Como ajudar seu filho a se concentrar nas aulas online?

bahia
01.05.2021, 11:00:00
Noah está sendo alfabetizado na modalidade remota (Foto: Acervo Pessoal)

Como ajudar seu filho a se concentrar nas aulas online?

Especialistas em Educação destacam 10 conselhos para pais que optaram por manter os filhos em casa

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Noah, está prestando atenção na aula? Da última vez, ele estava ‘testando’ a voz em frente ao ventilador. Já faz um pouco mais de 1 ano que o ensino remoto passou a fazer parte da rotina, mas a tarefa de manter as crianças atentas à tela é uma dificuldade constante. A mãe de Noah, Giselle Ferreira optou por manter o filho na modalidade. “É uma luta”, reconhece. Ele acorda todos os dias às 6h e entra às 7h10 na aula virtual da escola, onde permanece conectado até próximo à hora do almoço, às 11h50. Não foi uma, nem duas vezes, que Giselle flagrou Noah disperso em algum momento da transmissão: "Ele fica concentrado em alguns momentos, mas preciso estar o tempo todo vigilante”. 

A mãe montou um espaço adequado no quarto e organiza junto com ele o material escolar, antes da aula começar. Porém, tudo é na base de muita conversa. “Noah está em fase de Alfabetização e sempre foi muito ativo. O isolamento, em si, interferiu bastante. Os diversos recursos tecnológicos deixou ele mais acelerado, além da falta de atividade recreativa - correr, jogar bola - o que fez com que buscássemos um trabalho terapêutico para ajudá-lo. Montamos  um quadro de rotina e criamos um grupo no WhatsApp com os coleguinhas para  socializar”, completa.

O que fazer? Especialistas em Psicologia e Educação destacam 10 conselhos que podem ajudar nesse dever de casa e estimular a concentração nas aulas online. Se por  um lado, os professores precisam trazer recursos mais atraentes e próximos da realidade das crianças, cabe aos pais estabelecer uma rotina e um ambiente confortável, sem dispersores para captar a atenção dos pequenos. Missão difícil? Veja abaixo.

1. Ambiente de estudo
Um ambiente com iluminação,  boa ergonomia, adequado e confortável é fundamental para estimular a concentração. Segundo a psicóloga Ludmila Fonseca, a criança tem que ter todo material que irá precisar bem perto dela. E nada de assistir aula deitado na cama ou no sofá. “De acordo com cada estrutura de casa, é importante estabelecer esse local”.

2. Rotina
A manutenção do horário de acordar, tomar café, uso da farda e hora do lanche também ajuda a internalizar a presença da escola. O escritor e psicólogo com doutorado em Ciências da Educação, Alessandro Marimpietri, aconselha que a rotina seja construída em conjunto. “Deixe sempre essa rotina visível. Ela economiza energia de adaptação ao novo e oferece um sinal sobre a previsibilidade das coisas que estão por vir”, orienta.
  
3. Escuta e diálogo
Marimpietri reforça também, o quanto é necessário escutar a criança. “Sua adesão ao proposto será maior quando ela participa ativamente. Eleja pontos centrais sem deixar de incluir coisas que são importantes para ela e não só para os adultos”.

4. Fone ajuda? 
Quem responde a pergunta é a neuropediatra e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Rita Lucena. “O fone é válido, mas deve ser mantido se os pais perceberam que realmente traz benefício e, ainda assim, com os devidos cuidados para evitar exposição excessiva ao ruído”.

5. Outra utilidade para a tv
Rita Lucena destaca outro uso para a televisão, que acaba contribuindo para manter a criança mais concentrada: “A ampliação da imagem mantém a criança atenta, favorece a autonomia e os pais podem acompanhar melhor a dinâmica das aulas sem parecer que estão vigiando”, acrescenta.

6. ‘Exercícios’
Por incrível que pareça, atividades simples como ajudar nas tarefas domésticas, estimular a criança a terminar o que se iniciou, fazer uma coisa de cada vez são alguns exemplos de exercícios que estimulam a concentração, como recomenda Alessandro Marimpietri. “Outra dica é orientar a criança a começar do mais fácil para o mais difícil progressivamente”.

7. Tudo no seu tempo
Definir tempo e prazo para as coisas é mais um conselho de Rita Lucena. Isto porque quando se estabelece o tempo para a realização de cada tarefa, há um foco, o que evita a dispersão. “O aprendizado se dá a partir de um repertório de habilidades que incluem atenção, motivação, engajamento e disciplina. Alterne propostas que exigem maior esforço mental com outras que permitem expressão espontânea de habilidades”, diz.

Leia também: como será o professor do futuro no pós-pandemia?

8. O que fazer com crianças mais ativas? 
Nesse caso, o caminho é possibilitar, ao máximo, que essas crianças possam colocar essa energia para fora através de alguma atividade corporal mesmo em casa, como pontua Ludmila Fonseca. “As pessoas mais cinestésicas se autorregulam quando seus corpos se mexem. Logo, é preciso estar atento a isso e proporcionar essa possibilidade”.

9. Dispersores
Má qualidade de áudio e vídeo, circulação de pessoas pela casa, compartilhamento do mesmo ambiente com irmãos também envolvidos em aulas virtuais, acesso a brinquedos e outros objetos tiram qualquer atenção. Rita Lucena reforça que esses são os principais fatores que afetam a sustentação da atenção. “Muitas crianças ainda não têm maturidade para dissociar o uso recreativo do pedagógico quando se tratam de aulas virtuais. É evitar o excesso de recursos e tirar do alcance tudo que possa ser um dispersor”, explica.

10. E essa última dica, vai para o professor:
Diversifique. “Os conteúdos devem ser apresentados em blocos menores. Evite aulas longas ou monótonas e recursos audiovisuais pouco atraentes”, complementa Alessandro Marimpietri.

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