Carteiras digitais são a aposta para pagamentos em 2022

bahia
14.01.2022, 06:00:00
O jornalista Donaldson Gomes, editor do CORREIO, entrevista Willen Marcondes, sócio da consultoria PwC no programa Política & Economia (Reprodução)

Carteiras digitais são a aposta para pagamentos em 2022

Dinheiro de papel terá cada vez menos espaço

Após o sucesso do Pix, no final de 2020, o mercado de pagamentos sem dinheiro em espécie no Brasil deve dar um novo salto em 2022 com a popularização das carteiras digitais. A avaliação é de Willer Marcondes , sócio da PwC Brasil, diretor da Strategy&, braço de consultoria estratégica da empresa. 

“O que a gente observa é um encontro de fatores que permitem esse movimento de digitalização do dinheiro no Brasil e no mundo”, destacou o executivo, durante a participação no Programa Política & Economia, apresentado pelo jornalista Donaldson Gomes, no Instagram do CORREIO (@correio24horas). 

Para Marcondes, o Brasil já evoluiu muito na oferta de serviços digitais e já se aproxima dos países mais desenvolvidos em termos de inclusão de pessoas no sistema financeiro. “Ainda existe muito uso de dinheiro em espécie, mas do ponto de acesso aos serviços, o país evoluiu muito”, aponta. 

“A gente deve ver um cenário de consolidação das wallets (carteiras de pagamento digitais), então as pessoas vão se acostumar a cada vez mais ver QR Code estampados em pontos de vendas”, afirma. A principal consequência disso é que os pagamentos serão feitos com muito mais agilidade do que atualmente, aponta. “O ano de 2022 será muito importante para a consolidação das carteiras digitais”. 

Apesar de já estarem disponíveis no mercado nacional, as wallets ainda não são utilizadas com tanta frequência. A ferramenta permite guardar o dinheiro, fazer transferências entre pessoas, fotografar um QR Code e pagar através dela. É uma solução que se instala nos celulares para gerenciar as entradas e saídas do dinheiro. “No contexto da pandemia surgiram várias wallets, principalmente para recebimentos de benefícios sociais. A novidade agora é que estes mecanismos se tornaram meios de pagamentos importantes”, acredita. 

Sucesso do Pix
O sucesso na implantação do Pix é apontado como exemplo da abertura que o consumidor brasileiro tem para novas tecnologias, destaca Marcondes. Um relatório do Banco Central mostrou que entre novembro de 2020 até o final de 2021 circularam através do Pix mais de R$ 195 bilhões na Bahia. “O brasileiro é quase sempre o primeiro migrante em termos tecnológicos. Ele gosta de novidades e mergulha de cabeça”. 

A tecnologia é apontada por ele como a principal força responsável pelo processo de transformação. “Hoje é possível mesclar diversos tipos de tecnologias e criar soluções novas com muito mais facilidade”, explica. Outro aspecto que evoluiu, complementa, foi a regulamentação do setor financeiro no Brasil e no mundo. 

Para ele, a mudança de comportamento do consumidor é outro fator que explica o desenvolvimento deste mercado. “O consumidor mudou e está buscando cada vez mais novas experiências, serviços e forçando cada vez mais os bancos e empresas de pagamentos a buscarem novos mecanismos”, ressalta. Junto com tudo isso, ele acrescenta o papel da competição entre as empresas do setor. 

Com base em um estudo realizado pela PwC, Willer Marcondes conta que a expectativa é de que o volume de pagamentos digitais no Brasil triplique nos próximos dez anos. “Cada vez mais inclusivas, essas transações vão permitir a entrada de um volume maior de pessoas, com uma oferta de serviços mais abrangentes, permitindo escolhas do tipo de pagamentos ou soluções, com um número cada vez maior de players”, aponta. 

Para o sócio da PwC, a pandemia teve um papel de acelerar a apresentação das opções digitais de pagamentos para os consumidores. “Claro que ninguém desejava que a pandemia acontecesse, mas ela teve um papel de acelerar essa transformação”, avalia. Ele lembra que os benefícios sociais, por exemplo, passaram a ser pagos através de contas digitais, o que levou “algumas dezenas de milhões de brasileiros” para a economia digital. 

“A própria indisponibilidade para fazer aquisições de produtos e serviços através do varejo tradicional contribuiu para este cenário, fez com que muita gente fosse compelida a experimentar esses serviços”, complementa Marcondes. 

Um dos gargalos para um crescimento mais acelerado das operações digitais está justamente no acesso à internet. “Hoje já se discute a implantação do 5G no Brasil, mas na realidade existem muitas localidades que ainda não conhecem o 4G”, compara. “Ainda tem barreiras tecnológicas que precisam ser derrubadas para incluir  ainda mais gente e trazer cada vez mais segurança para o sistema”, diz. 

 “Quando a gente fala da transmissão de valores de maneira digital, o que estamos falando, no final das contas, é de menos papel moeda em circulação. Parece bobagem, mas em termos de benefícios para a sociedade, devemos lembrar que movimentar dinheiro, custa caro”, diz. 

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