Bombando: idosos aderem ao 'vício', e Bahia ganha 860 mil novos internautas em um ano

bahia
15.04.2021, 05:00:00
Público da Bahia que acessa a internet cresceu de 8,3 milhões para 9,2 milhões no período de um ano (Shutterstock)

Bombando: idosos aderem ao 'vício', e Bahia ganha 860 mil novos internautas em um ano

Responsável por guinada, público da terceira idade já representa 37% dos novos usuários

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Cada vez menos baianos levam a vida sem acesso à internet. Pelo menos, é o que indicam os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam um crescimento de 10,3% no número de pessoas de 10 anos ou mais de idade que usam internet na Bahia de 2018 para 2019. Um aumento, em números absolutos, de 860 mil novos internautas, que fez a população conectada aos serviços de internet pular de 8,3 milhões para 9,2 milhões e o percentual de conectados chegar a 71,6%. E os maiores responsáveis pela guinada no número são os idosos, que representam 37% dos novatos das redes. 

Porém, o percentual de conectados ainda deixa de fora quase 3 em cada 10 moradores do estado, ou 3,7 milhões de pessoas. No ranking nacional de estados com maior taxa de conectados, a Bahia está em 17º. Até por isso, em termos proporcionais, a taxa de crescimento baiana foi quase o dobro da verificada no Brasil como um todo. Mariana Viveiros, supervisora de disseminação de informações do IBGE, afirma que o número é positivo, mas que ele só é possível justamente por causa do déficit em termo de pessoas conectadas no estado, que está na parte de baixo do ranking com todos os 26 estados e o Distrito Federal. 

“A taxa de evolução nesse número acaba sendo maior por ter esse espaço para crescer. Infelizmente, ainda estamos muito abaixo. A taxa de aumento de internautas é maior que a nacional, mas a média no Brasil já está em 78,3%. Então, é natural que seja mais fácil para o estado obter um crescimento superior porque a Bahia está mal no indicador, embora esteja melhorando porque saiu da 20ª colocação para a 17ª”, explica Mariana.

No entanto, Grinaldo Oliveira, coordenador geral de infraestrutura de tecnologia da informação da  Secretaria de Ciência, Tecnologia e Informação do Estado da Bahia (Secti), entende que essa taxa deve ser comemorada pelo potencial de influência da estatística no Produto Interno Bruto (PIB) baiano. “É um dado extremamente relevante, que é certificado pelo IBGE com seriedade e mostra um ingresso consistente e interessante da população na internet. Hoje, existem dados, inclusive do Banco Mundial, que colocam que o aumento, por exemplo, de 10% da penetração de internet reflete em até 1% de aumento no PIB. Há uma relação direta entre desenvolvimento e acesso à internet”, garante.

Idosos
Ao contrário do que se pode pensar, essa evolução do dado não é puxada pelo público jovem e sim pelo público idoso. Seja para ter acesso aos serviços, viabilizar a solução de problemas do sofá de casa ou facilitar o contato com familiares e amigos à distância, fato é que o público mais velho vem invadindo as redes na Bahia.

Para Grinaldo, o perfil do aumento tem a ver com a ampliação de oferta de internet e o caráter intuitivo dos dispositivos. “Naturalmente, a gente tá em um processo de transformação digital que substitui as mídias tradicionais pela internet. O analógico dá espaço ao digital muito pela ampliação da oferta de internet e dispositivos em todo lugar e, no caso dos idosos, que é um público que demanda aparelhos mais intuitivos, de fácil manuseio, isso tem sido entregue de uma forma que supere o que se tinha antes”, afirma.

Outro ponto que propicia a maior inserção dos idosos é a disponibilização de serviços cotidianos que, agora, podem ser acessados com poucos toques de tela no celular. Foi isso que motivou o aposentado Aloísio Moreira, 62 anos, a usar celular com acesso à internet em 2018. Ele viu o filho e a esposa resolvendo coisas básicas como o pagamento de conta de água pelo celular e não quis deixar a facilidade de lado. “Quando meu filho abriu o aplicativo do banco pelo celular, leu o código de barras e pagou em dois segundos, vi que era o que precisava. Fila agora só para coisas que não têm como fazer pelo celular”, diz.

Luzia de Oliveira, 68,  também é aposentada e começou a fazer uso da internet em 2019. Ao contrário de Aloísio, ela não usa celular para resolver pendências ou pagar contas. Para ela, o aparelho serve para uma única coisa: falar com familiares e amigos que estão distantes. “Eu comprei o meu celular em 2019 para conseguir falar com os parentes que ficam longe de mim. Tem filho, neto... Afinal, ninguém atende telefone mais, não é?!”, brincou.

Perguntada se tenta fazer buscas em navegadores ou acompanhar redes sociais de fotos e vídeos, ela responde prontamente que só se interessa pelo aplicativo de mensagens. “Abro meu celular só pra falar com o povo que tá longe mesmo. Entro no aplicativo e mando um áudio dando bom dia e perguntando como vão as coisas. Nem me dou ao trabalho de digitar e, depois, largo ele de canto”.

Luzia e Aloísio têm uma coisa em comum: os dois têm no celular o único aparelho para acesso à internet. Uma realidade nada incomum para os baianos. Ainda de acordo com as estatísticas divulgadas pelo IBGE, 57% dos baianos fazem uso da internet exclusivamente através do celular. 

Grinaldo entende que esse processo também é fruto do esforço dos desenvolvedores dos sistemas de smartphone para criar softwares e aparelhos mais amigáveis. “Você pega um celular e ele consegue ser altamente intuitivo no uso de aplicativos, com uma interação tranquila. Tudo muito diferente de antigamente. Vejo muito isso nos sistemas operacionais dos celulares, em todos eles”.

*Sob supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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