segurança pública, cabendo às autoridades competentes atuar para coibir esse tipo de delito”.

Flagrante
O CORREIO flagrou o momento em que três homens fugiam pela Silveira Martins após pularem o muro da área abandonada por volta das 11h da última sexta-feira (7). Eles correram em direção à Rua Thomaz Gonzaga, em Pernambués. 

Os ladrões perceberam a presença de seguranças particulares, que foram acionados por funcionários da Oi. Um deles contou que os criminosos estavam separando os metais arrancados. “Desta vez eles foram mais rápidos que nós. Aqui, já pegamos, numa semana, 15 deles”, contou um dos seguranças. 

Segundo ele, que pediu para não ser identificado, a empresa de segurança chega a receber de três a quatro ligações por dia da Oi pedindo para atender denúncia de furtos na antiga sede da empresa.

“Já peguei aqui marretas, martelos, lanternas, cordas, sacolas, e muitas outras coisas deixadas por eles”, revelou. 

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