Cerimônia de casamento mais barata atrai baianos e turistas ao Litoral Norte

bahia
24.05.2013, 07:55:00
Atualizado: 24.05.2013, 08:11:39

Cerimônia de casamento mais barata atrai baianos e turistas ao Litoral Norte

Casar de frente para o mar, pisando na areia e no meio de um cenário paradisíaco é o sonho de muitos casais. Mas se além de tudo isso a cerimônia for mais barata fica melhor ainda. É isso o que prometem empresários do ramo

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Priscila Chammas
priscila.chammas@redebahia.com.br

Antes mesmo de arrumar o noivo, a gerente de eventos Giselle Filgueiras Savastano já tinha decidido. Ia casar na praia. Por sorte, conheceu o gerente de pousada e surfista Gustavo Savastano, que adorou a ideia. Para celebrar a união, a espírita Giselle escolheu o dia de Iemanjá e chamou um padre anglicano para realizar a missa.


O engenheiro Tiago espera a noiva Gizella, em altar montado na praia de Interlagos. Casal gastou R$ 70 mil com toda a celebração

“Sempre foi um sonho meu. Eu falava que se um dia fosse casar, que seria na praia”, conta ela, que é catarinense. Mulheres como Giselle não são difíceis de encontrar por aí. Mas realizar o sonho delas pode sair mais barato...ops! Menos caro do que fazer uma cerimônia tradicional.

Segundo a diretora da Rosa Amarela Cerimonial, Sandra Cestari, o casamento nas praias do Litoral Norte tem atraído principalmente turistas do Rio de Janeiro e São Paulo pelo preço mais em conta. Segundo ela, só o espaço para o evento nessas cidades chega a custar R$ 40 mil. “A decoração de um casamento na praia também é muito mais simples, porque o cenário ajuda”.

Ela compara o serviço do cerimonial para 200 convidados num espaço tradicional, como a Igreja da Pupileira, em Nazaré, com uma festa similar, realizada na praia. “Na Pupileira, cobro de R$ 15 mil a R$ 20 mil só pela decoração, sem contar o bufê, que custa entre R$ 70 e R$ 80 por convidado”. O resultado da conta fica entre R$ 29 mil e R$ 36 mil. “Na praia, dá para fazer tudo por uns R$ 25 mil”, diz.

A promoter Rafaella Meccia lembra que cerimônias alternativas têm um custo mais acessível, porque apesar da logística cara (frete e estrutura), geralmente são eventos menores, com um número reduzido de convidados. “Compensa. O mais caro nos casamentos tradicionais é a decoração e aluguel da igreja. Só com essa eliminação há uma redução de cerca de 30% no custo”, explica.

As pessoas, segundo ela, começaram a ter que procurar esse tipo de cerimônia porque “Salvador não tem salões e espaços de festa. A falta de opção impulsiona festas alternativas”.

O aluguel do espaço também sai mais barato. Na pousada A Capela, em Arembepe, é possível casar na praia, e ainda hospedar 27 convidados por dois dias por R$ 8,7 mil. O valor não inclui decoração nem bufê.

A decoração não foi problema para a cenógrafa Gizella Gigliotti, que casou no ano passado numa casa alugada em Interlagos. “Gastei em torno de R$ 70 mil. Acho que foi mais barato que os casamentos que vi na época, mas se considerarmos que o meu foi personalizado e decorado por mim, acredito que tenha ficado 20% mais em conta”, estima Gizella.


Giselle e Gustavo Savastano se casaram no dia de Iemanjá, na Pousada da Espera, em Itacimirim

Crescimento
Talvez pelo preço, a procura por esse tipo de casamento vem crescendo ano a ano. A dona da A Capela, Nil Pereira, conta que desde o começo do ano já realizou três cerimônias e já tem outras 12 agendadas até fevereiro do ano que vem. “Construímos a pousada quase na areia da praia, em volta de uma capela que já existia. As pessoas aproveitam para fazer a cerimônia religiosa ali dentro”, conta a proprietária.  

Já Gustavo, o marido de Giselle, é gerente-geral da Pousada da Espera, em Itacimirim. Ele diz que no ano passado foram realizados oito casamentos no lugar, que também fica de frente para o mar. Esse ano, entre os já realizados e os agendados, são 11. “Vai muito de acordo com a escolha da noiva, se ela quer uma coisa mais informal, de pés descalços na areia, o noivo com a calça dobrada... ou se prefere que a gente monte uma passarela de madeira”, conta o gerente.

Um pacote com o casamento e um fim de semana com a pousada fechada só para os convidados sai por cerca de R$ 25 mil. “Como normalmente os casamentos acontecem no sábado, o pacote também inclui um luau na sexta-feira e um almoço no sábado”, complementa.

A mania pelos casamentos na praia já ameaça até desbancar maio como o mês preferido das noivas. Como durante o Verão, é mais garantido que não chova, os noivos preferem essa época para realizar as cerimônias ao ar livre. “ Agora a maioria dos casamentos é entre setembro e fevereiro”, diz  a assistente financeira da Fundação Garcia D’Ávila, na Praia do Forte, Vanessa Rode.

Ela diz  que houve um aumento considerável de casamentos no espaço nos últimos três anos. São cerca de 20 casamentos, no máximo 30, por ano.
A maioria dos noivos é de fora da Bahia e até do país e geralmente descobre o lugar através do turismo, que cresceu e tornou o lugar conhecido. O valor mínimo para  casar no espaço é de R$ 4,9 mil, mas varia de acordo com a estrutura solicitada.

Mas nem todo mundo que trabalha no ramo de casamentos é a favor da novidade. O empresário Douglas Campos, dono do bufê de mesmo nome, pensa diferente.

“É a primeira opção da maioria dos noivos, que veem nos filmes e se encantam com a ideia, mas, quando começam os preparativos (e descobrem a quantidade de coisas para providenciar), desistem”.  Colaborou Natália Falcón.


Cerimonial Rosa Amarela cobra mais barato para decoração na praia; cenário natural ajuda na composição

Chuva: a maioria dos noivos prefere contar com a sorte
No dia do casamento da cenógrafa Gizella com o engenheiro Tiago, o tempo estava duvidoso. “Mas não chegou a chover, graças a Deus, pois não tinha um plano B”, diz Gizella. Gastar milhares de reais com um casamento, planejar tudo e depois ter que contar com a boa vontade de São Pedro parece arriscado, mas é essa a opção da maioria dos noivos. “Dos quatro casamentos que já fiz na minha pousada, só um teve toldo”, conta a empresária Nil Pereira, dona da Pousada A Capela.

“Geralmente, os clientes não querem diminuir o brilho da festa com coberturas. Além de não ficar tão bonito, fica um ambiente mais abafado”, defende o gerente da Pousada da Espera, Gustavo Savastano, com o know-how de quem arriscou o próprio casamento. “Eu tinha certeza que ia fazer um dia lindo, e fez!”, emenda a esposa Giselle.

Ela conta que, apesar disso, ficou atenta à previsão do tempo e marcou a festa para o Verão também para diminuir as chances de acontecerem contratempos climáticos. E já que é impossível montar a cobertura no momento em que começar a chover, para quem não quiser arriscar, Gustavo indica que deixe um fornecedor de toldos de stand by (o que significa dar um sinal em dinheiro, para que ele reserve o equipamento) e na semana do casamento ir conferindo a previsão do tempo. E ele garante que existem sites confiáveis.

Nil Pereira lembra que não é só a chuva que pode atrapalhar o bom andamento da cerimônia. “Se a maré estiver alta no dia, temos que recuar toda a estrutura”. Ou seja, mais um fator da natureza para verificar na semana do casamento. Ela e Gustavo garantem que nunca tiveram problemas com a chuva.

“Só uma vez que choveu um pouco, mas foi uma chuva fina, que não atrapalhou em nada”, diz Gustavo. Mas a promoter Rafaella Meccia é mais precavida. Ela sempre recomenda uma área coberta. “Um vez, consegui convencer um casal três dias antes. Ainda bem, porque choveu torrencialmente o dia todo”, relembra.

No Brasil, setor de casamentos movimentou R$ 15 bilhões
Ao contrário do que pregam os incrédulos, o casamento não é uma instituição falida. Pelo menos não para quem vive dele. De acordo com a Associação de Empresas e Profissionais de Serviços para Eventos (Abrafesta), o setor movimentou R$ 15 bilhões no ano passado. Uma pesquisa feita por um site especializado em listas de casamento no mundo inteiro (ZankYou) revelou que o Brasil é líder no ranking de celebrações entre os 17 países pesquisados. 

Entre os casamentos no país, 40% são para mais de 250 convidados, enquanto a média geral ficou em 15%. Somado a isso, os últimos dados do IBGE mostraram que quase um milhão (960 mil) de casamentos foram realizados no país em 2012. Na Bahia, foram 62 mil. Mesmo assim, os baianos são campeões de informalidade. O mesmo instituto mostrou que quase a metade dos casais do estado (45,77%) que dividem o mesmo teto não é casada de papel passado.

Se for considerada só a capital, o percentual é ainda maior: 49,73%, muito além da média nacional, que ficou em 36,4%.  Ainda de acordo com o IBGE, os brasileiros estão se casando mais e cada vez mais velhos. A taxa de nupcialidade legal registrou sete casamentos para cada grupo de mil habitantes de 15 anos ou mais de idade. No ano anterior, a taxa havia sido de 6,7 matrimônios.

Segundo o IBGE, essa evolução observada nos últimos anos acontece devido às transformações dos arranjos conjugais, que vêm impulsionando os recasamentos, além das melhorias no acesso aos serviços de Justiça, ofertas de festas coletivas e facilidades para a concessão do divórcio, que possibilitam novas uniões. Em 2011, a idade média dos homens solteiros na data do casamento foi de 28 anos, três anos a mais do que fora observado em 2001. Já as mulheres tinham, em média, 26 anos, dois anos a mais do que dez anos antes.

Os casamentos entre homens divorciados e mulheres solteiras corresponderam a 8,7% do total. Já o inverso representou 4,9% do total de casamentos de 2011.

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