Caso Ágatha: Polícia faz reconstituição do crime no Rio de Janeiro

brasil
01.10.2019, 08:39:49
Atualizado: 01.10.2019, 08:43:24

Caso Ágatha: Polícia faz reconstituição do crime no Rio de Janeiro

A mãe de Ágatha, Vanessa Sales Félix, e o motorista da Kombi vão participar

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza nesta terça-feira (1º) a reconstituição da morte da pequena Ágatha Vitória Sales Félix, 8 anos, morta após ser baleada no Complexo do Alemão, no último dia 20.

A mãe de Ágatha, Vanessa Sales Félix, e o motorista da Kombi vão participar da reconstituição. Os 12 PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Fazendinha que estavam na região no dia da morte também estarão presentes.

A expectativa é de que o laudo da perícia realizada na kombi seja divulgado nos próximos dias. O documento vai ser anexado ao laudo cadavérico que já está em posse dos investigadores.

Agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) darão apoio aos peritos da Delegacia de Homicídio da Capital (DHC). Por conta da localidade, que é classificada muito perigosa (que pode colocar a vida dos policiais e de terceiros em risco), a DHC vai usar pelo menos um blindado para chegar ao local.

O caso
Mãe de Ágatha, Vanessa lembrou do momento em que a filha foi baleada dentro da kombi, durante participação no programa Encontro com Fátima, no dia 24. Ela tentou descrever os momentos que antecederam o crime.

"Nós subimos [dentro da kombi], e tinham pessoas passando [na rua]. Minha irmã saltou uns metros antes, então, ficaram sete pessoas, desceram uns seis. Desceu quase todo mundo naquele local, acho que eram da mesma família, não sei. Tinham policiais ali porque eles sempre ficam. Aí alguém falou: 'Tem coisa na mala'. Uma pessoa foi abrir a mala, eu botei Ágatha aqui [ao lado dela]  e veio 'buumm'. Ela falou: 'Mãe, mãe'... Mas não pareceu que era nada. A gente estava abaixada, outras pessoas já tinham se abaixado que vi. E eu tentei chamar ela: 'Vem filha, vem filha', mas eu não conseguia porque ela parou. Eu pensei que ela estava assustada", detalhou Vanessa.

"Eu vi um buraco... Não estava acreditando no que estava acontecendo na minha vida naquele momento", relembra. "Eu não estava acreditando porque minha filha era perfeita, desenhava, estudiosa, era obediente, me obedecia, eu admirava a obediência dela".

Quando perceberam que Ágatha havia sido baleada, eles a levaram rapidamente para a UPA do Alemão e, lá, um policial militar a pegou e a levou correndo ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, onde a menina morreu na madrugada de sábado. "Chegando na porta do hospital pra tirar ela, ela deu dois suspiros... (Eu disse) 'Fica com a mamãe, a mamãe tá aqui'. Pegaram ela, correram... a minha lágrima não saía. Não saía lagrima nenhuma. Eu não estava acreditando no que estava acontecendo. O que eu mais temia, do que a gente mais se escondia para não acontecer, aconteceu", disse, bastante emocionada.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas