Com chuva e ruas vazias, Dois de Julho é celebrado com ato simbólico em Salvador

salvador
02.07.2021, 08:46:00
(Gil Santos/CORREIO)

Com chuva e ruas vazias, Dois de Julho é celebrado com ato simbólico em Salvador

Festa deste ano foi tímida, como no ano passado

Todos os anos, desde 1923, o busto sisudo do general Pedro Labatut observa a saída do desfile do Dois de Julho, na Lapinha, em Salvador. Injustiçado, já que foi destituído do cargo de comandante cinco semanas antes das tropas entrarem vitoriosas na cidade, esse é o momento de ele assistir e ser homenageado. Mas, mais uma vez, o herói da Independência ficou a ver navios. Por conta da pandemia, não teve desfile. 

Essa foi a segunda vez que isso aconteceu em 198 anos de celebração, a primeira foi no ano passado. Apesar de aglomerações estarem proibidas muita gente ignorou as recomendações das autoridades para que ficassem em casa e foram para a rua prestar homenagem a uma das datas mais importantes do calendário baiano. 

O dia 2 de julho é tão relevante que reúne de uma só vez representantes das duas esferas executivas e das duas casas legislativas. As comemorações desse ano seguiram os moldes do ano passado, sem desfile, mas com hasteamento de bandeiras, hino e deposição de flores no busto de Labatut. 

A novidade foi que os caboclos apareceram vestidos de verde, segundo a prefeitura, para simbolizar a esperança em dias melhores. E a Pira do Fogo Simbólico, que todos os anos fica no Campo Grande, foi transportada para a Lapinha e batizada de Chama da Esperança. Ela foi acesa por dois profissionais de saúde para simbolizar a luta do povo baiano contra a pandemia. Por causa do tempo instável, a chama acabou apagando e teve que ser reacesa. 

(Arisson Marinho/CORREIO)
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(Arisson Marinho/CORREIO)
(Arisson Marinho/CORREIO)
(Arisson Marinho/CORREIO)
(Arisson Marinho/CORREIO)
(Arisson Marinho/CORREIO)

Autoridades
O governador Rui Costa (PT) foi o primeiro a discursar e ressaltou que a data cívica relembra a força do povo em busca de melhores condições de vida. "Esse dia representa a Independência da Bahia, a luta do nosso povo, a busca por melhores condições de vida, por um Brasil independente e que cresça. O Brasil tem força e irá superar esse momento difícil que atravessa e voltará a ser uma referência internacional que poderemos comemorar nos próximos anos", disse. 

Já o prefeito Bruno Reis (DEM) destacou que é um momento de muito orgulho para o povo e que a prefeitura já faz planos para os próximos anos da data cívica "Por conta da pandemia, temos que fazer as homenagens com todas as restrições. Não imaginávamos que teríamos que travar a guerra contra o coronavírus ainda este ano. Nós vamos começar a organizar o bicentenário, com uma série de ações, requalfiicação do pavilhão e outras ações. E no ano que vem com certeza vamos voltar com a festa porque temos dois anos com a festa semipresencial", adiantou.

O dia começou com chuva forte, mas o mau tempo deu uma trégua próximo do horário dos eventos oficiais. O hasteamento das bandeiras teve a presença também do presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Eduardo Morais de Castro, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Adolfo Menezes (PSD) e o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Geraldo Júnior (MDB).

Este ano, grades de contenção foram instaladas para evitar que o público circulasse pela Estrada da Liberdade, nas imediações do Largo da Lapinha. Sem a presença massiva do povo a festa do Dois de Julho perde a graça, até porque os eventos que levaram à vitória foram realizados pelo povo, mesmo assim, surgiram algumas pessoas fantasiadas que tentaram resgatar o espírito festivo e histórico do evento. Como a pequena Maria Antônia, 5 anos, que foi vestida de cabocla. "Estou muito feliz", disse. 

Populares 
Nas lutas pela independência da Bahia várias figuras femininas mostraram o que é que uma baiana tem, mas as mais famosas delas foram as duas Marias, tanto a Felipa como a Quitéria. Está última recebeu do general Labatut o posto de primeiro-cadete e tem uma estátua que fica no caminho do desfile. Nesta sexta, mesmo com ameaça de chuva, algumas mulheres resolveram não deixá-la sozinha. 

A professora Maria Inês, 53 anos, fez questão de comparecer. “Esse é um evento histórico e muito importante, não apenas para a história da Bahia, mas para a compreensão da independência do país, e deveria ser uma data de celebração nacional. Meus pais me traziam quando era menina e dei continuidade a tradição desde de adulta”, contou. 

Esse ano não houve grupos protestando, uma mudança brusca para o evento que todos os anos recebe diversas categorias de profissionais que levam as principais pautas do grupo para o cortejo. No final da cerimônia, alguns manifestantes apareceram com faixas pedindo que o presidente da República deixe o cargo, aos gritos de "Fora, Bolsonaro".

Programação
A edição virtual do Encontro de Filarmônicas em homenagem ao Dois de Julho acontece às 18h, no canal da FGM no YouTube. Dez filarmônicas se apresentam com a curadoria do maestro Fred Dantas.

Em Ação de Graças, o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Cardeal Dom Sérgio da Rocha, presidirá missa na Catedral Basílica de Salvador (Terreiro de Jesus), às 16h. Ela será transmitida, ao vivo, pelo canal da Arquediocese no Youtube.

Outra celebração acontece na Igreja Rosário dos Pretos, às 9h, quando será comemorado também o Aniversário de 122 Anos de Elevação à Categoria de Ordem Terceira. A celebração será restrita aos irmãos e, portanto, transmitida pelo perfil @irmandadedoshomenspretos no Instagram.

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