Bandidos usam redes sociais da prefeitura para aplicar golpes

salvador
16.09.2021, 05:30:00
Vítima desconfiou e escapou do golpe (Foto: reprodução)

Bandidos usam redes sociais da prefeitura para aplicar golpes

Criminosos entram em contato se passando por servidores e solicitado dados das vítimas

Existe um novo golpe na praça que envolve as redes sociais da Prefeitura de Salvador. Bandidos criaram contas falsas com a logomarca do município e estão se passando por servidores públicos para entrar em contato com as vítimas. Através de redes sociais, conseguem dados pessoais. A prefeitura já denunciou 20 perfis e pediu que a população fique atenta.

Na semana passada, uma mulher, que pediu para não ser identificada, foi procurada por um golpista depois de fazer um comentário na página oficial do município. A publicação da prefeitura anunciava o início da vacinação para pessoas com 16 anos ou mais e ela aproveitou para perguntar sobre a aplicação da terceira dose para pessoas que estão acamadas. A mãe dela recebeu as duas primeiras  doses em casa e a dúvida era se a terceira dose também seria aplicada da mesma forma e quando isso aconteceria.

“Pouco tempo depois, recebi uma mensagem no direct do Instagram de alguém afirmando ser um servidor do município. A página tinha a logomarca da prefeitura e a pessoa disse que estava dando início ao meu atendimento. Perguntou meu nome e meu celular. Então, recebi um SMS com um número de protocolo e um código de seis dígitos”, contou.

O golpista pediu que a vítima informasse o número do protocolo e os seis dígitos. Ela forneceu a primeira sequência, mas achou estranho e não passou o resto. A mensagem automática que ela recebeu junto com os dados dizia que se o código fosse passado o WhatsApp seria registrado em outro número. Ela questionou, mas o bandido insistiu que era um procedimento normal. Desconfiada, a mulher não forneceu os dados.

O que a vítima não percebeu de imediato foi que a página, apesar de ter a logomarca da prefeitura, não era oficial, não tinha selo de verificação, publicações ou seguidores. Esse não foi o primeiro relato de pessoas sendo abordadas por contas falsas do município de Salvador.

A Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) informou que a prefeitura tem conhecimento desses casos e que, através do monitoramento realizado pela Secom e também a partir de denúncias dos próprios cidadãos, está encaminhando as informações para as empresas responsáveis fazerem a remoção das páginas falsas. Pelo menos, 20 contas já foram denunciadas.

O município orienta que os cidadãos busquem apenas a página oficial da prefeitura, que possui a verificação das redes sociais (o selo azul ao lado do nome do perfil). A equipe disse também que solicita dados apenas em casos muito específicos e, que em caso de desconfiança, o usuário pode entrar em contato com o Instagram @prefsalvador  ou facebook.com/prefsalvador que as contas serão denunciadas.

Crescimento 
A quantidade de golpes aplicados através da internet aumentou durante a pandemia. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP), os crimes cibernéticos triplicaram no estado em 2020 em relação a 2019, saltando de 119 para 313 ocorrências. São várias modalidades. Em maio, o CORREIO mostrou que pessoas estavam sendo vítimas do golpe do PIX.

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as tentativas de fraudes registradas com o Pix foram identificadas como os chamados ataques de phishing. Tratam-se de técnicas de engenharia social que consistem em enganar o indivíduo, através de e-mails, ligações ou mensagens falsas, para que ele forneça informações confidenciais, como senhas e números de cartões.

Em agosto, o jornal contou o caso do bacharel em Direito Lucas Ramos, 29, que só queria vender um carro através de uma plataforma na internet, mas agora responde a seis processos por estelionato, está com as contas bancárias bloqueadas, com 30% da renda comprometida com despesas judiciais e auxílio médico, e com medo de ser preso a qualquer momento. O golpista conseguiu os dados dele e está usando as informações para aplicar golpes em outras vítimas.

Confira outras modalidades de golpes:

Golpe da clonagem do WhatsApp – O bandido solicita o código de segurança, enviado por SMS, afirmando se tratar de uma atualização, manutenção ou confirmação de cadastro. Com os dados, conseguem replicar a conta em outro celular, enviar mensagens para os contatos da pessoa, fazendo-se passar por ela, pedindo dinheiro emprestado por transferência via Pix.

Golpe dos perfis falsos em redes sociais - Contas fakes de restaurantes, hotéis e pousadas oferecem promoções ou reservas em que a vítima precisa transferir algum valor com antecedência. 

Golpe do boleto falso – Os criminosos fazem boletos muito parecidos com o da empresa que a vítima é cliente. Eles enviam esse documento por e-mail de forma aleatória na esperança de que alguém ache que o boleto é verdadeiro e faça o pagamento. 

Golpe do consórcio/imóvel barato - Os golpistas criam falsos anúncios de venda de imóveis em aplicativos ou redes socais. Com o preço barato, eles atraem e convencem os clientes a entrarem num falso consórcio.

Golpe nos aplicativos de namoro - Pessoas mantêm um contato íntimo via redes sociais, com o envio de fotos íntimas, que depois são usadas para extorsão. Há também os casos em que a vítima é induzida a transferir dinheiro para o golpista na esperança de encontrá-lo pessoalmente.

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