Cenas de Carnaval: Muzenza

salvador
30.01.2019, 05:00:00
(Antenor Pereira/Arquivo CORREIO)

Cenas de Carnaval: Muzenza

Bloco afro foi criado em 1981, em tributo a Bob Marley

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A linguagem popular da Bahia não tem controle. Fica até estranho, nos dias de hoje, os significados que a palavra ‘muzenza’ ganhou. O nome do bloco afro, surgido na Liberdade em 1981, como tributo a Bob Marley, falecido naquele ano, virou um vocativo para qualquer pessoa (“Ô, muzenza, venha cá”!) ou para porrada (“Sentou a muzenza nele”).

Expressões que nada têm a ver com os objetivos da criação do afro e a etimologia original da palavra. Muzenza, em bantu-kikongo, significa “yaô dos nagôs”, nome dado aos iniciados no candomblé da linha de Angola.

Na Bahia, o Muzenza virou o ‘bloco do reggae’ ou ‘Muzenza do reggae’ pela sua origem. E foram alguns tributos ao Rei do Reggae em seus desfiles no Carnaval baiano. Em 1991, que rendeu a foto de Antenor Pereira, o tema era Dança de Yaô e Tributo a Bob Marley, por conta da contribuição do mestre jamaicano na luta pelos povos negros.

Naquela edição, os elogios do CORREIO não foram poucos. “Sua bateria imponente conseguiu também ser grande destaque. À frente dela um percussionista destacado dos demais oferecia um espetáculo à parte fazendo evoluções e malabarismos com um tambor típico do bloco. Sua performance cativou os espectadores e deu maior brilho à passagem do Muzenza”, diz o texto, sem assinatura.

Conhecido na Bahia também pelo trabalho comunitário e social e pela luta pelo empoderamento negro, o Muzenza ganhou o país na voz de Daniela Mercury em Swing da Cor, um dos seus maiores sucessos. Com ela, o Brasil todo virou ‘Muzenza, larauê’.  

*Cenas de Carnaval é um oferecimento do Bradesco, com patrocínio do Hapvida e apoio da Claro, Fieb, Salvador Shopping, Vinci Airports e Unijorge 

(Antenor Pereira/Arquivo CORREIO)
(Evandro Veiga/Arquivo CORREIO)
(Manu Dias/Arquivo CORREIO)
(Mauro Akin Nassor/Arquivo CORREIO)
(Antônio Saturnino/Arquivo CORREIO)
(Evandro Veiga/Arquivo CORREIO)
(Antônio Queirós/Arquivo CORREIO)
(Antônio Queirós/Arquivo CORREIO)

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