Black Friday registra pouca procura e preços altos em Salvador

salvador
26.11.2021, 12:56:00
(Arisson Marinho)

Black Friday registra pouca procura e preços altos em Salvador

Muitas pessoas que saíram em busca de ofertas voltaram para casa de mãos vazias

A sexta-feira mais esperada no ano para os lojistas e clientes que esperam ansiosos para aproveitar os preços mais baixos da Black Friday chegou, mas foi um pouco diferente das outras edições. Hoje, a tradicional correria na porta dos shoppings e lojas do comércio foi substituída por corredores e lojas mais vazias e clientes desesperançosos com os preços dos produtos desejados. Muitas pessoas que se deslocaram até as lojas da capital tiveram que voltar para casa de mãos vazias por conta dos preços altos. 

Quando o Salvador Norte abriu às 7h, cerca de 100 pessoas aguardavam na fila para entrar nas Lojas Americanas, uma das mais procuradas em época de promoção. No Salvador Shopping, que abriu as portas no mesmo horário, centenas de pessoas aguardavam pelas ofertas, mas a procura dos clientes também concentrou-se no acesso das Lojas Americanas, sem correria e com fluxo ordenado. A procura maior dos consumidores era por eletrodomésticos, itens de higiene e limpeza. 

No Shopping da Bahia, que abriu as portas às 6h, o fluxo também foi moderado. A manicure Tamires Jesus, 35, que saiu de casa para comprar esmaltes, sabão líquido, absorvente, desodorante, pasta de dente e fralda descartável, conta que os preços estavam razoáveis e que alguns produtos estavam mais em conta, mas que outros continuam com o mesmo preço. “ Eu venho em todas as edições da Black Friday para comprar esmalte, mas em 2020 foi melhor, em relação ao preço e ao movimento. Achei bem fraco o movimento, ano passado teve uma fila quilométrica. Mas é a crise, né, ninguém tem dinheiro”, afirmou a manicure. 

(Arisson Marinho/CORREIO)
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(Arisson Marinho/CORREIO)

Alguns clientes reclamam que os produtos estão mais caros nas lojas físicas, como o professor Felipe Carvalho, 32, que chegou cedo ao Shopping da Bahia, mas desistiu de comprar o que desejava. "Tô há 10 anos sem TV, tô mais na intenção de uma TV pra mim e uma máquina de lavar para o meu sogro, mas na internet eu encontrei com preço mais vantajoso, com cashback você recebe 10% a 13% do valor de volta pelo mesmo valor que está aqui, então sai mais barato". O professor foi para casa com as mãos vazias, desistiu da máquina de lavar e comprou somente a TV através da loja online das Casas Bahia, onde ele conseguiu receber 13% de cashback pelo preço pago. 

O vendedor da loja Casas Bahia do Shopping da Bahia Rafael Bispo, 37, explica que o fluxo não atendeu às expectativas para a Black Friday. “A venda não é a mesma coisa se compararmos com o ano passado, a gente esperava um público maior. Nós esperamos que o fluxo aumente mais tarde, mas ano passado estava muito melhor, vendendo muito mais”, relatou o vendedor. 

O gerente da loja Baianão, localizada na Av. Sete, Ivan Oliveira, 45, tem a expectativa que o fluxo de clientes aumente ao longo do dia. “Abrimos cedo, 7h. O cliente ainda está pesquisando, acredito que esse cliente que saiu agora volte daqui a pouco para comprar. Temos produtos aqui com até 60% de desconto. Estamos vendendo mais que nos outros dias, mas o fluxo ainda é pequeno”, contou o profissional. 

O economista e assessor da ACT  Investimentos João Felipe Monteiro explica que esse número menor de vendas e de descontos se explica devido a inflação, que sofreu um aumento de 11% nos últimos 12 meses, o que  impacta diretamente no preço dos produtos. “O principal aumento que a população tem visto é dos combustíveis e isso não impacta só no nosso dia a dia com o transporte do nosso cotidiano, mas também no preço dos produtos, já que o principal meio de transporte de mercadoria do Brasil é o transporte rodoviário. Devido a isso, o aumento de combustível acaba impactando no custo dos produtos, o que explica a diminuição de espaço para que as empresas possam baixar os preços na Black Friday”, explicou o especialista. 

Além disso, de acordo com o economista, o poder de compra do brasileiro já vem sendo corroído por causa da inflação, o que deixa menos espaço no orçamento das famílias para essas compras de Black Friday. O especialista explica também que o movimento maior de clientes na edição do ano passado se comparado a esse ano se deve ao fim do auxílio emergencial, encerrado em novembro. 

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