Barradão 35 anos: cinco jogos marcantes do Vitória no estádio

e.c. vitória
13.11.2021, 06:00:00
Barradão no jogo inaugural contra o Santos, em 1986 (Carlos Catela/Arquivo Correio)

Barradão 35 anos: cinco jogos marcantes do Vitória no estádio

A casa do Leão foi palco de grandes momentos para o torcedor

“A história do Vitória depois do Barradão é outra”. A declaração do empresário e torcedor do clube, Reinaldo Calixto, de 50 anos, é compartilhada por boa parte da torcida rubro-negra. O estádio que foi palco da maioria dos títulos conquistados pelo Vitória em seus 122 anos de história completou 35 anos na última quinta-feira (11), e muito além dos momentos positivos e negativos do clube, o Barradão sempre fará parte da memória afetiva de um bom apreciador do futebol.

É claro que cada torcedor, diante de suas particularidades, guarda uma lista de partidas marcantes no coração, mas o CORREIO traz aqui cinco jogos que representam bem as boas lembranças do Esporte Clube Vitória em campo.

Mas já que estamos contando a história do aniversariante, é válido falar também onde tudo começou. Paulo Leandro, professor, jornalista e Doutor em Cultura e Sociedade, lembra bem: 11 de novembro de 1986. “Era véspera de eleição. Curioso que o Barradão foi também peça de uma campanha política, inaugurado poucos dias antes das eleições para o Governo do Estado em 1986 e com apoio financeiro do governador João Durval”, lembrou o cronista se referindo às votações que aconteceram no dia 15 do mesmo mês.

Bandeiras são hasteadas no Barradão em sua inauguração (Foto: Carlos Catela/Arquivo Correio)

E a inauguração do Barradão trouxe ao Vitória - junto com a sensação de pertencer, de fato, a uma casa - uma mudança em sua característica social. Fundado em 1899, o Vitória surge como um clube da alta classe na sociedade baiana, antes mesmo de se tornar um instituição do futebol, e décadas após sua criação há uma mudança drástica com a construção do Estádio Manoel Barradas no bairro de Canabrava, em Salvador.

“A relação do Vitória com sua torcida foi se reinventar no extremo oposto do alto padrão de vida, da aristocracia do Corredor da Vitória, que foi a ida para um lugar onde moravam operários sem trabalhos para se humanizar, buscavam o lixo da cidade. Então o clube fez esse percurso até o outro extremo social e foi aí que o Vitória se levantou”, descreveu o pesquisador.

"E a chegada do Barradão fez crescer tudo ao entorno, com conjuntos habitacionais, comércio. E hoje pessoas moram naquele bairro, perto do Barradão", completa Paulo Leandro.

Haja coração!

Vitória eliminou o Vasco no Brasilerão de 1999 (Foto: Manu DIas/Arquivo Correio)

Vitória 5 x 4 Vasco - Quartas de final do Campeonato Brasileiro
Data: 14/11/1999

Não há como falar do Barradão sem lembrar de uma das partidas - se não for a partida - mais emocionantes do rubro-negro no estádio. Valia uma vaga na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1999, mas para isso o Vitória tinha que despachar um dos favoritos ao título, um Vasco repleto de jogadores renomados como Juninho Pernambucano, Donizete, Mauro Galvão e o ídolo Ramon Menezes, dessa vez do lado carioca.

Reinaldo Calixto, que abriu o texto falando sobre a mística do Barradão, marcou presença nas arquibancadas e lembra bem da montanha-russa que foi acompanhar os 90 minutos. “Quando eu cheguei já estava 1x0 para o Vasco. Um Barradão lotado, com certeza muito mais gente que a capacidade máxima. Logo depois veio o segundo”, relatou.

E olha que a sequência é exatamente assim, afinal o Vasco abriu 2x0 aos 10 minutos do primeiro tempo, mas a reação já dava pinta que a noite ia ser histórica. O meia Artur acertou um belo chute de fora da área logo aos 12 minutos, descontou no placar e abriu caminho para a virada. Vestindo a 8, Fernando contou com um pouco de sorte na falta desviada que empatou a partida aos 28 da primeira etapa e Tuta garantiu a virada com 30 minutos.

“Chega eu me arrepio ao lembrar, porque era um jogo que valia a classificação, com certeza foi uma vitória marcante, disse Reinaldo

Do lado vascaíno, Donizete conseguiu o empate por 3x3 ainda no 1º tempo e depois o 4x4, na segunda etapa. Quem marcou os outros dois gols do Vitória foi o meio-campo Fernando, que fechou um hat-trick e deixou o Leão em vantagem no Brasileiro. O Vitória empatou os dois jogos seguintes no Rio de Janeiro por 1x1 e 2x2 e se classificou para as semis, onde foi derrotado pelo Atlético Mineiro. 

“Eu lembro que era uma festa no fim. Tinha o samba rolando ali mesmo no Barradão, uma galera tocando música e a torcida comendo água. Lembro que saí bem tarde de lá nesse jogo”, completou Reinaldo.

Goleada com Romário em campo

Gol de Alex Mineiro contra o Flamengo, na goleada da Copa do Brasil (Foto: Manu DIas/Arquivo Correio)

Vitória 5x0 Flamengo - Oitavas de final da Copa do Brasil
Data: 3/3/1998

Mais uma vez mata-mata, mais uma vez cinco gols no Barradão e mais um adversário carioca. Essa história aconteceu um ano antes da classificação em cima do Vasco, em 1998, e os mais de 10 mil presentes no Barradão acompanharam um chocolate do Vitória em cima do Flamengo, que também era um adversário fortíssimo.

Mas nem Romário no ataque e nem Júnior Baiano na defesa funcionaram para o Fla e, desde o começo da partida, o domínio foi do Vitória. Com gols de Agnaldo, Fernando (que já fazia parte do elenco neste ano), e dois de Alex Mineiro, o Vitória fez 4x0 no primeiro tempo e justificou a chamada na capa do jornal O Globo, principal veículo impresso do Rio na época. “Vitória arrasa o Flamengo por a 5x0”, diz o título.

O quinto gol da noite saiu com Tácio, que veio do banco de reservas no lugar de Fernando. 

Vale ressaltar que a goleada no Barradão foi essencial para garantir a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil. Porque se no jogo de ida Romário foi tímido com a bola, o baixinho fez nada menos que quatro gols no jogo de volta no Maracanã.

'Vitória Excel' e Bebeto  

Bebeto celebrando com o elenco um dos gols da partida (Foto: Arquivo Correio da Bahia)

Vitória 5x0 Corinthians - Amistoso
Data: 4/3/1997

Se hoje tem equipe no Brasileirão com nome de marca de energético estampada no nome, em 1997 o Vitória ganhou sua versão “clube empresa” com o elenco do ‘Vitória Excel’. O jornalista Paulo Leandro, na época no Correio da Bahia, ainda lembrou que "éramos orientados a chamar o clube de Vitória Excel por conta do patrocinador”, afirmou.

Com um forte incentivo financeiro do Banco Excel-Econômico, o Leão trouxe para Salvador o ídolo da Seleção Brasileira, recém campeão do mundo, Bebeto. E a partida de estreia do craque foi em um amistoso contra o Corinthians, com direito a entrada triunfal no gramado do Barradão e até uma coroa de rei na cabeça do atacante.

Dentro de campo, mais uma homenagem para Bebeto e para Seleção, com o time usando um uniforme comemorativo amarelo. O craque não fez gol naquela tarde, mas o amistoso foi o começo de uma passagem vitoriosa, com um Campeonato Baiano e uma Copa do Nordeste na conta.

O placar foi construído por Cléber e dois do centroavante Agnaldo, e o Timão descontou com Mirandinha.

Maior goleada em Ba-Vi´s

Maior goleada do Vitória em Ba-Vi no Barradão (Foto: Claudionor Junior/Arquivo Correio)

Vitória 6x2 Bahia - 1ª fase do Campeonato Baiano
Data: 20/2/2005

O jogo em si não valia nenhum título ou classificação importante. Mas clássico é clássico, não é? E esse entrou para a história como a maior goleada de um Ba-Vi disputado dentro do Barradão. 

Em 2005, comandado por René Simões, o Vitória recebeu o Bahia em um jogo da primeira fase do Baiano, onde as equipes lideravam seus grupos. Mas os rumos da partida começaram a mudar logo aos quatro minutos, com o gol marcado por Alecsandro, de cabeça, e antes dos dez o lateral Edilson acertou uma bela falta no ângulo. Ainda no primeiro tempo, o Bahia, treinado por Hélio dos Anjos, diminuiu com o atacante Dill, mas viu o Leão fechar a primeira etapa com 3x1 após o gol de Gilmar.

Nos 45 minutos finais, Gilmar fez mais um colocando 4x1 no placar e depois Claudomiro e Leandro Domingues ampliaram. Com o 6x1 praticamente consumado, boa parte da torcida do Bahia começou a deixar o Barradão antes dos 25 do segundo tempo e nem ficou para ver o tricolor marcar o segundo com Fernando Miguel.

Mas se o impacto da goleada não mudou muita coisa na classificação, o fim do campeonato reforçou a superioridade rubro-negra no clássico, que foi campeão Baiano pela 22ª vez após dois empates, por 2x2 e 0x0. Além do troféus, uma ótima estática para ostentar dentro de casa. 

O título não veio, mas não faltou dedicação

Gol de Júnior 'Diabo Loiro' na final contra o Santos (Foto: Andrea Faria/Arquivo Correio)

Vitória 2x1 Santos - Final da Copa do Brasil
Data: 4/8/2010

A quinta e última partida lembrada pela lista pode não ser a melhor lembrança de todas para o torcedor do Vitória. Mas não há como esquecer da campanha absurda que o time fez ao longo da Copa do Brasil de 2010 e a inédita final contra o Santos, vivendo uma das suas melhores fases da história. 

Foram quase 35 mil torcedores empurrando o Leão em busca da Copa. E se o Vitória não tinha Neymar, Ganso, Robinho, Elano ou André, não faltou empenho do elenco e o esforço para “jogar pela camisa”, como destaca Paulo Leandro. “Eles ali não jogavam só por dinheiro, jogavam por amar o clube e com a honra que o Vitória sempre teve”, explicou. E, além disso, o jogo do Barradão deu Vitória, que venceu por 2x1. 

Representados por Paulo, os torcedores com certeza ainda vão lembrar das polêmicas de arbitragem no jogo de ida, na Vila Belmiro, que inclusive deixou de fora Vanderson por conta do cartão amarelo. 

Na noite em que perdeu o título, os gols do Leão foram marcados pelo zagueiro e ídolo do Vitória, Wallace, e pelo artilheiro Júnior, vulgo Diabo Loiro, que terminou aquela competição com sete gols marcados.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas