Bares e restaurantes voltam a encher e consumo cresce 50% em julho

economia
23.08.2021, 05:30:00
Atualizado: 23.08.2021, 06:00:52
(Paula Fróes/CORREIO)

Bares e restaurantes voltam a encher e consumo cresce 50% em julho

Maior público gerou alta de até 30% no faturamento  

Se o movimento nos bares e restaurantes estava fraco nos primeiros meses do ano, agora já se parece mais com uma volta à normalidade. Com o avanço da vacinação em Salvador e a flexibilização no horário de funcionamento, os estabelecimentos da capital baiana tiveram aumento de consumo em torno de 50% em julho deste ano, na comparação com o mês anterior. A estimativa é do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Bahia (Abrasel-BA), Leandro Menezes.

O presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (Fehba), Silvio Pessoa, também vê a situação melhorar. Para ele, o faturamento cresceu entre 20% e 30%, neste mesmo período. O ganho só não é melhor porque, como os bares e restaurantes podem funcionar por mais tempo, outros custos também aumentaram. 

“Quando aumentou o horário [de funcionamento] para 2h da manhã, aumentamos em 10% a contratação de mão de obra nos estabelecimentos. Quem trabalha nesse horário teve que contratar mais gente, porque, se o horário está mais esticado, a gente fatura mais, só que emprega mais também”, explica Pessoa.  

Essa ampliação do horário foi feita na primeira semana de agosto, pelo prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM). “Eu esperava que tivesse vindo uma flexibilização maior, mas sei que a variante delta assusta”, afirma Pessoa. Na última sexta (20), o horário foi ampliado novamente pela prefeitura, para até 3h. O toque de recolher também está suspenso em toda a Bahia. 

No bar Boteco do Rio Vermelho e Parador Z1, por exemplo, que pertence a Silvio Pessoa, foi preciso contratar mais um funcionário no mês de agosto. “Agora que 90% da população adulta está vacinada e o fator de transmissão caiu, as pessoas estão mais seguras para ir para rua. Ou seja, estamos quase voltando à normalidade", declara Pessoa.  

Rafael Prazeres, proprietário do Oxente Bar e Pescaria, no Cabula, também teve que contratar mais um funcionário devido ao aumento no movimento. “Tivemos que aumentar por conta do movimento, que cresceu 35% a 40% desde junho, inclusive dia de semana, que estava bem parado. Tínhamos uma média de sete funcionários fixos e cinco extras para o final de semana. Agora, temos oito fixos”, revela.  

O som ao vivo, que ele sempre manteve nos quase cinco anos de empresa, passou a não ser mais adotado. “Como o fluxo está bom e voltou a crescer, achamos que o som ao vivo vai causar aglomeração desnecessária e pode espantar os clientes”, explica Prazeres.  

Público sente confiança para retorno 
Uma estudante de Direito de 23 anos, que pediu para não se identificar, foi uma dessas pessoas que começou a se sentir mais confortável para frequentar esses espaços. “Voltei a frequentar alguns bares. Acho que pelo desgaste da pandemia, não digo nem de saúde mental, mas acho que a gente chega em um ponto que sente necessidade maior de interagir, de ir para algum lugar, principalmente depois da vacina e da queda da segunda onda”, conta a estudante.  

Mas, não é em qualquer bar ou restaurante que ela vai - só nos que cumprem à risca os protocolos sanitários.

“Tem bares que estão mais tranquilos, que respeitam mais as medidas restritivas, cobram o uso da máscara e não deixam ter aglomeração. Mas tem uns que tem muita gente aglomerada, que não respeitam nada. O pessoal bebe demais e perde a linha, é assustador. Nesses, não tenho perspectiva de voltar a frequentar”, desabafa.  

Ela não contraiu a covid-19 – de toda a família, só o pai teve a doença. Antes da pandemia, ela ia para bares e restaurantes pelo menos duas vezes na semana. Hoje, vai duas vezes ao mês. Já o jovem aprendiz João Victor, 22, só vai quando a saudade dos amigos aperta.  

“Voltei a frequentar, mas não com tanta frequência. Vou raramente e sempre em locais abertos, porque quero estar com meus amigos e a saudade fica maior, você quer ter aquela resenha. Mas, não me sinto totalmente confortável”, confessa. Ele tomou a primeira dose da vacina contra a covid-19 em junho. Antes, ele ia bares em três finais de semana por mês. Agora, vai uma vez a cada dois meses.  

O presidente da Abrasel-BA, Leandro Menezes, explica que o aumento da frequência em julho é resultado um comércio com menos restrições. "Tínhamos muitas restrições de horário de funcionamento e até proibição de bebida alcoólica nesse período [junho]. Já é perceptível que as vendas cresceram [em julho] em relação ao mês de junho. Ainda não temos o número exato desse crescimento, mas ele já é notável. Acredito que está em mais de 50%", relata Menezes. 

Consumo em ascensão 
O consumo também cresceu. No Boteco Fronteira, no Rio Vermelho, o movimento foi baixo no mês de junho. Mas, após a retomada da economia e liberação da prefeitura para o funcionamento, os clientes voltaram a aparecer. 

"A partir de julho, quando temos uma flexibilização e uma retomada do entretenimento, com música ao vivo permitida nos nossos estabelecimentos, tivemos um crescimento de frequência de, aproximadamente, 60% em relação ao que a gente registrou em março deste ano. Então, o mês de julho é marcado por um aquecimento no setor", afirma Tiago Lima, dono do Boteco Fronteira.  

Para Adriana Araújo, proprietária do Parada Obrigatória Boteco, localizado no Vale dos Lagos, no Stiep, o crescimento do movimento em relação a junho, quando mal abriu as portas, está bem acima dos 50%. Segundo ela, em um fim de semana, o bar tem faturado mais do que em todo mês de junho. 

"Esse último final de semana foi maravilhoso, tanto sexta como sábado, não tenho o que me queixar. Saíram 50 caixas de cerveja de 600ml e 30 packs [caixas com 12 latas]. Em junho, com o povo levando para casa em lata, não sei se vendi 30 caixas", lembra ela. 

No Santo Antônio Além do Carmo, alguns bares passaram a adotar o sistema de reservas, para maior controle do público. Agora, até fila de espera tem. “A gente passou pela requalificação das ruas, o acesso ficou melhor para todos e o movimento está muito bom. Tivemos aumento na ordem de 60% e os clientes, nos finais de semana, se não reservarem, chegam a esperar até 30 minutos”, narra o dono do Bar Ulisses, o empresário Jorge Alves Lopes.  

Apesar de manter a música ao vivo, Alves preferiu não ampliar o horário de funcionamento, porque teria que contratar mais gente e poderia incomodar a vizinhança. “Estamos até pensando em contratar mais alguém, por conta do movimento. Mas, funcionamos até 22h porque estamos em um local residencial e nos preocupamos com os vizinhos”, esclarece. Ele ainda diz que o faturamento de 2020 está sendo recuperado.  

No restaurante Bottino, no Rio Vermelho, o movimento melhorou aproximadamente 50% em relação ao início do ano, segundo uma das donas do local, Sandra Bottino. "Aumentamos mais o quadro de garçons para puder atender melhor os clientes. Contratamos mais dois e estamos atendendo, em média, 30 a 40 mesas por dia", relata Sandra.

Restaurantes em estabilidade 
O bom fluxo de vendas, no entanto, não tem sido a realidade para o empresário Ricardo Silva, proprietário dos restaurantes Pi.zza e Carvão. Silva conta que eles até têm bom movimento aos fins de semanas, mas sofrem com a baixa procura durante a semana. 

"Todo mundo achou que ia ter uma demanda reprimida, mas não foi o que aconteceu aqui, ficou no mesmo nível. Esse mês teve muita chuva e o povo se retraiu. Então, não acho que houve uma explosão de procura, mas vemos que a tendência é melhorar ao longo dos meses", projeta ele, esperançoso com uma retomada mais concreta, como depois de realizado o evento-teste. 

Área aberta é preferência 
De acordo com os empresários que trabalham no setor, os clientes buscam algo em comum: opção de área externa, como prefere o jovem aprendiz João Victor. "Esses ambientes têm tido uma vantagem competitiva. Não que os outros espaços estejam sofrendo, sem ninguém. Porém, há uma preferência entre os clientes por lugares que têm um ambiente aberto no meu ponto de vista", conta Tiago Lima, dono do Boteco Fronteira. 

No estabelecimento dele, esse fenômeno é perceptível porque o espaço, que tem mesas internas e externas, sempre registra uma procura maior pelas mesas na parte de fora. "A preferência é sempre pela parte externa", relata. 

A situação é a mesma no Parada Obrigatória Boteco, de acordo com Adriana. Ela diz quase nunca os clientes optam pelo interior do estabelecimento no momento do consumo.

"O pessoal só quer ficar fora. Acho que eles preferem porque tem mais ventilação e se sentem mais seguros. Ambiente fechado e com ar-condicionado não tem atraído. Como aqui no bar é aberto e tem um vento bom, o povo só fica na parte de fora", explica.  

Para ir com segurança
Máscaras -
Como é preciso tirar a máscara para consumir nestes locais, um dos principais cuidados é com a manipulação do item. “Antes e depois da manipulação do uso das máscaras deve higienizar as mãos e pegá-las sempre pelas alças. Se for comer, deve-se colocar as máscaras sobre o guardanapo, mas a alça deve ficar de fora”, orienta o infectologista Claudilson Bastos, do Instituto Couto Maia, hospital referência no tratamento de doenças infecciosas na América Latina, e secretário da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Distanciamento - Ele também recomenda que, mesmo nos estabelecimentos, se mantenha uma distância mínima de 1,5 metro. O protocolo de Salvador exige distanciamento de 2 metros entre as mesas e 1 metro entre as cadeiras.

*Sob orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro 

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