Banho em praias atingidas por esgoto pode trazer doenças sérias na pele

salvador
11.08.2021, 06:30:00
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Banho em praias atingidas por esgoto pode trazer doenças sérias na pele

Trechos de praias da Barra ao Rio Vermelho foram atingidos por esgoto após manutenção da Embasa

Se mesmo com o alerta da Embasa para evitar o banho de mar entre as praias da Barra ao Rio Vermelho pelos próximos dias, você for um banhista teimoso e decidir cair no mar mesmo assim, a dermatologista Naíla Nunes explica que o contato com essa água, mesmo que diluída no mar, pode provocar infecções na pele de quem, por exemplo, tiver algum ferimento.

"É um material tóxico ao contato com a pele e deve ser evitado, mesmo que esteja de forma diluída na água, nesse caso seria preciso ter um tempo de exposição maior a essa água ou uma frequência maior para gerar uma dermatite", afirma a especialista, que é docente e membro do núcleo pedagógico do curso de medicina da Unifacs. Ela acrescenta que é necessária uma exposição prolongada e/ou frequente à água contaminada para sofrer com problemas como dermatite ou micose, por exemplo. 

A especialista chama atenção para banhistas e, principalmente, pescadores - estes por terem contato prolongado com a a água do mar. "Pessoas que trabalham no mar, naturalmente acabam mais expostas a esses problemas", afirma a médica.

Dermatologista e professora da UniFTC, Larissa Caminha explica que há riscos em contato tanto em água doce quanto salvada e o principal agente capaz disso é a bactéria que causa a Leptospirose, o verme que causa a Esquistossomose e o verme que causa a Larva Migrans, que se prolifera na areia de praias poluídas. Outros microorganismos vão ser ingeridos acidentalmente podendo causar diarreia, amebíase, hepatite A e verminoses.

"Além das infecções, a pele pode sofrer irritações por contato com as substâncias contidas na água como excrementos e urina, lixo orgânico em decomposição, substâncias químicas diversas como amônia. A pele irritada pode evoluir com eczemas e infeções. Olhos e ouvidos também pode ser atingidos e gerar conjuntivite e otite", explica. 

As duas especialistas são taxativas ao afirmar que, em caso de sintomas após se expor a essa água, é necessário procurar orientação médica para um tratamento mais específico e direcionado.

E se mesmo com todas as orientações você ainda insistir no banho de mar nessas áreas nos próximos dias e achar que vai se livrar de um possível problema usando sabonetes antissépticos ou produtos similares após o banho, é bom ter cuidado. A médica Naíla Nunes alerta que não é necessário fazer o uso desses produtos caso não tenha sintomas.

O caminho é lavar o corpo com água corrente e algum sabonete neutro. "Eu diria que nem é necessário usar sabonetes antissépticos em caso de ausência de sintomas", afirma a média antes de explicar que antissépticos em geral podem gerar reações adversas em quem não enfrenta problemas de pele, como irritações extremamente incômodas.

Larissa Caminha reitera que o ideal é evitar ao máximo o contato mas ele já tendo ocorrido lavar bem a área que teve contato com água corrente limpa e sabão, de preferência glicerinado para não agredir a pele, podendo sim usar shampoos pra limpeza do couro cabeludo.

"Deve evitar uso de sabonetes irritantes como antibacterianos, evitar uso de buchas e escovas que favorecem a formação de micro ferimentos na pele, evitar uso de produtos sem prescrição médica. Não é necessário nenhuma medida que não seja a higiene se não houver sintomas", afirmou.

Ainda segundo Caminha, nem todas as pessoas vão desenvolver doenças após a exposição, o importante é não expor novamente e ficar atento a qualquer alteração para buscar ajuda profissional.
 

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