Com medo do Leão? Conheça 7 investimentos isentos do Imposto de Renda

salvador
27.02.2021, 07:00:00
Declaração pode ser feita a partir de 1º de março (Marcello Casal Jr. / Agência Brasil)

Com medo do Leão? Conheça 7 investimentos isentos do Imposto de Renda

É possível sair da poupança e começar a investir sem se preocupar com impostos; opções para todos os públicos

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Março está batendo à porta, mês em que começa o prazo para que os contribuintes entreguem a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2021. O procedimento pode ser feito até o dia 30 de abril. A Receita Federal espera mais de 32 milhões de declarações.

Quem já é investidor experiente, sabe que é preciso incluir na declaração o rendimento dos seus ativos ao longo do ano anterior. Ou seja: não é levado em conta o valor total das aplicações, mas sim o quanto elas renderam.

Porém, existem exceções. Você só é obrigado a declarar o Imposto de Renda se o valor total dos seus rendimentos (ou seja, salários mais rentabilidade dos investimentos) for maior que R$ 40 mil naquele ano.

Além disso, nem toda aplicação requer a declaração dos seus rendimentos no Importo de Renda. A grande maioria está, sim, nessa categoria, mas existem sete títulos que são completamente isentos dessa cobrança.

Nesse guia elaborado pelo CORREIO, mas conhecer quais aplicações disponíveis no mercado financeiro estão isentas do Imposto de Renda.

Por que?

A primeira pergunta que vem à mente de todos que estão iniciando no mundo dos investimentos é: por que algumas aplicações são isentas da declaração do Imposto de Renda?

Porque são títulos que realizam um aporto considerável de recursos em setores considerados estratégicos para do desenvolvimento econômico e humano do Brasil. Ou seja: infraestrutura, agricultura, construção civil, entre outros.

Como a pessoa física – ou seja, você – que está investindo nesses títulos está ajudando a União, o Governo Federal, em troca, permite a isenção do Imposto de Renda. É, também, uma forma de incentivar a procura por essas aplicações.

A mais óbvia vantagem desses títulos é que todo o rendimento deles será líquido. Ou seja, o investidor não precisará fazer contas do quanto ficará com ele de fato e do quanto terá que pagar ao Estado.

Atenção!

Ter isenção do Imposto de Renda significa, necessariamente, que esses investimentos são mais lucrativos do que os demais? Não.

Existem títulos que preveem a declaração do tributo e, mesmo assim, são mais lucrativos do que os isentos do pagamento. Isso ocorre porque a rentabilidade deles é tão grande que compensa o repasse ao IR.

A depender do seu perfil como investidor, e recomendável a diversificação das aplicações. Ou seja, ter uma quantidade títulos que exigem a declaração do Imposto de Renda e outros que estão isentos do pagamento.

Para fazer essa avaliação, é fundamental procurar um assessor de investimentos, seja do seu banco ou da sua corretora preferida.

1) Letra de Crédito do Agronegócio (LCA)

Trata-se de um título de renda fixa. Ou seja, é uma aplicação com um prazo pré-determinado e na qual o investidor já sabe, desde o momento da aquisição, o quanto vai receber na data de vencimento, sem correr grandes riscos.

A LCA é emitida por bancos com o intuito de financiar empreendimentos do setor agrícola. Ou seja, você está emprestando o seu dinheiro ao banco para que ele ofereça como capital para as empresas do agronegócio.

A rentabilidade da LCA é geralmente prefixada numa determinada porcentagem de juros. Em outros casos, ela pode ser estabelecida sobre um índice, como o CDI.

Um exemplo: digamos que você está contratando uma LCA no valor de R$ 1 mil, cujo rendimento é de 7% ao ano (a.a.) com vencimento daqui a dois anos. Isso significa que, ao final desse prazo, você receberá de volta R$ 1.144,90.

2) Letra de Crédito Imobiliário (LCI)

Trata-se de um investimento idêntico à LCA. Porém, o banco está captando o seu dinheiro para oferecer como crédito a empreendimentos do setor imobiliário. Servirá, portanto, para construir casas, prédios, shoppings centers, entre outros.

Outro exemplo, dessa vez com rendimento atrelado ao CDI: digamos que você está contratando uma LCI no valor de R$ 1 mil, cujo rendimento será de 150% do CDI ao ano (a.a.) com vencimento daqui a três anos.

Digamos que o CDI (que é a taxa de juros praticada entre bancos) nesses anos tenha ficado em 2%, 3% e 4%, respectivamente. Ou seja, o rendimento no primeiro ano será de 3% (150% de 2%), 4,5% no segundo ano (150% de 3%) e de 6% no terceiro ano (150% de 4%).

Ao final do prazo, portanto, você receberá de volta R$ 1.140,93. Lembrando que o cálculo nesses casos é sempre de juros compostos – ou seja, os juros incidem sobre valores que já receberam a correção de juros.

Tanto a LCA como a LCI são investimentos que contam com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), do Governo Federal. Trata-se de uma garantia de que você terá seu dinheiro de volta, caso o banco dê um calote, desde que o valor seja de até R$ 250 mil.

3) Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

Outro título de renda fixa. Através dele, o investidor adquire direitos sobre valores a receber – os chamados recebíveis. Esses são títulos emitidos por empresas chamadas securitizadoras.

Na prática, você está adquirindo o direito de receber uma parte dos valores que ainda serão recebidos por uma empresa do setor agrícola. Em tese, essa empresa está repassando a você esses direitos porque ela tem pressa e não pode esperar a colheita. Ou seja, precisa adquirir logo capital e já iniciar, por exemplo, uma outra plantação.

A rentabilidade do CRA é semelhante aos demais títulos de renda fixa, como LCI e LCA: podem ser prefixados ou baseados no CDI. Também podem ser calculados corrigindo a inflação mais uma porcentagem de ganho – IPC-A+, como são chamados os títulos dessa natureza.

Como assim? Digamos que seu título de CRA tenha rentabilidade anual de IPC-A + 3%. E digamos que o IPC-A daquele ano ficou em 4,5%. Isso significa que o ganho final da sua aplicação naquele período será de 7,5%.

4) Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI)

Semelhante ao CRA, porém destinado a adquirir recebíveis do setor imobiliário. Também são emitidos por securitizadoras e possuem rendimento prefixado, associado ao CDI ou à inflação mais um determinado ganho.

Talvez aqui fique mais claro o funcionamento do CRI: digamos que uma construtora vendeu todos os apartamentos de um prédio. Porém, ela só receberá o valor final dentro de 10 ou 20 anos, já que os imóveis foram parcelados. A construtora, então, negocia direitos sobre esses valores que tem a receber e assim capta, de uma só vez, dinheiro para construir outro prédio.

Também fica mais fácil entender o risco por trás do CRI e do CRA. Eles não possuem garantia do FGC e seu pagamento está diretamente associado à natureza da companhia que está vendendo os direitos sobre os recebíveis. Por isso, é importante consultar um assessor de investimentos, que vai estudar se aquela companhia está com a saúde financeira em dia e pode honrar com os recebíveis que está negociando.

Para compensar o risco, CRI e CRA geralmente possuem um rendimento considerado alto para os padrões de renda fixa. Somado à isenção do Imposto de Renda, são aplicações que, a priori, chamam a atenção do investidor iniciante. Mas, como dito, é preciso cuidado.

Outro ponto importante do CRI e do CRA: eles não possuem liquidez – ou seja, a chance de retirar o seu dinheiro antes do prazo de vencimento. Por isso, é importante ter em mente o tempo pelo qual você está cedendo o seu patrimônio.

5) Debêntures Incentivadas

Debêntures são títulos de dívida. Nesse caso, não do Estado – como acontece com o Tesouro Direto -, mas sim de empresas privadas. Sim, são empresas de capital aberto ou fechado que estão contraindo uma dívida com o investidor a fim de captarem recursos para o seu caixa.

Atenção: existem vários tipos de Debênture. Apenas as chamadas “incentivadas” possuem esse benefício de isenção do Imposto de Renda do qual estamos tratando. Por isso, é preciso muita atenção na hora de adquirir o título.

Mas, por que elas são incentivadas? Porque esses títulos de dívida geralmente são emitidos por empresas privadas que atuam no setor de infraestrutura. Ou seja, a empresa está arrecadando recursos para construir rodovias, ferrovias, estações elétricas, entre outros. Por estar ajudando a União, o Governo Federal abre mão do IR.

Assim como os títulos já tratados aqui, as Debêntures Incentivadas podem possuir rendimento atrelado ao CDI, a índices de inflação como IPC-A ou IGP-M ou serem prefixados.

6) Fundos Imobiliários (FII)

Trata-se de um ativo de renda variável. Na prática, investir num FII é aplicar o seu dinheiro em imóveis e receber a renda dos seus alugueis. Tudo, porém, de maneira indireta e sem ter que adquirir, de fato um imóvel.

Como assim? Ao investir num FII, você está adquirindo uma parte daquele fundo, ou uma cota. O gestor do fundo, que é quem vai receber o dinheiro de todos os cotistas, é quem adquire os imóveis como shoppings, galpões logísticos, centros comerciais, entre outros.

O fundo recebe, portanto, os alugueis daqueles imóveis e o gestor pode comprar mais imóveis para aumentar o capital. O investidor, como cotista, recebe uma parte de todo o lucro daquela operação.

A grande vantagem de um FII é poder transformar rapidamente aquela cota em dinheiro. Sem ter de esperar, portanto, a venda do próprio imóvel, como aconteceria caso você fosse o proprietário em si.

A isenção do IR, nesse caso, é sobre o valor dos rendimentos do FII. Ainda assim, o fundo precisa ser negociado em bolsa e ter mais de 50 cotistas. Além disso, o investidor não pode ter mais de 10% do patrimônio do fundo.

7) Dividendos e vendas de ações até R$ 20 mil

Sem dúvidas, esse é o mercado mais conhecido e procurado da renda variável. Ao adquirir uma ação de uma empresa, você se torna dono de uma fração daquela companhia. Ou seja, torna-se um acionista.

Em troca, a ação te permite ganhar dinheiro com a valorização dela – ou seja, você pode vende-la mais tarde por um valor maior – ou com os chamados dividendos, que são uma participação do lucro anual da empresa.

No caso das ações que preveem o recebimento de dividendos por parte de seus acionistas, o rendimento oriundo dessa origem é isento do Imposto de Renda.

No outro caso, se você vender as suas ações naquele ano e adquirir no máximo R$ 20 mil, esse valor está isento do Imposto de Renda. O tributo só incide sobre o seu rendimento caso você venda mais do que R$ 20 mil em ações – todas as que estiverem sob a propriedade da mesma pessoa física, somadas.

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