Big Brother baiano com cara de No Limite

variedades
25.07.2021, 11:00:00
Atualizado: 25.07.2021, 14:59:44
(Foto: Divulgação)

Big Brother baiano com cara de No Limite

Reality Baianidade prometia ser um sucesso, mas na casa menos vigiada da Bahia faltou comida, papel higiênico e teve até acusação de assédio

Certamente você já se imaginou no Big Brother Brasil. Ganhar seguidores, virar celebridade e poder voltar pra casa com mais de R$ 1 milhão. Agora imagine entrar num reality em que os participantes precisam fazer vaquinha para comprar comida, não ter talher para comer, nem papel higiênico para fazer as necessidades, saber que a premiação mudou no decorrer do programa e ser ameaçado pela síndica do condomínio em que você está confinada. Seria cômico se não fosse trágico. Contudo, aconteceu na Bahia. Este ano foi lançado o reality Baianidade, que prometia ser a casa mais vigiada do estado, mas acabou sem o sucesso esperado, com participantes na bronca e até acusação de assédio.

A ideia era bacana e pegava o gancho do BBB de Boninho. O Baianidade iria reunir 20 participantes numa casa vigiada por câmeras onde o público acompanharia pelo Instagram e Youtube oficial. As regras seguiriam os mesmos moldes do original. Todos os integrantes deveriam apresentar um teste de covid-19 antes de entrarem na casa e o prêmio seria de R$ 10 mil. Se cogitou que algumas celebridades baianas como Rosiane Pinheiro e a modelo Janne Ferreira participariam, mas não rolou. O problema é que, segundo relatos de alguns participantes, o reality estava mais com cara de No Limite.

“Foi um horror. Não teve nenhuma organização. Faltou papel higiênico e uma participante precisou comprar para termos como se limpar. Nos primeiros dias teve comida. Depois, a gente fazia vaquinha para comer na casa. No dia da minha saída, eu estava quase desmaiando de fome... Não tinha pão, não tinha nada. Um participante que tinha guardado um biscoito recheado me deu para eu não passar mal. Decidi sair”, conta uma das brothers, Stephane Prado.

A casa menos vigiada da Bahia não tinha câmeras espalhadas. Os próprios participantes filmavam com dois celulares cedidos pela organização.

Prêmio?
O prêmio também mudou antes do fim. Ao invés dos R$ 10 mil, o vencedor levaria uma hospedagem na Chapada Diamantina com acompanhante e café da manhã. Mas, precisaria bancar sua ida até a pousada. De quebra, ganhava um fim de semana num hotel em Salvador. A vencedora foi Pamela Prazeres, no último dia 11 de julho, após 13 dias de programa). Tentamos falar com ela, que não retornou nossas mensagens. Uma das finalistas, Kelly Loira, até iniciou uma conversa conosco, mas parou quando soube que seria uma entrevista sobre o reality.

Foram 13 dias de reality. As caras de felicidade é porque ainda tinha comida. Depois foi só treta (Foto: Divulgação)

Ainda segundo alguns participantes, o Baianidade durou menos que o previsto, pois alguns participantes foram deixando a casa por conta das dificuldades que foram surgindo. Em uma prova para liderança, o integrante José Vinícius passou mal, precisou de atendimento, mas nem o Samu apareceu.

“Aquele reality, pra mim, foi um show de horrores! Passei mal, desmaiei, tive um princípio de convulsão... fui socorrido pelos próprios participantes. Como é que faz um reality, com provas, casa com piscina, bebidas e não têm assistência médica? Disseram que teríamos uma ambulância 24 horas”, disse José.

“Ainda fomos ameaçados pela síndica do condomínio, que dizia que iria ligar pra polícia por conta do barulho e aglomeração. Isto sem contar os casos de assédios”, completa outra participante, Iana Muthe.

“Um participante tentou me beijar e outro entrou no banheiro comigo dentro, querendo passar a mão em mim. Prestei BO (boletim de ocorrência) assim que decidi sair da casa. Também não cobraram testes de covid-19 a todos. Paguei, entreguei meu teste, mas nem todo mundo entregou”, resume Venna Dias, que assegura ter gasto dinheiro com comida e até com transporte quando desistiu do reality e resolveu voltar para casa. “Acabei pagando para participar”, completa.

Em meio a este turbilhão, o Boninho Baiano se defende. Idealizador do reality Baianidade, o produtor de eventos Vitor Cirne reconhece as falhas, mas assegura que, diante disto tudo, o saldo foi positivo e serviu de aprendizado. “No meu modo de ver, saímos com o saldo positivo só pelo fato de conseguirmos executar o projeto. Com toda dificuldade, falta de apoio e uma falta de organização interna, deixei a desejar na organização, cronograma, alimentação e condução das coisas lá dentro. Porém, serviu de aprendizado para uma próxima edição”, revela. Sobre as denúncias de assédio, o Boninho Baiano alega que não houve provas, mas puniu um dos acusados. Ele ficou de fora de uma das provas do líder.

Vitor também nega que foi negligente sobre os testes de covid. A falta de comida contou com a ajuda de algumas pessoas de fora da casa, como um empresário parceiro de um supermercado de Salvador, que forneceu a bóia para a galera.  Este empresário é o pai de Pamela Prazeres, a vencedora. Pura coincidência, assegura Vitor. Agora, o Boninho pede uma segunda chance. Na verdade, outras quatro chances de se redimir. “A segunda edição já está em andamento e vai acontecer ainda este ano. Temos mais três projetos, o Baianidade Rural, Extremo e Apê. Estamos captando recursos para realizarmos todos os projetos”, completa. Quem se habilita?

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas